A imagem que fazemos de nós mesmos é poderosíssima. Fico impressionado em ver como as pessoas facilmente bloqueiam enormes potenciais que para sempre ficam ali, adormecidos. E mais assombroso ainda é ver pessoas que conseguem levar a diante, com sucesso, um potencial que nem tinham... apenas não sabiam!
Há uns tempos voltei a dar aulas particulares, e estava pensando nesses dias que, durante as aulas, o que menos importa para mim, como professor, é o domínio técnico sobre o assunto ensinado. Em geral é muito mais relevante encontrar uma forma de fazer com que a aula seja interessante a ponto de que as barreiras pessoais dos alunos sejam ignoradas, sem que eles percebam, até que atinjam conquistas suficientes para, de repente, se convencerem de que são mais capazes do que imaginavam, e de que há algo de interessante no que está sendo estudado.
E voltei a pensar na importância da componente lúdica das aulas. O que me dá calafrios na espinha quando lembro de muitos professores que vi na faculdade. Ainda bem que me formei!
O paradoxal é que essas barreiras pessoais, embora sejam um problema quando alguém se inicia numa matéria nova, ou quando precisa estudar um assunto que não faz parte do seu universo de interesses, têm uma razão de ser. São úteis sim. Ajudam a focar a vida. Definem a pessoalidade de alguém. Não há razão lógica por trás de afirmações do tipo "não gosto de matemática" ou "não levo jeito pra inglês". Se alguém lhe disser "mim nummm injgleiz jeito", beleza, você já entendeu que a pessoa tem problemas, não leva jeito nem pra português e tal... Mas de onde vem essa certeza arraigada de pessoas que dizem que não levam jeito pra isso e pra aquilo? De lugar nenhum; vem da própria afirmação. É algo que passa a ser concreto quando é afirmado. É a definição da individualidade de cada um.
Juntando tudo... às vezes o trabalho de um professor, como quem não quer nada, é ajudar as pessoas a aceitarem uma nova idéia de si. Já imaginei um divã do lado da lousa...
Thursday, August 06, 2009
Wednesday, August 05, 2009
Organizado, importante e feliz

Tá aí uma pessoa sobre quem vale a pena pesquisar mais: Benjamin Franklin. Quero uma boa biografia dele de presente. Um cara importante, inteligente, inventivo, organizad e... feliz! Ao contrário da sobriedade petulante de muitos importantes, Franklin sabia manter o bom humor, e equilibrar uma vida dedicada a muito trabalho e a múltiplas tarefas, mas sempre com espaço para diversão, música e, claro, mulheres.
Resume Maira Kalman, em uma coluna no New York Times: "Acho que ele nunca estava desanimado. Ele via uma rua suja e criava um departamento sanitário. Via uma casa em chamas e criava um departamento de bombeiros. Via pessoas doentes e criava um hospital. Ele inaugurou nossa primeira biblioteca de empréstimos. Via pessoas necessitadas de educação e criou uma universidade. Ele funcou a Sociedade de Filosofia da América, onde homens e mulheres compartilhavam desenvolvimentos da ciência. [...] Ele flertava com as mulheres, que flertavam de volta. Ele escrevia poemas e dava presentes."
Tá, tudo bem que ver uma casa em chamas e fundar um departamento de bombeiros não me parece a medida mais prática, mas todos entendemos que a descrição acima é meramente ilustrativa.
Outra curiosidade. Ele era metódico. O quão metódico? Veja a lista abaixo. Você já se planejou desse jeito? Segue à risca seus planejamentos?

Mais informações:
Benjamin Franlkin na Wikipedia
Eu iria listar aqui alguns livros com biografia dele... mas são inúmeros, basta dar uma fussada na Amazon, Livraria Cultura ou Estante Virtual.
Tuesday, August 04, 2009
Tilt na física

Importa mesmo tanto assim aos físicos saber se a teoria dos múltiplos universos, apelativamente sugerida por Hugh Everett III em sua tese de doutorado apresentada em Princeton, é correta ou não? Ora, talvez ela não seja correta no nosso universo, mas o seja em algum outro. Talvez logo mais venhamos a nos separar em universos distintos, de modo que podemos gastar o que nos resta de tempo juntos com alguma questão mais interessante, não é?
Sites e materiais por aí:
Artigo sobre a vida e o trabalho de Hugh Everett III
Um FAQ sobre a teoria dos universos múltiplos
E, pensando mais um pouco... a idéia de múltiplos mundos não poderia ter surgido antes em qualquer ponto da história, e aí mesmo rejeitada? Afinal, não interessa se a realidade se divide em multiplicidades inacessíveis entre si aos viajantes de cada caminho particular. A tarefa da ciência é entender a realidade desse mundo em termos dele mesmo. Não me interessa se o gato estará talvez morto neste mundo e vivo num outro, talvez o contrário. Interessa saber se, neste universo, o gato está vivo ou morto.
Falta um chefe aos físicos. Se eu fosse chefe dos físicos do mundo, atrasaria os salários. Às reclamações, retrucaria: "em algum outro universo, não se preocupem, os vencimentos estão em dia!". E ainda me defenderia dos protestos subseqüentes: "não podemos deixar de realizar a função de onda completa de todos os eventos possíveis em torno dos salários. Nesse universo, vai atrasar, paciência."
Bem, talvez em algum universo paralelo eu realmente seja o chefe dos físicos do mundo e esteja agora mesmo fazendo essa piadinha besta... Talvez, num outro universo, vocês até tenham achado graça!
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Monday, August 03, 2009
Mentes com entropia variável

Eu morro de inveja da pseudociência. Ela congrega um povo com uma criatividade escabrosamente gigante. Um pseudo-cientista é um bolsista da Loucura, de Erasmo, que cansou do resto do mundo e foi praticar seus dons ali onde eles encontram a um só tempo expressão máxima e glamour. Um hospício, claro, oferece à Loucura um vasto e livre terreno de trabalho. Mas cadê o glamour? A ciência "mainstream" oferece todo o glamour, com prêmios nobel, revoluções que alteram a história da humanidade e tudo o mais. Mas é um trabalho, convenhamos, muito limitado. Cientistas não engolem qualquer coisa. Já um pseudo-cientista...
Quisera eu, em minhas aspirações de escritor, ter a desinibição desse povo! Recentemente (bem recentemente mesmo, coisa de dez minutos atrás) encontrei essa aqui: Meditation and Entropy. O artigo começa explicando tudo com calma... Bem didático. Aliás, se tem uma coisa que caracteriza um bom pseudo-cientista, é a didática. Sua didática tem o estratagema da eloqüência assertiva, que precisa ser elevada o suficiente para esconder suas outras características sempre presentes: a lógica subversa, a extrapolação ao gosto do freguês e por cima de qualquer fronteira de razoabilidade e a degeneração da especificidade de conceitos. Essa última característica, aliás, é fundamental ao pseudo-cientista, e é talvez seu traço mais fácil de identificar. Energia, vibração, força, campo... Todos esses conceitos, de difícil e restrita definição na ciência tradicional, tornam-se palavras místicas capazes de justificar qualquer coisa que se queira. Um outro traço comum é a evitação da matemática. A matemática é inerentemente rígida em conceitos, e o único jeito de fazer um uso desvirtuado da matemática seria apresentá-la apenas aos que não a entendem, mas aí o ataque daqueles que a entendem seria mais enérgico e teria uma argumentação mais contundente. Mas cuidado com uma artimanha! O pseudo-cientista faz sempre o melhor que pode... Ciente de que a ausência de matematismos tende a depor contra eles, pseudo-cientistas não tardaram a enfeitar seus livros com formulinhas... ...da ciência tradicional, claro.
Assim, quando falam sobre ondas, acham muito bonitinho escrever que vê é igual a lambda vezes éfe. Parabéns pra eles. Agora uma boa equação para a relação entre freqüência do humor e sucesso no trabalho, mesmo que fosse uma complicada equação vetorial fazendo uso de gradientes e derivadas parciais, que seja, nunca vi. Em resumo: pseudo-cientistas apresentam equações matemáticas da ciência tradicional, mas raramente, ou nunca, apresentam de forma matemática suas idéias particulares, pois isso seria detalhá-las demais e facilitar o trabalho de denúncia de seus abusos. Sem contar que, para seus propósitos dogmáticos, é um passo completamente desnecessário, uma vez que seu público-alvo não quer perder tempo com matemática e sim partir direto para o alívio de alívio de certas carências emocionais e vazios existenciais.
Tantas considerações motivadas pelo post ao qual me referi acima... Então vamos a ele! Numa livre tradução, começa assim:
O estado de meditação pode ser interpretado em termos de entropia. Entropia em física é uma medida da desordem. Eu creio que todos nós temos uma espécie de entropia mental, de uma forma ou de outra.
E termina assim:
No estado desperto, quando a entropia da mente é conscientemente diminuída, existe menos desordem; a mente se torna calma e transparente.
Extendendo a lógica, pode-se dizer que quando a entropia se aproxima de quase zero a mente tende a estar livre de pensamentos. Uma mente livre de pensamentos é livre de distrações e conflitos; e um estado de calma e quietude nos envolve.
Eis outra coisa que eu invejo nos pseudo-cientistas: a cara-de-pau hipócrita com que conseguem dizer asneiras dessa e ao mesmo tempo se deixarem envolver num estado de calma e quietude. Uma coisa é certa, em termos que todos nós aceitamos: pseudo-ciência é ciência de elevada entropia. Medite a respeito...
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Sunday, August 02, 2009
Novos mundos
Quão difícil é achar um pequeno planeta que orbita silenciosamente em torno de uma estrela qualquer, dentre bilhões delas, a muitos anos luz daqui? Para ter uma idéia dessa dificuldade, só mesmo conhecendo os métodos que são usados na empreitada. Uma pequeníssima variação no brilho da estrela, se acontecer periodicamente, pode ser indício da passagem de um planeta na frente da estrela. Problema: o método só serve para o raro caso em que a Terra está contida no mesmo plano que a órbita do planetinha. Outro método: detectar mudanças na velocidade radial da estrela com relação à Terra. Se há um planeta orbitando a estrela, então o centro de rotação do sistema não coincide com o centro de massa da própria estrela, de modo que às vezes ela está se afastando, às vezes se aproximando de nós. Agora a o planeta não precisa mais passar exatamente entre a Terra e a estrela, mas o método é tão menos preciso quanto mais perpendicular for o plano da órbita com relação à nossa linha de visada. E, convenhamos, esta técnica requer uma precisão e tanto!
Tecnicidades do problema à parte, convenhamos: vivemos em uma era em que é realidade a busca por outros planetas. Eles estão sendo catalogados e já somam centenas. Dada a história da vida na Terra, é um privilégio e tanto. Tudo bem que há outras coisas pra se pensar também. Aquecimento global, guerras, ou o Santander que está me cobrando uma fatura enorme de um cartão que nunca usei na vida. Não sei se há vida lá fora. Mas a vida aqui na Terra é bem exótica.
legenda da imagem acima: The discovery Doppler data of the planet orbiting Gliese 436. Doppler measurements of Gliese 436 are shown versus time, during an orbit cycle (2.64 days), obtained at the Keck 1 telescope. The apparent orbital period of the planet is 2.64 days and the mass of the planet is 22.7 Earth-Masses. The discovery was made by the California & Carnegie Planet Search team, described in two published papers by Butler et al. (2005) and Maness et al. (2007) .
Saturday, August 01, 2009
Lapsos da história
"Quando irrompeu a guerra entre os dois países, o corante cáqui usado nos uniformes militares do exército britânico em 1914 vinha de uma fábrica em Stuttgart."
(Em A Escalada da Ciência, de Brian L. Silver.)
Quantas e quantas histórias como essa não devem atestar de forma irônica o quão nocivos são os efeitos da guerra sobre laços que levaram muito tempo para se estabelecer entre gentes e lugares, não é?
Friday, July 31, 2009
Manual de como terminar uma relação rápida

É claro que você pode ter uma conversa franca e clara com a pessoa e dizer "olha, não vai rolar mais, não estou a fim". Mas vai fazer papel de alienígena, além de ser acusado de crueldade e tal. Poucas pessoas lidam bem com a sinceridade.
Por isso empreendi uma extensa pesquisa pela cidade, observando inúmeros casais, entrevistando homens e mulheres chutados e chutadores, e descobri qual é o protocolo oficial do fim de relacionamentos breves em São Paulo: trate bem até o último segundo, mas daí dê uma sumidinha básica, de três dias ou três décadas. Depois, é algo que sempre ficou em aberto e deixará margens a futuras manobras mesquinhas do tipo "não não, quem sumiu foi você!".
...
Ai ai, as pessoas são estranhas, não é? Os gregos eram muito mais sensatos e sábios, certeza!
Wednesday, July 29, 2009
Manifesto contra a seriedade

Há quem diga por aí que eu sou "totalmente miscível": consigo me enturmar com as mais diferentes pessoas. Isso não quer dizer que eu necessariamente goste de todas elas. Descobri que eu realmente não gosto de gente séria. Levou um tempo para que a descoberta fosse feita, porque eu nasci com esse defeito congênito de achar que acho tudo interessante, de demorar para reconhecer minhas próprias rejeições, de ser legal demais. Finalmente, está claro: gente séria eu não agüento.
Alguns ficarão horrorizados com isso, como se eu estivesse defendendo a avacalhação do mundo. E aí já incorrem em um primeiro engano. Não, seriedade e competência são coisas que definitivamente não estão associadas. Há muita gente séria demais na manutenção da própria incompetência, aliás. Posso defender esse ponto de vista de um modo meio filosófico-dogmático ou então neurologicamente mesmo. Qualquer livrinho for dummies sobre mente e cérebro que se acha por aí hoje em dia vai deixar claro que o alicerce da mente é emocional. Aprende-se melhor coisas vividas sob contrastes emocionais do que coisas vistas com indiferença fria.
Além do mais... se é para tratar seriamente de algo, tratemos, e alguém me diga, seriamente: que razão haá para não rir de tudo, desde que não se cause com isso prejuízo aos outros? Note que todas as razões que se podem apresentar aqui são (1) subjetivas e (2) apoiadas no estereótipo da seriedade. Razões como "rir muito é besta", ou "certas gracinhas são meio idiotas" não depõe contra a piada, depõe contra o sério. Dizem apenas "EU sou uma pessoa séria demais para ser feliz assim". Quem diante das opções "rir ou agir séria e rabugentamente" escolhe a segunda opção claramente não consegue colocar o bem-estar pessoal acima das imposições da manutenção de uma falsa imagem perante o mundo. Que sofra com isso até o fim dos dias.
E aqueles que não se contém dentro de toda sua carapacenta seriedade e soltam comentários como "ai, que coisa idiota!" diante de alguém feliz fazendo alguma piadinha ou alguma gracinha? Idiota por que? Qual a razão para não ter sido feliz nesses segundos que se passaram? Muitas vezes, argumentam, a piada não foi original, seguiu a linha de sempre, foi pouco criativa. Ora, eis aqui evidências de um traço que costuma estar muito presente na peçonhenta seriedade: o elitismo estético. Como se só se fosse encontrar prazer ao escrever os que escrevem grandes clássicos. Como se só encontrassem prazer ao cantar os grandes tenores. Como se só encontrassem prazer na pintura os grandes gênios da arte. Por isso é que Nietzsche disse que "a maturidade de uma pessoa consiste em encontrar novamente a seriedade que tinha quando era uma criança a brincar". Uma criança brincando leva a brincadeira muito a sério e com competência, nem por isso com chatice e sem humor.
Não vou rejeitar os chatos seriões da minha vida só porque descobri que os odeio. Vou continuar dando atenção a eles, pois interagir com eles é sempre uma forma de lembrar que há uma boa razão para não ser como eles. E, por outro lado, nunca vi nenhuma boa evidência de que a vida é uma coisa muito séria.
Tuesday, July 28, 2009
Quando casar vale a pena
Calma, calma, não se assustem com o título do post... Não sou um total reacionário contra o casamento. Acho o casamento uma coisa muito boa e saudável, desde que não me envolva. :p
Não não, não era essa a observação... O que eu queria dizer é que o título não se refere ao casamento enquanto o "período casado", mas sim à cerminônia de casamento. Essas sim, que coisas chatas, não é? Bom, não para o pessoal aí do vídeo abaixo:
Não não, não era essa a observação... O que eu queria dizer é que o título não se refere ao casamento enquanto o "período casado", mas sim à cerminônia de casamento. Essas sim, que coisas chatas, não é? Bom, não para o pessoal aí do vídeo abaixo:
Monday, July 27, 2009
O blog do doutor Davanlou
Sunday, July 26, 2009
O poder da crença

O trecho abaixo é uma livre tradução do primeiro capítulo do livro "Born to Believe", de Andrew Newberg e Mark Robert Waldman.
Acreditava-se que o senhor Wright não viveria mais uma noite sequer. Seu corpo estava salpicado de tumores, seu fígado e baço estavam inchados, seus pulmões cheios de líquido, e ele precisava de uma máscara de oxigênio para respirar. Mas quando o senhor Wright ouviu falar que seu médico estava conduzindo uma pesquisa com uma nova droga anti-cancerígena chamada Krebiozen, a qual a mídia estava aclamando como uma potencial cura milagrosa, ele implorou por receber o novo tratamento. Embora fosse contra o protocolo, o doutor Klopfer honrou os desejos do senhor Wright dando-lhe uma injeção da droga, e então deixou o hospital para o final de semana. Quando retornou, na segunda-feira pela manhã, descobriu que os tumores do senhor Wright haviam diminuído para metade do tamanho original, algo que nem mesmo os tratamentos com radiação conseguiriam.
"Bom Deus!", pensou o doutor Klopfer. "Será que finalmente encontramos a bala de prata - uma cura para o câncer?" Infelizmente, o exame dos outros pacientes do teste não mostrou nenhuma mudança. Apenas o senhor Wright havia melhorado. Seria esse um raríssimo caso de melhora espontânea, ou algum outro mecanismo não identificado estaria operando? O médico continuou a dar injeções para seu paciente, e após dez dias praticamente todos os sinais da doença haviam desaparecido. Wright retornou à sua casa em perfeita saúde.
Dois meses depois, o Departamento de Alimentos e Narcóticos emitiu um laudo dizendo que os experimentos com Krebiozen eram comprovadamente ineficazes. O senhor Wright ouviu a respeito destes laudos e imediatamente adoeceu. Seus tumores retornaram, e novamente ele foi internado. Desta vez o doutor Klopfer estava convencido de que tinha sido a crença do paciente na eficácia da droga que o havia curado originalmente. Para testar essa teoria, ele decidiu mentir, dizendo ao senhor Wright que usaria uma "nova droga, super-refinada e de dupla força", que garantidamente levaria a melhores resultados. O senhor Wright concordou em tentar essa "nova versão" do que ele acreditava que havia curado seus tumores anteriormente, mas na verdade o doutor Klopfer deu a ele injeções de água neutralizada.
Uma vez mais, a recuperação do senhor Wright foi espetacular. Seus tumores desapareceram, e ele retornou à vida normal - até que os jornais publicaram um anúncio da Associação Médica Americana com a manchete "Testes Nacionais Comprovam Que o Krebiozen é Uma Droga Completamente Ineficaz Contra o Câncer".
Após ler a notícia, o senhor Wright adoeceu de novo, voltou ao hospital, e morreu dois dias depois. Em um relatório publicado no Journal of Projective Techniques, o doutor Klopfer concluiu que quando o poder das crenças otimistas do senhor Wright foram minadas, sua resistência à doença também desapareceu.
Saturday, July 25, 2009
Diferença significativa
Olá jovenzinhos leitores do primário! Quando a professora de vocês perguntar qual a diferença entre as plantas e animais, não respondam "as plantas fabricam o alimento pela fotossíntese, e os animais têm que comer alimentos já prontos". Hoje em dia, era da internet, qualquer fedelho de 5 anos já viu isso na wikipedia, achou chato, e foi jogar alguma coisa. Surpreenda sua professorinha babaca com algo assim: "Plantas alimentam-se de moléculas de elevada entropia e utilizam a luz do sol para reduzir essa entropia. Animais precisam se alimentar de moléculas de baixa entropia pois não conseguem reduzí-la por meios próprios". Aviso: provavelmente sua professora não vai entender o que você disse, mas a resposta está correta, ok?
Sempre bem humorado.
Galbraith é dos meus autores preferidos. Economista que teve importante papel tanto no meio acadêmico como no meio político, conserva essa importantíssima raridade dentre seus predicados: soube manter o bom humor. Há no mundo pobres almas cegas e capengas que julgam ser o bom humor um defeito da seriedade, quando na verdade o bom humor é a manifestação máxima da liberdade intelectual nos caminhos do raciocínio e na forma de expressá-los, e cuja ocorrência, ao contrário de associar-se a uma deterioração da inteligência, depende intrinsicamente de suas mais aguçadas manifestações. (Talvez eu fique deprimido por pensar ter o bom humor em tão alta conta e dizê-lo de uma forma assim tão chatinha; depõe contra mim.)Este post ocorre apenas porque descobri mais um livro deste notável autor. Um livro que reúne histórias pessoais em torno de figuras ilustres do século XX, como presidentes e outros. O livro é modestamente intitulado "Contando vantagem". O meu eu ganhei de presente da minha querida amiga Camis, e veio com uma dedicatória especial.
Friday, July 24, 2009
Thursday, July 23, 2009
Receita do dia
... SMILE!
"Smile"
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile
If you just...
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you just...
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
If you smile
Through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile...
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile
"Smile"
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile
If you just...
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you just...
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
If you smile
Through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile...
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile
Wednesday, July 22, 2009
Vidas fora de órbita
Que vida os astronautas tiveram depois da famosa viagem à Lua?! Uma breve reportagem da Folha dá uma idéia. Quem estiver interessado em maiores detalhes, pode ir atrás dos livros citados pela reportagem:
"Rocket Man", de Craig Nelson
"Voices From the Moon", de Andrew Chaikin,
"Magnificent Desolation", autobiografia de Buzz Aldrin.
Deve haver uma infinidade de teorias das mais exóticas... Pra mim, as fases conturbadas que todos os astronautas viveram após as missões mostram apenas que embora o treinamento técnico tenha sido rigoroso, não houve grande preocupação com esse lado psicológico referente aos impactos da fama.
"Rocket Man", de Craig Nelson
"Voices From the Moon", de Andrew Chaikin,
"Magnificent Desolation", autobiografia de Buzz Aldrin.
Deve haver uma infinidade de teorias das mais exóticas... Pra mim, as fases conturbadas que todos os astronautas viveram após as missões mostram apenas que embora o treinamento técnico tenha sido rigoroso, não houve grande preocupação com esse lado psicológico referente aos impactos da fama.
Na rua
Ele vai andando, calçada abaixo.
Ela, parada em frente ao salão, nota-o ao longe e aguarda.
Aguarda, e ele chega.
- Toma aqui moço!
Entrega o cartão.
- Tratamento de beleza e limpeza de pele!
Ele toma o cartão.
Seis passos depois, vira-se numa consternada sinceridade:
- Só me diz uma coisa, tá divulgando pra todo mundo ou eu tô precisando muito mesmo?
Ela, parada em frente ao salão, nota-o ao longe e aguarda.
Aguarda, e ele chega.
- Toma aqui moço!
Entrega o cartão.
- Tratamento de beleza e limpeza de pele!
Ele toma o cartão.
Seis passos depois, vira-se numa consternada sinceridade:
- Só me diz uma coisa, tá divulgando pra todo mundo ou eu tô precisando muito mesmo?
Tuesday, July 21, 2009
Repensando as hierarquias
Você já ouviu falar do Dr. Laurence J. Peter? Eu até há pouco não sabia quem era. Agora sei que é o autor do "princípio de Peter" (algo que eu poderia ter deduzido sozinho, sem muito esforço). Reza o tal princípio que um empregado numa dada hierarquia tende a elevar-se até seu nível de incompetência.Há uma intenção bem séria por trás dessa idéia, e muitos artigos acadêmicos e livros já foram escritos em torno dessa inspiração.
O que não podemos deixar de notar, com tudo, são os corolários decorrentes da existência, sempre de um posto supremo numa hierarquia.
Segundo o princípio de Peter, não se pode dizer muito sobre um gerente ou diretor, pois não sabemos ainda se ele vai continuar subindo na carreira. Já um presidente, por não haver posto mais alto, este sim, só pode estar esbanjando incompetência e de nada mais é capaz!
Cá entre nós, nenhuma novidade, né?
Monday, July 20, 2009
As forças do além e nosso lugar no mundo
Por que algo como a ética precisa estar incrustrado nas leis profundas do universo que regem das pedras às nuvens de poeira cósmica por todos os cantos do universo? Por que algo de definição tão abstrata e subjetiva e inerentemente egoísta como "o bem" precisa estar previsto no grande Projeto da Existência?
Sou ateu. Até um tempo atrás, eu diria ser agnóstico. Politicamente correto e cientificamente prudente. Afinal, honestamente, se por um lado não podemos provar a existência de deus, também não podemos provar sua inexistência. Mas decidi pular do muro, e escolhi o lado: ateu declarado.
Mandei às favas a prudência lógica? Bem, ainda que seja muito improvável que uma hipótese surgida em nossa precária cultura com a função de acalmar nossos anseios afetuosos esteja correta acerca da existência de um criador, não, não mandei às favas a prudência lógica. Continuo admimtindo a possibilidade teórica de que exista um deus por aí, de qualquer tipo que seja. Minha escolha pela bandeira ateísta se deve contudo à idéia de que é preferível errar nesse sentido: ainda que eventualmente exista um deus, continua sendo preferível a visão ateísta das coisas.
Se existe um deus por aí, as religiões certamente não estão muito preocupadas com isso. Religiões dizem respeito a valores humanos, a esperanças e carências humanas, e não à interpretação da realidade e ao entendimento das forças superiores, quaisquer que venham essas a ser. Sempre têm mais força nas religiões palavras escritas ou ditas por um homem de importância na mitologia ou hierarquia religiosa do que as manifestações da própria natureza, que, se deus existe, não são outra coisa se não a própria manifestação de deus.
Newton acreditava em deus e escreveu seus Principia buscando entender a obra do criador. Newton nesse sentido foi de uma religiosidade mais sóbria que a de qualquer papa que já vi por aí. Bíblia pra que, se deus está em toda a parte e podemos fussar no mundo e descobrir sua estrutura e seus desígnios?!
Estamos melhor sem deus. Sem deus, a vida está por nossa conta e devemos admitir isso. A felicidade continua sendo desejável pela simples razão de que nos sentimos bem estando felizes e seria estúpido agir contra isso, principalmente se não há uma eternidade pós-vida pra reconsiderar a coisa toda. Desejos abstratos como a paz mundial e o bem de todos continua tendo seu lugar, com bases lógicas, mas sem deus por perto pra receber nossas preces covardes, somos forçados a reconhecer que a concretização ou não desses desejos depende só da gente. E a inexistência de forças sobre-humanas lutando eternidade afora facilita também a tarefa: se há um inimigo, não é o diabo ou um anti-cristo que seja, mas outros homens ocupando o mesmo aqui-e-agora que a gente neste ponto da história. Identificando o inimigo fica mais fácil combatê-lo.
Portanto, se você leva a sério seus valores religiosos, por questões práticas, para obter o melhor desse mundo, deixe de lado sua crença em deus e comece a agir como se só houvesse essa vida para fazer tudo o que interessa. Se deus existir, ele entenderá.
Sou ateu. Até um tempo atrás, eu diria ser agnóstico. Politicamente correto e cientificamente prudente. Afinal, honestamente, se por um lado não podemos provar a existência de deus, também não podemos provar sua inexistência. Mas decidi pular do muro, e escolhi o lado: ateu declarado.
Mandei às favas a prudência lógica? Bem, ainda que seja muito improvável que uma hipótese surgida em nossa precária cultura com a função de acalmar nossos anseios afetuosos esteja correta acerca da existência de um criador, não, não mandei às favas a prudência lógica. Continuo admimtindo a possibilidade teórica de que exista um deus por aí, de qualquer tipo que seja. Minha escolha pela bandeira ateísta se deve contudo à idéia de que é preferível errar nesse sentido: ainda que eventualmente exista um deus, continua sendo preferível a visão ateísta das coisas.
Se existe um deus por aí, as religiões certamente não estão muito preocupadas com isso. Religiões dizem respeito a valores humanos, a esperanças e carências humanas, e não à interpretação da realidade e ao entendimento das forças superiores, quaisquer que venham essas a ser. Sempre têm mais força nas religiões palavras escritas ou ditas por um homem de importância na mitologia ou hierarquia religiosa do que as manifestações da própria natureza, que, se deus existe, não são outra coisa se não a própria manifestação de deus.
Newton acreditava em deus e escreveu seus Principia buscando entender a obra do criador. Newton nesse sentido foi de uma religiosidade mais sóbria que a de qualquer papa que já vi por aí. Bíblia pra que, se deus está em toda a parte e podemos fussar no mundo e descobrir sua estrutura e seus desígnios?!
Estamos melhor sem deus. Sem deus, a vida está por nossa conta e devemos admitir isso. A felicidade continua sendo desejável pela simples razão de que nos sentimos bem estando felizes e seria estúpido agir contra isso, principalmente se não há uma eternidade pós-vida pra reconsiderar a coisa toda. Desejos abstratos como a paz mundial e o bem de todos continua tendo seu lugar, com bases lógicas, mas sem deus por perto pra receber nossas preces covardes, somos forçados a reconhecer que a concretização ou não desses desejos depende só da gente. E a inexistência de forças sobre-humanas lutando eternidade afora facilita também a tarefa: se há um inimigo, não é o diabo ou um anti-cristo que seja, mas outros homens ocupando o mesmo aqui-e-agora que a gente neste ponto da história. Identificando o inimigo fica mais fácil combatê-lo.
Portanto, se você leva a sério seus valores religiosos, por questões práticas, para obter o melhor desse mundo, deixe de lado sua crença em deus e comece a agir como se só houvesse essa vida para fazer tudo o que interessa. Se deus existir, ele entenderá.
Friday, July 17, 2009
O mais humano dos anseios

Em 1916 um marinheiro britânico viu uma garrafa boiando no Atlântico Norte. Recolheu-a, abriu-a e leu a última mensagem enviada do Lusitania antes de seu afundamento, com 1.198 passageiros a bordo: "Ainda no convés, com umas poucas pessoas. Os últimos já partiram. Estamos afundando depressa. A orquestra continua a tocar, bravamente. Alguns homens perto de mim estão rezando com um padre. O fim está próximo. Talvez este bilhete seja..." E terminava aí.
O Lusitania, bem o sabe esta vasta internet, foi torpedeado no correr do sétimo dia de maio de 1915. Afundou em meros 18 minutos, próximo ao litoral sul da Irlanda. Dezoito minutos entre a explosão e o afundamento, e alguém procura uma garrafa e deixa uma mensagem...
No famoso mito da caverna, presente na obra "A República", de Platão, o chocante não é a descoberta de que há um mundo além do mundo de sombras... O perturbador é que o sortudo que faz essa descoberta decide voltar à caverna e tentar convencer todos os outros de que há mais no mundo, por mais impossível que seja a tarefa...
Há algo mais humano do que esse desejo de comunicar ao outro? Ainda que além de todas as possibilidades, ainda que além da nossa própria existência? Nossa voz parece carregar em si um pouco de nossa própria vida, eis que uma garrafa jogada ao mar salva um pouco o náufrago, ainda que a água esteja subindo rápido demais.
As companhias....
Há tempos não escrevo nada aqui sobre o Adrianismo, e há um tema muito importante no momento: a importância das companhias certas. Vamos lá:
1.Antes só que mal acompanhado. Todo mundo sabe. Mas repare que há pessoas tão chatas que, sozinhas, já estão mal acompanhadas! Evite-as.
2.Se você não for o tipo de chato mencionado acima, repare que sozinho já está bem acompanhado! Aproveite ao máximo.
3.Às vezes tá tudo bem. O ambiente é acolhedor. A comida é boa. A temperatura é agradável. E não se suporta mais... Às vezes o ambiente é uma nuvem de poeira e pó que invade os poros, não há móveis, a comida é pouca e fria, venta pelas janelas um ar gélido, e você está fazendo um trabalho braçal sem ganhar um tostão. E sabe que está vivendo os melhores dias do ano!
4.Crianças são sempre válidas.
5.Coisas inusitadas se escondem nos lugares menos imagináveis... Fale com as pessoas, ou perca os segredos pra sempre!
6.É preciso se expor a loucuras diferentes pra visualizar com mais clareza as próprias.
1.Antes só que mal acompanhado. Todo mundo sabe. Mas repare que há pessoas tão chatas que, sozinhas, já estão mal acompanhadas! Evite-as.
2.Se você não for o tipo de chato mencionado acima, repare que sozinho já está bem acompanhado! Aproveite ao máximo.
3.Às vezes tá tudo bem. O ambiente é acolhedor. A comida é boa. A temperatura é agradável. E não se suporta mais... Às vezes o ambiente é uma nuvem de poeira e pó que invade os poros, não há móveis, a comida é pouca e fria, venta pelas janelas um ar gélido, e você está fazendo um trabalho braçal sem ganhar um tostão. E sabe que está vivendo os melhores dias do ano!
4.Crianças são sempre válidas.
5.Coisas inusitadas se escondem nos lugares menos imagináveis... Fale com as pessoas, ou perca os segredos pra sempre!
6.É preciso se expor a loucuras diferentes pra visualizar com mais clareza as próprias.
Tuesday, July 14, 2009
Wednesday, July 08, 2009
Saturday, July 04, 2009
Ponderações maternas
"Meu filho tem uma sorte danada de eu ser a mãe dele. Eu não tive a mesma sorte!"
Michele, mãe e sábia.
Michele, mãe e sábia.
Thursday, July 02, 2009
Mais do Bobby
Ó... seguinte. Se alguém souber de algum vídeo do Bobby McFerrin bêbado, por favor me mande... se ele normal já é assim, como mostra o vídeo abaixo... bêbado então, imaginam só?!?!?!?!?
Friday, June 26, 2009
Músicas tradicionais
Tenho uma amiga chamada Olga. Olga mesmo. E ela é grega. Grega, vejam só... Ela tinha certeza que eu conhecia a música abaixo. Nunca tinha ouvido nem falar! Mas ela me disse: "achei que todas as pessoas do mundo quando pensavam na Grécia, pensavam nessa música!". Bom, agora vai ficar mais fácil pra vocês não contrariarem a Olga:
Tuesday, June 23, 2009
Apple: o diabo à espreita...
Não entendeu? Leia mais aqui.
O legal é que o "i" em iPod e afins é abreviação de "inferno" numa língua em que inferno se escreve com "h"... sensacional!
Há mais um detalhe pitoresquíssimo no texto, mas não quero estragar a surpresa...
Religião... bem aventurados os que passam longe!
O legal é que o "i" em iPod e afins é abreviação de "inferno" numa língua em que inferno se escreve com "h"... sensacional!
Há mais um detalhe pitoresquíssimo no texto, mas não quero estragar a surpresa...
Religião... bem aventurados os que passam longe!
Thursday, June 18, 2009
Ponto final

Um Pronome Possessivo entrou hoje aqui em casa, atordoado, um tanto quanto fora de si, e amarrou-me à cadeira. Ao menos eu estava na sala, mas infelizmente a televisão estava ligada. Chamei um Advérbio que casualmente estava ali adjunto. Ele nem me deu ouvidos, não tinha modos!
O Pronome queria saber, a qualquer custo, se eu era o sujeito que andava tentando alguma interjeição com a mulher dele. Disse que não e lembrei-o de que não haviam provas concretas.
Começou a rolar o maior escândalo. Todos gritando na minha sala. O Pronome ameaçou quebrar minha coleção de vírgulas. Você não teria coragem de fazer isso, bradei. Aposto que sim, irrompeu o Advérbio. Aquilo tudo era injusto. Insano. Um pesadelo.
Liguei pro Houaiss e ele disse que não faria nada a respeito, estava ocupado catalogando modos atípicos de se dizer "aipim" numa cidadezinha às margens da Chapada Diamantina. Droga.
Tirei da bainha uma exclamação, ameacei todo mundo e fugi.
Voltei anos depois, e minha casa estava abandonada. Cresciam gírias por todo o jardim, até na escada. E à porta, apenas umas reticências.
Monday, June 15, 2009
Frases...
"Experience is the lesson you learn right after you really need it."
E da série Cientistas Sociais Piadistas:
"Estudar Lévi-Strauss me dá um Lévi-Stress."
E da série Cientistas Sociais Piadistas:
"Estudar Lévi-Strauss me dá um Lévi-Stress."
Friday, May 29, 2009
Inveja
Acabei de ler este artigo no Estadão sobre Andrej Raider, um russo que está andando a pé pelo mundo e acaba de chegar a São Paulo. Estou com inveja.
Thursday, May 28, 2009
Sunday, May 24, 2009
Wednesday, May 20, 2009
Brasov
No meio de tanta confusão que estou vivendo recentemente, aí vai um jeito de garantir uns bons minutinhos de distração. O som e o humor de Brasov:
Monday, May 18, 2009
Iniciativa comunitária
Meu amigo Marcos Caldo é uma pessoa de sorte, por várias razões. Uma delas é que ele mora em um apartamento a 2 minutos da Av. Paulista - a pé!
Não contente com tamanha comodidade, resolveu tomar iniciativas para a melhoria da região. Fundou um blog para reunir a comunidade em torno dos interesses locais, o Ilha Paulista. A idéia é reunir moradores e frequentadores da região para discutirem problemas diversos, como lixo da região, conservação da infra-estrutura, convívio dos moradores com o barulho e sujeira das casas noturnas da região, questões culturais...
O volume e variedade de pessoas que frequentaram a primeira reunião do grupo, e a presença de autoridades governamentais da cidade confirmada para a segunda são provas de que a iniciativa dará resultados muito positivos!
Friday, May 15, 2009
US$ 326 milhões e o barraco demolido
Sobre o post anterior, saiu também notícia no Estadão.
O total arrecadado por Slumdog Millionaire foi de US$326 milhões.
Um dos principais atores mirins do filme teve o barraco demolido e está sem onde morar, vivendo sob promessa da prefeitura de "realojá-los".
Os responsáveis pelo filme disseram que criaram um fundo de ajuda às crianças, mas não querem divulgar o valor do fundo temendo que as crianças sejam "exploradas".
Aí até eu sou obrigado a admitir que bom humor nem sempre é apropriado...
O total arrecadado por Slumdog Millionaire foi de US$326 milhões.
Um dos principais atores mirins do filme teve o barraco demolido e está sem onde morar, vivendo sob promessa da prefeitura de "realojá-los".
Os responsáveis pelo filme disseram que criaram um fundo de ajuda às crianças, mas não querem divulgar o valor do fundo temendo que as crianças sejam "exploradas".
Aí até eu sou obrigado a admitir que bom humor nem sempre é apropriado...
A vida imita a arte?
Ao que andei vendo nuns jornais por aí, aquelas jovens crianças que trabalharam no filme "Quem quer ser um milionário?", nas cenas iniciais, continuam vivendo em favelas. Segundo vi há pouco no Jornal da Globo, uma das crianças teve ainda o barraco demolido, pois ele estava irregular. O filme foi um sucesso estrondoso e arrecadou milhões de dólares.
Saturday, May 09, 2009
Tortuoso caminho entre as montanhas

Como o cérebro de humanóides primitivos foi aumentando de tamanho ao longo do tempo geológico até chegar ao design do homem moderno? Para responder esta interessante questão Sergey Gavrilets e Aaron Vose, da Universidade do Tennessee, adotaram a abordagem da simulação computacional. Nada melhor do que simular uma população de 50 a 150 indivíduos (tamanho compatível com grupos de hominídeos do passado, até onde sabemos). A simulação que os dois fizeram leva em conta evolução genética (orientando, primordialmente, o tamanho e a capacidade cerebral), bem como a evolução memética (evolução cultural de um conjunto de idéias, que é limitada pela capacidade cerebral).
Uma das observações interessantes do estudo é que num primeiro momento qualquer aumento da capacidade cerebral em humanóides primitivos é anti adaptativo! Isso porque uma capacidade cerebral maior justifica-se apenas na eventual ocorrência de memes vantajosos, mas não há a menor razão para supor que o sumples surgimento de um cérebro como uma capacidade marginal melhorada implicará na ocorrência de algum meme benéfico. Somos assim confrontados com um fato da natureza: a evolução não opera jamais sobre um ótimo local. Os pontos em que as populações são evolutivamente estáveis apresentam sempre uma distribuição em torno do ótimo. Ou seja, inicialmente, os humanos com cérebros maiores tratavam-se de um distanciamento do ótimo evolutivo, não de uma marcha em direção a ele, e foi só por conta de um outro evento completamente inesperado e imprevisível (a ocorrência de memes vantajosos) que cérebros maiores mostraram-se uma vantagem adaptativa.
É preciso ter em mente que esta é uma explicação por demais simplificada. Não faz sentido pensar em cérebros maiores como "computadores mais potentes" a espera de softwares melhores para executar. No mundo real, cérebros maiores poderiam conferir vantagens aos "softwares" já implementados em nossa mente, principalmente aos relacionados com o convívio social e memória (onde foram vistos predadores, onde foi encontrada água da última vez, etc).
De qualquer modo, por simplificado que seja, o artigo de Gravilets e Vose mostra que o surgimento de cérebros avantajados no Homo sapiens representa um processo de migração de um "máximo evolutivo", um ponto em que um design ótimo, por assim dizer, encontra-se estabelecido, para um outro ponto completamente distinto onde uma estratégia diferente passa a ser predominante.
Um outro ponto que serve de interessantíssimo ponto de partida para discussões sobre nossa sociedade atual:
However, the complexity of memes present in the population does not increase but, on the contrary, decreases in time (data not shown). This happens as a result of intense competition among memes: whereas complex memes give advantage to individuals on a longer (biological) time scale, they lose competition to simpler memes on a shorter (social) time scale.
Saindo do modelo simplificado e pensando no nosso mundo, as questões são: até onde a cultura geral da sociedade pode evoluir? Há limites para o quanto é possível difundir um bom sistema educacional? Nossa evolução científica e cultural estaria condenada a algum regresso incontornável após atingir algum "máximo" num determinado momento? Ou continuaria a cultura da sociedade como um todo a evoluir porém com a cultura dos indivíduos, tomados um a um, tendendo a regredir? Ou seja, nossas "forças cognitivas" passariam a se alojar cada vez mais nas estruturas institucionais e cada vez menos nas habilidades individuais de determinados experts? O artigo não faz esse salto analítico, que é meramente filosófico, especulativo, e muito difícil de ser abordado quantitativamente. Mas que são questões interessantes, isso são!
Outros grifos do artigo:
The negative effect of the number of loci L on the characteristics of cognitive abilities is explained by the fact that more loci means weaker selection on each individual locus and, thus, weaker evolutionary response. - Talvez esse efeito seja facilmente verificável nos algoritmos de projeto genético que estou habituado a utilizar para projetos de Navios ou Aviões. É uma justificativa para manter o número de parâmetros de projetos tão pequeno quanto possível, a fim de acelerar a convergência à solução final.
[...] throughout most of human history, success in social competition translated into reproductive success with the most powerful men enjoying a disproportionate share of women and offspring [...] [A]s the extent to which social success translates into reproductive success declines in modern societies, cognitive abilities are expected to be significantly reduced by natural selection. We also expect that as the number of memes in the population dramatically increases, learning ability will decrease further (because given a sufficiently large exposure to memes, they will be learned even by individuals with relatively low learning abilities) - Penso imediatamente na Luciana Gimenez, o que talvez implique que esse processo já vem se desenrolando há algum tempo...
Quem quiser ver o artigo no PNAS, é só clicar aqui.
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Memes
Friday, May 08, 2009
Quem leva?
Nas fofocas da internet:
Surpresa entre os inscritos no Prêmio SP de Literatura: José Saramago. Disputa R$ 200 mil com Paulo Coelho, Mário Prata e Maitê Proença.
... foi por dinheiro?
Surpresa entre os inscritos no Prêmio SP de Literatura: José Saramago. Disputa R$ 200 mil com Paulo Coelho, Mário Prata e Maitê Proença.
... foi por dinheiro?
Prioridades!
Um anônimo (sempre eles!) deixou hoje um comentário no Estadão sobre a gripe suína e tal. O comentário terminava com uma observação fundamental:
A propósito, li em um site, hoje, a expressão "rebanho de porcos". Na verdade, trata-se de "vara de porcos". Segundo o dicionário vara é: manada de porcos, porcada! Houaiss, por derivação de sentido exemplifica "rebanho de suínos", na acepção de animais de corte.
Aposto que sobre isso nossas autoridades também não estão lá bem informadas...
A propósito, li em um site, hoje, a expressão "rebanho de porcos". Na verdade, trata-se de "vara de porcos". Segundo o dicionário vara é: manada de porcos, porcada! Houaiss, por derivação de sentido exemplifica "rebanho de suínos", na acepção de animais de corte.
Aposto que sobre isso nossas autoridades também não estão lá bem informadas...
Thursday, May 07, 2009
Mercosul
Inédito:
Estava no metrô e o maquinista anunciou o nome da próxima estação...
... com sotaque espanhol!
Estava no metrô e o maquinista anunciou o nome da próxima estação...
... com sotaque espanhol!
Da metafísica dos centrinhos
Ouvi hoje nos corredores da Poli:
- É que CMR não tem nenhuma vogal, por isso eles não tem nenhum time!
Eu, preocupado que sou com essas coisas, nem sei se o CMR tem ou não algum time de alguma coisa.
Mas que a lógica da coisa me impressionou, sem dúvida!
- É que CMR não tem nenhuma vogal, por isso eles não tem nenhum time!
Eu, preocupado que sou com essas coisas, nem sei se o CMR tem ou não algum time de alguma coisa.
Mas que a lógica da coisa me impressionou, sem dúvida!
Wednesday, May 06, 2009
Da relatividade das circunstâncias...
O protagonista de 'Wolverine' falou ainda sobre o "título" de "homem mais sexy do mundo". "Teria sido mais útil quando eu tinha 21 anos".
Pobre milionário-galã-casado...
Pobre milionário-galã-casado...
Tuesday, May 05, 2009
Gripe suína é o de menos....
Porque medo os americanos têm que ter é de mexer com o mexicano errado. E ao que tudo indica, não é uma gripezinha à toa que vai atrapalhá-lo... Com vocês, Machete:
Dica: Outro
Dica: Outro
Monday, May 04, 2009
A atração inesperada

Relutei o quanto pude: não havia porque aceitar entrar num dos cinemas-inferninhos do centro pra ver um filme de zumbi. Ainda mais na virada cultural. Meu amigo, o Outro, realmente devia estar com um parafuso solto. Ainda mais acontecendo por toda a parte a Virada Cultural, com centenas de atrações. Shows, apresentações de todas as espécies... Por que perder tempo vendo um filme de zumbi?
Acabei indo, já que era a decisão de todos. Assistimos DellaMorte, DellAmore.
Surpresa.
Embora faça uso de todas as coisas manjadas desses filmes (defuntos que voltam à vida, cemitério, pessoas horrendas, lua cheia...), o filme dança sobre a noção de limites da vida para traçar um profundo retrato dos sentimentos humanos. Até aonde vão nossos vínculos? Quando terminam nossos sonhos? Até que ponto valorizamos nossa própria vida acima de tudo, acima daqueles a quem amamos?
Tá, tô mentindo, inventando: o filme era uma porcaria sem limites. Tosco, qualquer criança dava conta de um roteiro daquele.
E os diálogos então?
A morta-viva vem atrás do coveiro-bonitão:
- Você disse que nem a morte nos separaria, meu amor!
- Não podemos mais ficar juntos! Você está morta e eu ainda estou vivo.
- Não sou preconceituosa!
Que poético, que poético.
Ainda assim, foi uma das minhas melhores experiências cinematográficas.
Como isso é possível?
O cinema inteiro parecia uma torcida de time de futebol. Vibrava junto com o filme, ria, xingava, sempre em uníssono, com uma energia e entusiasmo que nunca vi antes...
A viúva gostosa xavecava o coveiro bem em cima da cova do seu ido marido, Augusto. Ao começarem os beijos e amassos, Augusto dá sinais de que vai sair da cova. Sempre com a clássica mãozinha fúnebre abrindo caminho pela terra. E o cinema inteiro, em coro:
- ÁU-GUS-TÔ! ÁU-GUS-TÔ, ÁU-GUS-TÔ!
E ele por fim irrompia de volta à superfície.
- AEEEEEEEEEE!! CLAP! CLAP! CLAP! CLAP!
Teve um cara, eu vi, que aplaudiu de pé.
Friday, May 01, 2009
Fim de século
Letra de: Língua de Trapo
Fim de século é a Madonna
É um CD do Philip Glass
É ter nostalgia do Yes
Fim de século é o Homem-Gabirú
O urso da Ciciolina
E o McDonald's na China
Fim de século é simplesmente fim de século
Não é pobreza não é opulência
Não é religião nem é ciência
O negócio é criar um tipo, a paixão está perdida
Imunodeficiência adquirida
Fim de século, caiu o muro de Berlim
O Leste não é mais vermelho
Fim do século é ler
Paulo Coelho
Fim de século é a Madonna
É um CD do Philip Glass
É ter nostalgia do Yes
Fim de século é o Homem-Gabirú
O urso da Ciciolina
E o McDonald's na China
Fim de século é simplesmente fim de século
Não é pobreza não é opulência
Não é religião nem é ciência
O negócio é criar um tipo, a paixão está perdida
Imunodeficiência adquirida
Fim de século, caiu o muro de Berlim
O Leste não é mais vermelho
Fim do século é ler
Paulo Coelho
Thursday, April 30, 2009
A máquina definitiva
Uma invenção que rompe as fronteiras da mecatrônica e leva a civilização a um novo patamar. Veja por você:
Tá sem assunto?
Uma boa conversa fiada, como tudo aquilo que não é útil nem metabólica nem financeiramente, porém é legal, é fundamental para uma existência completa.
Mas não basta ter uma quedinha por um lero-lero qualquer. Estilo também é importante. Eis um exemplo. Antonio Bivar, passeando por Paris, encontrou um amigo.
Sentados no Flore, conversamos de futilidades; e como sou o único que não conhece a cidade, me sinto assim meio que maladroit. Na falta do que perguntar, pergunto: -E o existencialismo?
Trecho de "Verdes vales do fim do mundo", de Antonio Bivar.
Mas não basta ter uma quedinha por um lero-lero qualquer. Estilo também é importante. Eis um exemplo. Antonio Bivar, passeando por Paris, encontrou um amigo.
Sentados no Flore, conversamos de futilidades; e como sou o único que não conhece a cidade, me sinto assim meio que maladroit. Na falta do que perguntar, pergunto: -E o existencialismo?
Trecho de "Verdes vales do fim do mundo", de Antonio Bivar.
Monday, April 27, 2009
Entre mortos e vivos
Sempre acho curiosidades notáveis no Blog do Guterman, do Estadão. E essa aqui vale ser reproduzida:
A tradição chinesa manda que os cadáveres estejam íntegros para as cerimônias fúnebres, por causa da relação com os antepassados, e isso dificulta sua doação para pesquisa. Mas, na faculdade de medicina de Tzu Chi, em Taiwan, há corpos suficientes até mesmo para distribuir a outras escolas. O motivo é curioso: em Tzu Chi, os cadáveres são tratados com respeito religioso, o que convence os familiares dos mortos a doá-los.
Primeiro, os alunos que vão trabalhar nos cadáveres devem conhecer os parentes do falecido e saber detalhes da vida dele. A partir dessas informações, os estudantes montam uma grande homenagem ao morto, que será feita nas dependências da escola, com a presença dos familiares. O cadáver é considerado o “principal professor” dos alunos.
Para ler o post completo, clique aqui.
A tradição chinesa manda que os cadáveres estejam íntegros para as cerimônias fúnebres, por causa da relação com os antepassados, e isso dificulta sua doação para pesquisa. Mas, na faculdade de medicina de Tzu Chi, em Taiwan, há corpos suficientes até mesmo para distribuir a outras escolas. O motivo é curioso: em Tzu Chi, os cadáveres são tratados com respeito religioso, o que convence os familiares dos mortos a doá-los.
Primeiro, os alunos que vão trabalhar nos cadáveres devem conhecer os parentes do falecido e saber detalhes da vida dele. A partir dessas informações, os estudantes montam uma grande homenagem ao morto, que será feita nas dependências da escola, com a presença dos familiares. O cadáver é considerado o “principal professor” dos alunos.
Para ler o post completo, clique aqui.
Sunday, April 26, 2009
Dizem por aí...
Minha irmã achou em algum canto da internet:
Adriano: Significa o que veio da região da Abria e indica uma pessoa muito ativa mas que costuma oscilar entre os interesses imediatos e os ideais de longo prazo, e isso lhe acarreta dilemas constantes.
Adriano: Significa o que veio da região da Abria e indica uma pessoa muito ativa mas que costuma oscilar entre os interesses imediatos e os ideais de longo prazo, e isso lhe acarreta dilemas constantes.
Thursday, April 23, 2009
Som "sussa"
Tava vendo o clipe dos caras... bateria marcando a música, de boa... guitarras com notas longas, pra relaxar mesmo... De repente, um baixo acústico. Opa, algo diferente aí! E, não bastando, um clarinete! A estrutura musical é bem tranquila, ótima música de fundo pra ficar curtindo timbres diferentes e espairecer um pouco. Hurtmold é a banda, e o myspace dos caras tá aqui.
Wednesday, April 22, 2009
Miséria serendipitosa

Como Nova York estava cheia de mendigos! Os mais agressivos que eu já tinha visto na vida! Bêbados ou não, agarravam as pessoas, olhavam-nas nos olhos e, vociferantes, obrigavam-nas a lhes dar o que elas não tinham como era o meu caso. Havia um mendigo, o tal da esquina da 23 com a Sétima, que sempre me agarrava. Depois de dois dias, já um pouco mais treinado, bastava vê-lo vindo em minha direção para eu ir logo bradando "FUCK OFF!" (NÃO FODE!). Um dia, em que não só a temperatura mas também minha moral estavam bem abaixo de zero, eu ia andando distraído quando senti alguém me agarrando pelo braço: era ele. Queria porque queria um dime. Baixei os olhos, deprimido. Ao fazê-lo, vi uma nota de cinco dólares aparecendo sob meu pé direito. O mendigo também viu. Mais que depressa apanhei a nota. Aí começamos uma discussão a respeito de quem devia ficar com a nota: se eu, porque ela fora achada sob o meu sapato, ou se ele, porque se ele não tivesse me segurado eu teria continuado meu caminho, passando pela nota sem vê-la. Comecei a ficar constrangido com o círculo de pessoas que foi se formando à nossa volta. Tive uma rápida presença de espírito e decidi repartir os cinco dólares com ele. Entrei numa farmácia e troquei a nota: dei dois dólares ao mendigo e fiquei com três. Afinal, éramos irmãos na miséria.
Antonio Bivar, em Verdes vales do fim do mundo (número 282 do catálogo da L&PM Pocket).
Monday, April 20, 2009
Sunday, April 19, 2009
ISSO é positivo!
Infelizmente estou longe de estar tão atualizado sobre questões políticas como eu gostaria, e me faltam muitas informações para tecer críticas decentes a respeito do polêmico Chávez. Mas uma coisa ele fez que é louvável: deu de presente para ninguém menos que o presidente Barack Obama um livrinho entitulado As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano. O livro disparou nas vendas da Amazon.
Dar Galeano de presente, a quem quer que seja, é louvável. Fazer com que milhares de outras pessoas descubram o autor é, então, espetacular!
Comentários da Folha sobre o ocorrido, aqui.
Thursday, April 16, 2009
O que fazer com o tempo livre?
Tá, reconheço que a pergunta é ampla demais. Então reformulo: Suponha que você tem um monte de ovelhas, um monte de lâmpadas de natal, e um pasto bem grande. Agora sim: o que fazer com o tempo livre? Aqui vai uma sugestão:
Dica: Patrick
Dica: Patrick
Tuesday, April 14, 2009
Mundo cão

Ainda não decidi qual é a melhor parte dessa estupenda novidade: o novo cãozinho da casa branca, Bo. Vários itens são fortes candidatos a destaque da vez:
1)Vários jornais terem destacado que o cão "tem pêlo preto mas também partes brancas"?
2)Obama ter dito ao Jay Leno que providenciaria sim um cachorro às filhas, pois tinha sido uma "promessa de campanha"?
3)Imaginar que o colarzinho havaiano que Bo usa na foto tanto divulgada logo será moda por aí?
4)Ver Bo ser anunciado ao mundo como "o Primeiro-Cão" do governo norte-americano?
O que importa mesmo é que sem sombra de dúvidas esse cãozinho terá índices de aprovação maiores que Bush...
Sunday, April 12, 2009
Caminhos da História

As cartas que eram enviadas à Europa no início do século XVI narrando os feitos de Hernan Cortez, em sua conquista do que hoje é o México, poderiam muito bem ser uma peça cômica de segunda categoria, não fosse o pequeno detalhe de retratarem fatos reais. Abaixo, um trecho da carta escrita em Vila Rica de Vera Cruz, a 10 de julho de 1519:
No outro dia pela manhã, vieram até nós alguns índios em uma canoa. Trouxeram milho e algumas galinhas e disseram para que pegássemos aquilo e nos fôssemos de suas terras. O capitão [Hernan Cortez] disse que de nenhuma maneira partiria sem saber o segredo daquela terra, para poder fazer um relato verdadeiro a vossas majestades. Eles reiteraram para que não nos atrevêssemos a entrar em seu povoado e foram embora. Logo que saíram, Cortez determinou a um de seus homens que juntasse duzentos outros e seguisse por um caminho que à noite anterior havíamos visto que dava naquele povoado. Enquanto isso, o capitão embarcou com outros oitenta homens nos bergantins e mais uma vez nos receberam em posição de guerra, apontando suas flechas e mandando que nos fôssemos. Depois de haver requerido por três vezes permissão para descer, o capitão rogou o testemunho do escrivão de vossas altezas reais que consigo levava, dizendo que não queria a guerra, mas diante da determinada vontade dos índios mandava soltar os tiros de artilharia. Com a proteção dos disparos de fogo saltamos a terra e prendemos alguns índios, embora tenham ferido alguns dos nossos. E com o ataque pela retaguarda do batalhão que Cortez mandou pelo caminho que levava ao povoado, dominamos a situação. Os índios fugiram e nós tomamos o povoado, tendo nos instalado na parte que parecia mais forte. No outro dia, como aconteceu na véspera, vieram dois índios, trazendo algumas jóias de ouro, muito delgadas e de pouco valor, e disseram que fôssemos embora, deixando-os em sua terra como antes estavam, sem fazer-lhes mal. O capitão respondeu que, quanto a não lhes fazer mal algum, isto o deixava muito contente, porém, quanto ao deixar a terra, deveriam saber que dali em diante tinham por senhores aos maiores príncipes do mundo, dos quais se tornavam vassalos e aos quais deveriam servir. E se fizessem isso, vossas majestades lhes prestariam muitos favores, amparando-os e ajudando-os a se defenderem de seus inimigos. Eles ficaram muito contentes com isto, mas insistiram em que deixássemos a terra. E assim nos tornamos todos amigos.
NOTA: Após esse surpreendente desfecho, "e assim nos tornamos todos amigos", seguiu-se uma batalha que matou ao menos duzentos e vinte nativos e nenhum dos homens de Cortez. Desses, vinte ficaram feridos, e nada mais. Agora sim, assombrados com os cavalos e com as armas de fogo, desnorteados por perderem tantos dos seus, os índios se sentiram desencorajados a pedir a retirada dos homens de Cortez daquelas terras. E assim se tornaram todos "amigos".
REFERÊNCIA: As Cartas de Relatos de Hernan Cortez estão publicadas pela L&PM sob o título A Conquista do México, sendo este livro o número 450 do catálogo da editora.
Saturday, April 11, 2009
Segredos da cidade
De uma série de reportagens especiais do Estadao:
CEAGESP - O endereço dos alimentos
Manutenção das lâmpadas na cidade
O caminho da água: dos mananciais às torneiras
Achados e perdidos no Terminal Tietê
Relógios da cidade
Nos bastidores da catedral
Os restaurantes Bom Prato
Depois da última estação: manutenção e limpeza no metrô
Zoológico: 4 toneladas de comida por dia
Ilha do Bororé: uma balsa dentro de São Paulo
CEAGESP - O endereço dos alimentos
Manutenção das lâmpadas na cidade
O caminho da água: dos mananciais às torneiras
Achados e perdidos no Terminal Tietê
Relógios da cidade
Nos bastidores da catedral
Os restaurantes Bom Prato
Depois da última estação: manutenção e limpeza no metrô
Zoológico: 4 toneladas de comida por dia
Ilha do Bororé: uma balsa dentro de São Paulo
Friday, April 10, 2009
O apego
Toda semana Elisa recebe, em seu consultório, Carla, jovenzinha miúda, criança. Carla é dispersa, por vezes briguenta, arredia. Mas com crianças o divã simplesmente não funciona. É preciso brincar com elas, para que sintam-se à vontade, percebam algum laço de amizade e desatem a falar as pistas nevoadas de seu mundo interior. E elas brincavam, e brincavam, e lá se ia a hora da consulta. Ao ir embora, todas as vezes, Carla pedia algo emprestado. Um porta-canetas. Um bloquinho. Um enfeitezinho que estava na parede. Elisa emprestava. Semanas iam passando, e os objetos se revezando. Sempre voltavam: "é só emprestado, pode?".
A curiosidade foi crescendo em Elisa, dividindo-se em problemáticas acadêmicas e mistérios transcendentes. Não consultou as páginas dos saberes convencionais dos criativos pensadores introspectivos. O que explicaria aquele rascunho de cleptomania? Que simbologia estaria por trás daquela impulsiva apoderação do alheio, que sempre se arrependia? Perguntou direto à Carla:
- Menina, por que você sempre pede pra levar alguma coisa emprestada?
- É pra eu ter que voltar!
Thursday, April 09, 2009
Enquanto isso no mercado informal

Fernando está todos os dias pelo centro da cidade, nas cercanias do Teatro Municipal. Ele e sua banquinha de óculos de sol. São diversos modelos que ele anuncia por R$20,00 mas se dispõe a vender até por R$10,00, pra não perder o negócio. Tempos atrás, ia ele contando, faturava-se de R$400,00 a R$450,00 num dia. Isso era Outubro, Novembro, lá em 2008. Hoje em dia tá girando entre R$100,00, R$150,00. "É a crise", explica Fernando. "As pessoas estão segurando, não estão gastando. Tem gente ficando sem emprego. Não tão gastando mais com essas coisas, sabe? O ruim é que o preço do aluguel continua o mesmo!"
Isso se não aumentar, né?
Afinação: teoria e técnica

Estou com vários problemas, vários. O Lá Sustenido ama o Si e odeia o Lá. Tanto é que fica pertinho pertinho do Si, e não há quem o faça mudar de idéia. Subindo mais um pouco, no registro médio (cujo nome certo já me foi apresentado, mas foge da memória nessas horas estranhas da manhã), está o Mi. Mas o Mi não está onde deveria estar. Ele está inseguro, retraído, tímido. Pobre Mi.
E pior: pensei em mandar o clarinete para um lugar onde poderiam dar um jeito nisso:
- Não vamos mexer na afinação sem antes dar uma olhada no sapatilhamento. De repente é o sapatilhamento que está ruim e aí...
Ponto importante: orçaram em R$600,00 a manutenção. Sem chance.
MAS: encontrei um excelente artigo sobre afinação de clarinetes... De repente eu consigo até eu mesmo aprender a dar um jeito nisso. Se não for esse o caso, ainda assim é um ótimo artigo para entender um pouco mais do assunto, e está traduzido para o português! O artigo está aqui.
Tuesday, April 07, 2009
Celebração do Riso
E de tudo o que José Luis aprendeu de seu pai, isso foi o principal:
- O importante é rir - ensinou-lhe o velho. - E rir juntos.
- O importante é rir - ensinou-lhe o velho. - E rir juntos.
Thursday, April 02, 2009
Crise! Abandonar Navio!!!

Pois é. Num momento de crise, fica caro manter o barquinho de luxo... E, no momento do desespero, a saída às vezes é simplesmente abandoná-lo... Mais informações, aqui.
Wednesday, April 01, 2009
Descoberta
Sunday, March 29, 2009
a física em pessoa
O que vale a minha vida? No fim (não sei que fim)
Um diz: ganhei trezentos contos,
Outro diz: tive três mil dias de glória,
Outro diz: estive bem com a minha consciência e isso é bastante...
E eu, se lá aparecerem e me perguntarem o que fiz,
Direi: olhei para as cousas e mais nada.
E por isso trago aqui o Universo dentro da algibeira.
E se Deus me perguntar: e o que viste tu nas cousas?
Respondo: apenas as cousas... Tu não puseste lá mais nada.
E Deus, que é da mesma opinião, fará de mim uma nova espécie de santo.
Caeiro, claro.
Um diz: ganhei trezentos contos,
Outro diz: tive três mil dias de glória,
Outro diz: estive bem com a minha consciência e isso é bastante...
E eu, se lá aparecerem e me perguntarem o que fiz,
Direi: olhei para as cousas e mais nada.
E por isso trago aqui o Universo dentro da algibeira.
E se Deus me perguntar: e o que viste tu nas cousas?
Respondo: apenas as cousas... Tu não puseste lá mais nada.
E Deus, que é da mesma opinião, fará de mim uma nova espécie de santo.
Caeiro, claro.
Saturday, March 28, 2009
Milagres da humanidade
Se você é do tipo que se contorce ao ver um machudadinho na testa de alguém, não veja esse vídeo. Você vai achar que ele é repugnante e aflitivo demais. Mas se você sabe se controlar e avaliar as coisas com calma, veja. É chocante, é repugnante, é inacreditável, você pode dizer que é nojento e monstruoso. Mas é milagroso e ao mesmo tempo algo poético, épico... Mostra um estágio da humanidade em que somos capazes de dar o direito à vida até mesmo aos mais improváveis viventes. Mostra quanta determinação e fé uma mãe é capaz de manifestar. Mostra que pessoas que continuam seguindo em frente, "against all the odds", eventualmente acabam indo muito além de qualquer expectativa. Eu estou impressionado...
PS: Dica da Bianca, minha amiga que conheci por longos 3,7 segundos, mais ou menos... rssrrssrsr
PS: Dica da Bianca, minha amiga que conheci por longos 3,7 segundos, mais ou menos... rssrrssrsr
Friday, March 27, 2009
Talento!
Até uns minutos atrás, eu nem sabia que existia qualquer pessoa na Terra a atender pelo nome de Badi Assad. Já sou fã.
No primeiro vídeo uma incrível versão de um grande clássico, para a apreciação de todos.
O segundo é uma curiosidade... Ela falando um pouco do uso de harmônicos no violão. Esse escolhi porque minha dear sister adora harmônicos, que eu sei. Aproveite!
No primeiro vídeo uma incrível versão de um grande clássico, para a apreciação de todos.
O segundo é uma curiosidade... Ela falando um pouco do uso de harmônicos no violão. Esse escolhi porque minha dear sister adora harmônicos, que eu sei. Aproveite!
Wednesday, March 25, 2009
Receitas para um ótimo dia
(ou "compêndio do cotidiano")
- Acordar bem cedo
- Tomar um bom café da manhã
- Ter tempo de ver um jornal
- Ouvir pelo menos uma música bem animada, do começo ao fim, como "Land of 1000 dances"
- Não se atrasar pro trabalho/aula (atrasar deprime)
- Falar com pessoas aleatórias no caminho, de qualquer faixa etária
- Ler algo bem legal no ônibus, trem, ponto de ônibus
- Comer bem
- Comprar algo estranho, barato, que não tem a menor importância mas é engraçado
- Tudo correr bem no trabalho
- Ganhar caronas de pessoas até então desconhecidas
- Chegar em casa a tempo de fazer algo interessante antes de desmaiar de sono
- Acordar bem cedo
- Tomar um bom café da manhã
- Ter tempo de ver um jornal
- Ouvir pelo menos uma música bem animada, do começo ao fim, como "Land of 1000 dances"
- Não se atrasar pro trabalho/aula (atrasar deprime)
- Falar com pessoas aleatórias no caminho, de qualquer faixa etária
- Ler algo bem legal no ônibus, trem, ponto de ônibus
- Comer bem
- Comprar algo estranho, barato, que não tem a menor importância mas é engraçado
- Tudo correr bem no trabalho
- Ganhar caronas de pessoas até então desconhecidas
- Chegar em casa a tempo de fazer algo interessante antes de desmaiar de sono
Sunday, March 22, 2009
Nous si verstehen Sie a lot, visse?
O Soulseek é um excelente programa para troca de arquivos pela internet. Além de permitir que você veja todas as pastas compartilhadas de um determinado usuário e faça downloads de pastas inteiras, permite também que você troque mensagens com os outros internautas. A missão do dia hoje era atender um pedido da minha irmã: conseguir alguma coisa do jazzanova e também as sonatas para cello de Chopin e Cesar Franck. Maravilha. Achei. O usuário que tinha essas raridades atende pelo nick de juanitocolinos. Comunicativo que sou, não resisti e fui lá puxar um papo e agradecer ao cara...
[15:10][AAxel] hi! speaks english?
[15:11][AAxel] oi! fala português?
[15:12][juanitocolinos] hola, i try to speak english, but i speak spanish
Bom, eu NÃO sei nada de espanhol... Mas o importante é nos comunicarmos, não é mesmo? Lá fui eu, sem gastar um segundo sequer com dicionários ou tradutores online:
[15:14][AAxel] tu tiene "good" musica!
[15:15][AAxel] I am downloading jazzanova and cesar franck
[15:15][AAxel] :)
[15:15][AAxel] gracias
E veio a resposta:
[15:16][juanitocolinos] danke, mon ami!
[15:10][AAxel] hi! speaks english?
[15:11][AAxel] oi! fala português?
[15:12][juanitocolinos] hola, i try to speak english, but i speak spanish
Bom, eu NÃO sei nada de espanhol... Mas o importante é nos comunicarmos, não é mesmo? Lá fui eu, sem gastar um segundo sequer com dicionários ou tradutores online:
[15:14][AAxel] tu tiene "good" musica!
[15:15][AAxel] I am downloading jazzanova and cesar franck
[15:15][AAxel] :)
[15:15][AAxel] gracias
E veio a resposta:
[15:16][juanitocolinos] danke, mon ami!
Thursday, March 19, 2009
Boa pergunta!
Com a palavra, Brillat-Savarin:
You first parents of the human race... who ruined yourself for an apple, what might you have done for a truffled turkey?
E, no clima de citações, e para não perder a deixa de um recente fim de era Bush, ninguém menos que Groucho Marx:
Military justice is to justice what military music is to music.
Admita: contundente!
You first parents of the human race... who ruined yourself for an apple, what might you have done for a truffled turkey?
E, no clima de citações, e para não perder a deixa de um recente fim de era Bush, ninguém menos que Groucho Marx:
Military justice is to justice what military music is to music.
Admita: contundente!
Tuesday, March 17, 2009
Dois já foram!
Que tal trocar cartões postais com pessoas aleatórias ao redor do mundo?
Eu, é claro, não resisti... Fiz minha inscrição há pouco mais de um mês, recebi uns endereços e enviei uns cartões. Dois já chegaram, acabei de receber a confirmação! Em breve receberei uns também, sei lá de onde!
Para participar, clique aqui.
Monday, March 16, 2009
Colóquio metafísico
Seguia o palestrante:
- Temos que reconhecer nossos pontenciais escondidos! Com minha mente, por exemplo, tenho até o poder de ficar invisível!
- Pois sinta-se à vontade!, encorajou o cético impaciente...
- Temos que reconhecer nossos pontenciais escondidos! Com minha mente, por exemplo, tenho até o poder de ficar invisível!
- Pois sinta-se à vontade!, encorajou o cético impaciente...
Sunday, March 08, 2009
O mundo é bom
Eu vez outra fico pensando sobre os problemas do mundo, tentando fazer algum paralelo entre os problemas pessoais e as "macro-questões", e etc...
Mas tem hora que me deparo com certas coisas que tornam qualquer possível problema um mero esforço de abstração. Coisas que enchem a gente de uma sensação do tipo "o mundo é bom!". Com vocês, Aziza Mustafa e Bobby Mc Ferrin:
Mas tem hora que me deparo com certas coisas que tornam qualquer possível problema um mero esforço de abstração. Coisas que enchem a gente de uma sensação do tipo "o mundo é bom!". Com vocês, Aziza Mustafa e Bobby Mc Ferrin:
Essa igreja...
Dom José Cardoso Sobrinho é arcebispo de Olinda e Recife. Por aquelas bandas, há uns dias, aconteceu esse bizarro caso em que uma menina de nove anos, após ser estuprada pelo padrasto, engravidou de gêmeos. Para uma menina de apenas nove anos, certamente tratava-se de uma gravidez de risco, e procedeu-se com uma operação de aborto. Dom José Cardoso Sobrinho ficou horrorizado. Aborto é um atentado contra a vida. Segundo o Estadao, Dom José Cardoso Sobrinho disse que o aborto é mais grave do que o crime de estupro e pedofilia cometido contra a menina.
Quanto à pedofilia, não me espanta. Nada mais esperável do que a igreja não julgar essa falta como algo assim tão grave. Força do hábito. Mas, com relação ao estupro, confesso ter ficado surpreso. Será também força do hábito?
Entendo a preocupação com a vida do feto. Dos fetos, nesse caso. Queria é entender em que momento devemos esquecer da vida da menina de nove anos, que já está aí, vivinha... Será que a igreja faz uma conta simples? A vida de dois fetos contra a vida de uma única menina: dois contra um. Ou será que confia-se em Deus para o sucesso da concepção de risco? No primeiro caso, seria uma séria falha da razão ao enfatizar demais um único lado da questão, e no segundo caso um acidente metafísico na interpretação do mundo. Se Deus existe ou não é algo discutível, embora sempre em discussões inconclusívas. O que está acima de discussão é que há leis muito bem estabelecidas aqui neste mundo, que pode ser Dele ou não, não importa. E esse regular andar da carruagem nos permite ter muita certeza de que essa gravidez tinha enormes chances de levar a menina à morte.
Mas acho que isso tudo não exige muita discussão... A igreja sempre trabalhou muito bem para minar todas as oportunidades de razoabilidade que o acaso lhe oferece. Acontece que tem mais essa aqui. Aqui no Brasil, excomungaram a mãe da menina e os médicos que procederam o abordo.
Minha primeira questão, e deixo claro que é só especulação, não estou bem informado a respeito: excomungaram também o padrasto, o estuprador?
Minha segunda questão: alguém perguntou aos excomungados se eles se importam? A igreja anda tão incapaz de se reservar ao seu papel de reflexidade metafísica sobre a existência e a moral de forma não danosa à vida humana, e vem reincidindo em falhas desse tipo há tantos séculos, que eu teria o maior orgulho de ser excomungado! Que alívio maior existiria para alma do que saber que as forças do mal oficialmente o declararam um "não-igual", "não-membro"?
Bem aventurados os excomungados, pois deles é o reino dos céus. Ou, no mínimo, a paz na Terra, o que, convenhamos, já não é pouca coisa...
Quanto à pedofilia, não me espanta. Nada mais esperável do que a igreja não julgar essa falta como algo assim tão grave. Força do hábito. Mas, com relação ao estupro, confesso ter ficado surpreso. Será também força do hábito?
Entendo a preocupação com a vida do feto. Dos fetos, nesse caso. Queria é entender em que momento devemos esquecer da vida da menina de nove anos, que já está aí, vivinha... Será que a igreja faz uma conta simples? A vida de dois fetos contra a vida de uma única menina: dois contra um. Ou será que confia-se em Deus para o sucesso da concepção de risco? No primeiro caso, seria uma séria falha da razão ao enfatizar demais um único lado da questão, e no segundo caso um acidente metafísico na interpretação do mundo. Se Deus existe ou não é algo discutível, embora sempre em discussões inconclusívas. O que está acima de discussão é que há leis muito bem estabelecidas aqui neste mundo, que pode ser Dele ou não, não importa. E esse regular andar da carruagem nos permite ter muita certeza de que essa gravidez tinha enormes chances de levar a menina à morte.
Mas acho que isso tudo não exige muita discussão... A igreja sempre trabalhou muito bem para minar todas as oportunidades de razoabilidade que o acaso lhe oferece. Acontece que tem mais essa aqui. Aqui no Brasil, excomungaram a mãe da menina e os médicos que procederam o abordo.
Minha primeira questão, e deixo claro que é só especulação, não estou bem informado a respeito: excomungaram também o padrasto, o estuprador?
Minha segunda questão: alguém perguntou aos excomungados se eles se importam? A igreja anda tão incapaz de se reservar ao seu papel de reflexidade metafísica sobre a existência e a moral de forma não danosa à vida humana, e vem reincidindo em falhas desse tipo há tantos séculos, que eu teria o maior orgulho de ser excomungado! Que alívio maior existiria para alma do que saber que as forças do mal oficialmente o declararam um "não-igual", "não-membro"?
Bem aventurados os excomungados, pois deles é o reino dos céus. Ou, no mínimo, a paz na Terra, o que, convenhamos, já não é pouca coisa...
Saturday, February 07, 2009
Só um nome...
Acabei de ouvir... e segundo o google, é verdade...
Existe um cara em nosso país que, por força das paixões musicais de seu pai, foi batizado de... Iron Mendes!!! Justamente... não é fantástico?
E, segundo o Orkut... não é apenas um... Há VÁRIOS deles!!!
Existe um cara em nosso país que, por força das paixões musicais de seu pai, foi batizado de... Iron Mendes!!! Justamente... não é fantástico?
E, segundo o Orkut... não é apenas um... Há VÁRIOS deles!!!
Dos tipos de liberdade

Não existe apenas um tipo de liberdade... Podemos pensar a liberdade em dois campos distinto:
- Liberdade das atitudes
- Liberdade dos pensamentos
É comum que as pessoas se concentrarem demais na construção da primeira, sem contudo exercitar a segunda. A liberdade de pensamento é, contudo, ainda mais fundamental!
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