Showing posts with label Opinião. Show all posts
Showing posts with label Opinião. Show all posts

Tuesday, June 07, 2011

Os erros bons



Lê-se assim logo no início do deliciosíssimo livro de Jean-Pierre Lentin, Penso, logo me engano que trata muito amistosamente da história dos equívocos científicos:

Esses "filósofos" [da antiguidade] começam a fazer ao universo perguntas pertinentes, agudas e, sobretudo, abertas à discussão. Os sábios gregos se criticam, se completam, recebem e passam a bola. É claro que, obrigatória e fatalmente, suas primeiras teorias são, todas elas, erros magníficos, mais preciosos que todas as verdades, já que põe o pensamento em ação. Este capítulo é, portanto, um florilégio de hipóteses falsas, liricamente aberrantes, elegantemente torpes, vaidosamente bizarras: as lindas asneiras que geraram a ciência.

Critica-se com todo o humor do mundo as "asneiras" das teorias antigas. Mas nem por um momento passa-se perto de criticar as perguntas dos antigos, bem como seu modo de perguntar. Ao contrário... Já eram perguntas pertinentes, agudas e abertas à discussão... Poucas características, tão enganadoramente humildes, e tão assombrosamente poderosas!

Recomendo o livro para quem gosta de história do pensamento e não se irrita com escritores bem humorados. O meu exemplar consegui num sebo. Pra quem lê em francês, o original é "Je pense donc je me trompe".

Monday, June 06, 2011

Tá explicado

Mais uma do Lao-Tsé, que passou aqui pelo blog dia desses:

"Governa-se um grande Estado assim como se frita um pequeno peixe."

Bom... tendo-se em conta o que comentam sobre a limpeza da cozinha em cantos e recantos da China, fica muito mais fácil agora entender a lambança que é o governo dessa nação pra lá de bizarra.

Thursday, June 02, 2011

Pertencer ao mundo


Escreveu certa vez Adam Smith, esse sanguinário explorador das relações humanas e propagador das idéias de exploração acirrada e egoísta (ao menos segundo ouvi dizer por aí...):

"Por isso, a companhia e a conversa são os mais poderosos remédios para restituir ao espírito sua tranquilidade, caso em algum momento, por infortúnio, a tenha perdido, e também os melhores preservadores desse caráter feliz e equilibrado, tão necessário para a auto-satisfação e alegria. Homens retraídos e especulativos que tendem a se fechar em casa refletindo sobre sua dor ou ressentimento, ainda que tenham freqüentemente maior humanidade, mais generosidade e um senso de honra melhor, raramente possuem aquele equilíbrio de temperamento tão comum entre os homens do mundo."
(na primeira parte do Teoria dos Sentimentos Morais)

Resta saber quanto tempo tinha o próprio senhor Smith para pertencer ao mundo, considerando-se aí o tempo que precisou para suas monumentais obras, suas aulas, etc... Não deve ser assim por nada que ele considera que o espírito recluso é freqüentemente mais humano, generoso e honrado, não é?

Friday, May 27, 2011

A inveja e seus males...

Com a graça do Vaticano: Papa Bento 16 fecha convento em que freiras dançavam em cerimônias.

Se bem que, pensando agora... É preciso mesmo uma igreja muito muito muito chata para ser capaz de preparar nossas almas para o tédio eterno do paraíso, não acha?

Tuesday, March 15, 2011

De novo o homem e a natureza...



Ah, o tsunami no Japão e o aquecimento global... Tem jente achando que é causa e efeito, culpando indústrias, o capitalismo, a morte das baleias e o buraco da camada de ozônio. Abaixo, meu comentário feito num outro blog onde se discutia a respeito:

Realmente vivemos tempos de preocupações ambientais sem precedentes. Já está em marcha a maior extinção de espécies desde que a vida surgiu na Terra (até o momento, se fizermos a contabilidade em número de espécies. Em termos de percentual das espécies existentes esta ainda não é a pior de todas; isso porque nossa época é mais rica em biodiversidade do que qualquer período anterior). A atmosfera é uma estrutura extremamente fina e responsável por um equilíbrio assombrosamente intrincado e delicado.

A hipótese de Gaia tem o mérito de mostrar como as relações da natureza são complexas e interligadas, mas peca gravemente ao dar margem para a idéia de “intenção”. O aumento de nuvens devido a um aumento de temperatura, que tende, devido ao branco das nuvens, a aumentar a reflexão da Terra e assim resfriar o ambiente, não tem nada de intencional. Nada. A natureza não está “tentando” manter o equilíbrio de nada. Está cegamente se comportando como se comporta qualquer copo de água em qualquer lugar; Se nosso planeta, porém, não apresentasse uma estrutura em que o funcionamento da natureza apresenta características de equilíbrio, certamente não estaríamos aqui para contar história, simples assim.

Agora… se por um lado devemos nos preocupar com as ações humanas, que hoje tem poder sem precedentes de afetar toda a biosfera, precisamos também manter a cabeça no lugar…

Terremotos acontecem o tempo todo. Ao menos um tsunami de proporções significativas é registrado TODO ANO (ver Fundamentos de Oceanografia, de Tom Garrison). Eventualmente um desses tsunamis ganha proporção maior e causa estragos significativos. E mais esporadicamente ainda essa proporção maior é realmente devastadora e, por azar, atinge áreas habitadas. Esse azar, é claro, é cada vez mais provável, uma vez que a ocupação humana no globo é cada vez mais abrangente. É cada vez mais difícil para um tsunami encontrar um pedaço de continente vazio para inundar em paz.

Quanto às suposições de que são as ações humanas que causam os tsunamis… Qual seria a relação entre o aquecimento global e o comportamento das placas tectônicas? Mudar a temperatura média da atmosfera em meio grau, ou um grau ou dois, afetaria de que maneira a temperatura interna do ínterior da Terra, cuja fonte é distinta? (a atmosfera e as camadas iniciais da crosta recebem calor do Sol, ao passo que a parte “derretida” do núcleo recebe calor interno da Terra, devido à pressão do peso da Terra sobre si mesma e devido ao calor do material radioativo presente no núcleo terrestre).

Sim, atribuiram vingança divina ao terremoto de Lisboa. Realmente… Um deus que elimina pecadores com uma enorme inuncação que mata sem distinção idosos, crianças, recém nascidos, grávidas, cachorros e as roseiras da janela, ao invés de usar sua onipotência para causar enfartos localizados no peito dos verdadeiros ruins, é ou extremamente sádico e perverso ou absurdamente pouco criativo. Características tão incoerentes com a realidade divina que já bastaria para se demonstrar, por absurdo, que o todo poderoso ou não existe ou foi achar outra coisa pra fazer depois de entregar muito relapsamente a lição de casa da disciplina “Criando Universos Com Vida I – Introdução às Manifestações de Poder”.

A tragédia no Japão aconteceu porque a Terra treme. Porque a placa do Pacífico avança, em média, algo em torno de 7 ou 8 centímetros por ano contra a placa tectônica da Ásia. Parece pouco, mas os continentes vão se comprimindo, se comprimindo, e de repente dão uma “escorregadinha” um sobre os outros. Na escala do planeta, é algo sutil e delicado. Suave até, pode-se dizer. Mas somos seres de menos de 2 metros de altura vivendo sobre camadas de 30.000 metros deslisando umas sobre as outras sobre um manto escaldante. Rodeados por oceanos com, em média, mais de 4.000 métros de profundidade. Uma pulga sobre um carro é um gigante mastodôntico se comparado ao que é um humano sobre a crosta terrestre.



Sim, precisamos sempre de um culpado. Precisamos sempre de um culpado porque nosso cérebro, quem diria, tem um ímpedo de desconfiar que há uma causa para tudo. Aparentemente, até agora, há. Só que também temos um ímpeto para achar que a causa é sempre humana, social, inteligível apenas por meio de personagens (vivos, mortos, corpóreos ou não, mas sempre cheios de intenções). Nosso cérebro, portanto, não é perfeito. Assim, exige um esforço a mais identificar o “culpado” como uma simples tensão mecânica de um movimento gigante e constante. Parece não ter tanta graça. Achar que o tsunami é culpa de ALGUÉM (a humanidade, os pecadores, os ateus ou os capitalistas ou os socialistas ou, por que não, o Chuck Norris) é sempre muito mais interessante do que apontar como culpada a energia cinética de aproximadament 2.066.000.000.000.000.000 m³ de crosta sob o oceano (volume aproximado da placa do Pacífico). Não tem graça, não dá uma manchete arrebatadora de vendas.

As atribuições de culpa, hoje e sempre, em sua assombrosa riqueza de variedade e matizes, vão sempre revelar muito mais sobre os atribuidores (nós) do que sobre a natureza…

Wednesday, September 02, 2009

Caso de polícia



Policiais percorrem as ruas em patrulha de rotina. De repente, ao longe, avistam dois homens roubando um carro. Imediatamente inicia-se a perseguição. Um dos criminosos acaba escapando, mas o outro... ...o outro se transforma em um bode!

Ao menos é o que relatam os policiais envolvidos no caso, que ocorreu na Nigéria. A notícia completa pode ser vista aqui.

Atenção, criminosos, para a dica! É hora de mudarem-se para a Nigéria, levando aí alguns animais de estimação, daí a cada assalto, é só soltar alguns pelo caminho... talvez com um relógio de pulso igual ao seu, para dar mais credibilidade... que tal?

Saturday, August 08, 2009

É o fim!


Depois de milênios lutando para dominar o fogo, o homem vence, sobrepuja a natureza, toma as rédias, controla elétrons e fótons. Mas uma ameaça está à espreita... Como um vírus mutante endógeno estranho, estamos cavando nosso próprio abismo. Em breve nos tornaremos uma raça de ignóbeis dementes graças ao... facebook, super-mario, coisas assim. E aí a humanidade vai acabar, quem sabe... Ao menos é o que pensam alguns estressadinhos de plantão que se apressam em criticar essas tecnologias. Não que críticas não devam ser feitas, mas uma boa dose de ponderação não faz mal a ninguém.

O artigo que me leva a essas considerações está aqui.

Talvez o mais interessante a observar no meio dessa confusão toda não sejam as críticas em si, mas essa tendência, sempre manifesta, de as pessoas criticarem qualquer coisa que ameace alterar a face do mundo como elas conhecem. Mudanças culturais assustam. Idéias religiosas diferentes assustam. Diferentes opiniões políticas assustam. E se o mundo amanhã não for mais como é hoje? Estará tudo perdido? Partidários da continuidade estéril. O mundo nunca foi o mesmo de antes, qualquer que seja a época. Imutável é a tendência de mudança, só isso.

Há sempre presente uma espécie de inércia cultural, por vezes maior, por vezes menor. Criticá-la é sempre válido, mas pensar em uma sociedade sem ela é quase que uma abstração inconcebível. Uma sociedade em que toda pequena mudança ganha terreno muito rapidamente, sem resistência, adotada sem críticas, sem ressalvas, qualquer que seja. Resistências são válidas, calibram nossa dinâmica. Mas há exageros. Religiões são pródigas em cometê-los, negando e combatendo tudo o que as questiona sem muita consideração a respeito. Temos apenas que calibrar nossos julgômetros para que essas tendência humana a resistir não se torne um ímpeto instintivo e irracional por resistir.

Friday, August 07, 2009

Ironias da história


O movimento feminista reivindica diversos direitos para as mulheres, igualdade, etc. Mas, olhando história adentro, vemos que algumas coisas são culpa das próprias mulheres. Ou ao menos de algumas delas, em específico. Tomemos o caso do islamismo e seu tratamento super diferenciado sobre as mulheres. Excesso de machismo? Talvez. Mas tudo culpa de uma mulher em particular. Que cometeu um erro contra o qual a maioria das mulheres já são geneticamente programadas para evitar: deu confiança demais a um homem...

Mohammed, o fundador do islã, nasceu em Meca no ano de 570 depois de cristo. Órfão, seguiu desde jovem os mercadores árabes, prática comum na época para iniciar-se nas artes das viagens e negociações. Muito inteligente, impressionou sua empregadora, uma viúva riquíssima. Ela com 40, ele com 25, casaram.

Não fosse por essa mulher, o próprio Mohammed jamais teria tido condições de lançar sua religião com força suficiente para que ela tivesse um alcance tão grande.

Monday, August 03, 2009

Mentes com entropia variável


Eu morro de inveja da pseudociência. Ela congrega um povo com uma criatividade escabrosamente gigante. Um pseudo-cientista é um bolsista da Loucura, de Erasmo, que cansou do resto do mundo e foi praticar seus dons ali onde eles encontram a um só tempo expressão máxima e glamour. Um hospício, claro, oferece à Loucura um vasto e livre terreno de trabalho. Mas cadê o glamour? A ciência "mainstream" oferece todo o glamour, com prêmios nobel, revoluções que alteram a história da humanidade e tudo o mais. Mas é um trabalho, convenhamos, muito limitado. Cientistas não engolem qualquer coisa. Já um pseudo-cientista...

Quisera eu, em minhas aspirações de escritor, ter a desinibição desse povo! Recentemente (bem recentemente mesmo, coisa de dez minutos atrás) encontrei essa aqui: Meditation and Entropy. O artigo começa explicando tudo com calma... Bem didático. Aliás, se tem uma coisa que caracteriza um bom pseudo-cientista, é a didática. Sua didática tem o estratagema da eloqüência assertiva, que precisa ser elevada o suficiente para esconder suas outras características sempre presentes: a lógica subversa, a extrapolação ao gosto do freguês e por cima de qualquer fronteira de razoabilidade e a degeneração da especificidade de conceitos. Essa última característica, aliás, é fundamental ao pseudo-cientista, e é talvez seu traço mais fácil de identificar. Energia, vibração, força, campo... Todos esses conceitos, de difícil e restrita definição na ciência tradicional, tornam-se palavras místicas capazes de justificar qualquer coisa que se queira. Um outro traço comum é a evitação da matemática. A matemática é inerentemente rígida em conceitos, e o único jeito de fazer um uso desvirtuado da matemática seria apresentá-la apenas aos que não a entendem, mas aí o ataque daqueles que a entendem seria mais enérgico e teria uma argumentação mais contundente. Mas cuidado com uma artimanha! O pseudo-cientista faz sempre o melhor que pode... Ciente de que a ausência de matematismos tende a depor contra eles, pseudo-cientistas não tardaram a enfeitar seus livros com formulinhas... ...da ciência tradicional, claro.

Assim, quando falam sobre ondas, acham muito bonitinho escrever que vê é igual a lambda vezes éfe. Parabéns pra eles. Agora uma boa equação para a relação entre freqüência do humor e sucesso no trabalho, mesmo que fosse uma complicada equação vetorial fazendo uso de gradientes e derivadas parciais, que seja, nunca vi. Em resumo: pseudo-cientistas apresentam equações matemáticas da ciência tradicional, mas raramente, ou nunca, apresentam de forma matemática suas idéias particulares, pois isso seria detalhá-las demais e facilitar o trabalho de denúncia de seus abusos. Sem contar que, para seus propósitos dogmáticos, é um passo completamente desnecessário, uma vez que seu público-alvo não quer perder tempo com matemática e sim partir direto para o alívio de alívio de certas carências emocionais e vazios existenciais.

Tantas considerações motivadas pelo post ao qual me referi acima... Então vamos a ele! Numa livre tradução, começa assim:

O estado de meditação pode ser interpretado em termos de entropia. Entropia em física é uma medida da desordem. Eu creio que todos nós temos uma espécie de entropia mental, de uma forma ou de outra.

E termina assim:

No estado desperto, quando a entropia da mente é conscientemente diminuída, existe menos desordem; a mente se torna calma e transparente.

Extendendo a lógica, pode-se dizer que quando a entropia se aproxima de quase zero a mente tende a estar livre de pensamentos. Uma mente livre de pensamentos é livre de distrações e conflitos; e um estado de calma e quietude nos envolve.


Eis outra coisa que eu invejo nos pseudo-cientistas: a cara-de-pau hipócrita com que conseguem dizer asneiras dessa e ao mesmo tempo se deixarem envolver num estado de calma e quietude. Uma coisa é certa, em termos que todos nós aceitamos: pseudo-ciência é ciência de elevada entropia. Medite a respeito...

Sunday, April 19, 2009

ISSO é positivo!


Infelizmente estou longe de estar tão atualizado sobre questões políticas como eu gostaria, e me faltam muitas informações para tecer críticas decentes a respeito do polêmico Chávez. Mas uma coisa ele fez que é louvável: deu de presente para ninguém menos que o presidente Barack Obama um livrinho entitulado As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano. O livro disparou nas vendas da Amazon.

Dar Galeano de presente, a quem quer que seja, é louvável. Fazer com que milhares de outras pessoas descubram o autor é, então, espetacular!

Comentários da Folha sobre o ocorrido, aqui.

Friday, November 21, 2008

Quero minha Rep de volta!

Casualmente navegava eu pelo Guia dos Curiosos, e acabei achando um programa bem interessante na "TV Curioso":










É claro que a reportagem que mais me chamou a atenção foi a do turismo de sofá. Sei que muita gente tem ressalvas com a idéia, mas minha única sensação negativa ao ver a reportagem foi a de não morar mais em minha república. Estivesse lá ainda, já teria feito meu cadastro no Couch Surfing com certeza.

A idéia de sair viajando por aí e poder se hospedar na casa de outras pessoas... O risco de encontrar alguém chato no caminho é mega minimizado, pois se a pessoa participa da comunidade Couch Surfing as chances de ser uma pessoa pouco dada a novas amizades é mínima. E com isso conhecer realmente um pouco das pessoas locais, ainda que numa amostra bem viciada contendo só "a melhor parcela", mas tá valendo.

E a idéia de receber viajantes também... Eu já sou naturalmente receptivo com viajantes, e isso muito antes de ter ouvido falar desse projeto. Sou receptivo com viajantes em geral, mas viajantes estrangeiros tem um atrativo a mais também. Só como observação, meu ânimo extra ao encontrar estrangeiros nada tem a ver com uma dicotomia preferencial no sentido Brasil vs. Exterior. É só uma percepção de que "quanto mais longe, mais diferente, mais exótico, mais inédito".

Quando fui morar em República pela segunda vez minha primeira aquisição foi um par de colchonetes. Não que eu precisasse de tantos... Era só uma reserva para garantir um mínimo de habitabilidade para visitantes esporádicos e aleatórios. Não fosse minha 25% consangüínea titia tornar meu lar uma ameaça à diplomacia internacional, já teria me inscrito daqui mesmo. Quando começar o turismo de marcianos aqui pra Terra, ou de habitantes hectoplásmicos de Alfa Centauro, acho que me empolgo tanto que além de colchonete dou um jeito de improvisar um quartinho num canto também!

Visite o site. Leia sobre o projeto, veja as fotos das pessoas, os perfis... Se não viu o link lá em cima, tente de novo aqui.

Wednesday, April 09, 2008

Exageros e crises



AVISO URGENTE AO NAVEGANTE DESAVISADO: Este post assume que o leitor já viu o filme O Passado. Caso não tenha visto, saiba que os comentários que se seguem podem eventualmente estragar a surpresa. Em caso de dúvida, não leia. Vá se distrair em outro site, como este aqui.

Continuando...

Gael García Bernal é um ator que lembra muito meu amigo Marquinho. Mas espero, para o bem do Marcos, que a semelhança termine pela estatura de sapateiro de pulga e cabelo meio à lá Cornelius, pois o Rimini, coitado, só se fode.

Depois de 12 anos casado com Sofia (Analía Couceyro), divorcia-se e tenta viver novas coisas na vida. Com a gatíssima Vera (Moro Anghileri, da foto acima), tem um rápido caso amoroso tragicamente interrompido. Com sua colega de trabalho Carmem (Ana Celentano), constrói finalmente uma vida normal. Prejudicada pelos seus lapsos de memória. Bruscamente dilacerada, entretanto, pelas loucuras de Sofia, que sequestra por uma noite o filho que Rimini tem com Carmem. Traumatizada e decepcionada por Rimini ter se entregue à uma noite de bebedeira ao invés de correr atrás de seu filho, Carmem divorcia-se e o abandona.

Pra mim, este filme entra na categoria "filmes de terror". Me dá mais medo do que os filmes de monstros e vampiros que eu assistia ilegalmente quando tinha meus 9 ou 10 anos, e com um agravante: os monstros que vejo em El Pasado existem de verdade. Estão aí fora, camuflados e fora de controle.

Fobias pessoais à parte, as críticas:

.embora o macho do filme, Rimini, seja um fraco dado a vícios, hesita para tomar decisões corretas, dá-se com freqüência à primeira louca que aparece sem maiores considerações e, ainda por cima, comete o gravíssimo pecado da burrice aguda (quando larga o filho no táxi junto com a Sofia), o filme é mais grave ainda em seus aspectos machistas. Tá, Sofia é uma doida varrida. Aparentemente normal, seria mais um coração partido, talvez irreparavelmente partido, a vagar pelo mundo. Mas é desmedida em suas atitudes. Em todo o explicitismo de seu fascínio indiluível por Rimini. Até aí, tudo bem. Uma caracterização da moça, só isso. Quem não pode ter um perfil psicológico assim alterado? Há loucos no mundo, afinal. Há desesperados. O problema é que Sofia não está sozinha. O filme, em sua metade final, resgata a repugnante imagem das mulheres, como um todo, como formigas autômatas desesperadas por encontrar o casamento eterno. E nada mais. Caçam o homem como a formiga forageia o açúcar. E nada mais. Disso eu definitivamente não gostei. Foi um exagero que não caiu bem.

.Às vezes muito esforço concentrado e prolongado não conseguem alterar muitas coisas no mundo (horas de estudo vs. resultado nas provas de cálculo). Por outro lado, pequenas coisas, alguns momentos, uma decisão à qual não se dá a devida atenção, podem ter um efeito devastador e eterno. Aquela preguiça de tirar o filho do taxi, quando foi buscar cigarro, embora parecesse-lhe uma trivialidade corriqueira, custou a Rimini muitíssimo mais do que a estupidez de quase transar com Sofia às escondidas. Não deve ter durado 40 segundos o tempo de sair do táxi e pedir um maço de cigarros e ver o carro sumir. Por que não foi à casa de Sofia? Era o primeiro lugar a procurar. Deu-se à bebida, incapaz de ser mais forte que o próprio estarrecimento diante daquela incredulidade. E nunca mais sua vida reencontraria os trilhos bem encaminhados sobre os quais esteve.

Há os que digam que o filme é um exagero, que as atitudes de Sofia são artisticamente bela por exagerarem o desespero do amor imortal. Tá, o amor imortal é bonito, mas o filme mostra, explicitamente, o descomedimento diante sentimentos. E se sufocar os próprios sentimentos é suprimir-se de existir, deixar que tomem por completo as rédeas de suas atitudes significa abrir mão de todos os benefícios que a razão pode trazer à vida. Significa ser menor do que se pode ser.

Em resumo, gostei do filme. Tem um condenável viés machista mas, isso de lado, faz pensarmos sobre nossos exageros e sobre as enormes proporções do que pode resultar de pequenos atos.

Thursday, April 03, 2008

Isabella


Não dá pra deixar precisamente clara a magnitude da minha revolta com essa história. Cinco anos... Em meus momentos de frieza, é só mais um dos fatos do mundo. Mas desta vez não consigo ficar nestes momentos de frieza muitos segundos seguidos. É revoltante.

Como bom brasileiro, estou acostumado com atrasos e ineficiências quanto a mensalão, grandes obras na cidade, dossiês, destino dos impostos de saúde... Mas esses crimes todos, embora na prática afete um número muito maior de pessoas e por um prazo muito maior, têm sempre um distanciamento das vítimas que os permitem serem realizados na mais completa impessoalidade. Não se vê, não se sabe e não se sente das vítimas.

Jogar uma criança pela janela é o oposto disso. Isso não pode ficar impune. Esse é o tipo de crueldade cuja única solução cabível seria voltar no tempo e segurá-la, tirá-la pra longe dessas pessoas.

Em geral, sou tolerante e leviano. Não consigo ter essas tendências quanto a essa história. Não sei se teria vontade de impedir o eventual linchamento dos responsáveis por isso, e confesso que seria tomado por uma vontade visceral de colaborar.

Justiça?! Essas histórias mostram que nem sempre justiça completa é possível. Nada vai trazer a Isabella de volta.

Wednesday, March 26, 2008

Autopoietico

Do site Reference.com,

Autopoiesis literally means "auto (self)-creation" (from the Greek: auto - αυτό for self- and poiesis - ποίησις for creation or production) and expresses a fundamental dialectic between structure and function.

Pois bem... eu estava lendo o paper Chaos and Pattern in Complex Systems, de Ben Goertzel... Interessante até. Mas...

Perdi a conta de quantas vezes li referências como

"Another possibility, suggested in Goertzel (1993a, 1993b,1994)...",

Até que chegamos ao ápice do provinciânico despotismo acadêmico:

"[...] developed collaboratively by the author and Gwen Goertzel, called the chaos language algorithm (CLA), and described in detail in Goertzel and Goertzel (1995)."

Friday, March 21, 2008

A normal life



Ontem à noite não consegui dormir. Também, devo admitir, num dado momento desisti de tentar. Era melhor eu tomar fôlego para combater meu sono com muito mais momentum depois de umas horinhas inúteis pela madrugada. Assisti alguns episódios de Heroes, segunda temporada. Achei depois num blog por aí uma bem humorada síntese de alguns personagens, mas este não é o foco aqui. O que me chamou a atenção enquanto o sono não vinha foi pensar num ponto que, de uma forma ou de outra, é recorrente na série e afeta a vida de todos: a busca por uma vida normal.

O que diabos é uma vida normal? Segundo a mãe de Claire, num dos episódios, vida normal seria ela ir para a faculdade, se casar, ter uma casa... A série traz um mundo em que pessoas normais começam a se descobrir portadoras de super-poderes. Mas não custa muito para que essas pessoas comecem a sentir esses poderes como um fardo. O policial que tenta usar sua habilidade de ouvir pensamentos para desvendar casos complicados se atrapalha, perde o emprego e a mulher. Outros que rapidamente são tomados pelo desejo de "salvar o mundo" com seus super-poderes (não importando muito a identificação de uma precisa ameaça para que esse desejo se instale) acabam de uma forma ou de outra se transmutando na própria ameaça. É curioso que o único personagem que não hesita nem por um instante em aceitar o destino da diferenciação mutante - pelo contrário, a deseja com todo o fervor - é o grande vilão da série: Sylar. Ter super-poderes priva as pessoas de uma vida normal, esta desejável pela paz que lhe é inerente. Desejar ter super poderes passa a ser uma espécie de egoísmo exacerbado que só poderia levar ao mau-caratismo.

Outra coisa curiosíssima é a postura do Takenzo Kensei, que séculos depois se torna Adam. Ele conheceu o mundo antes da Revolução Industrial. Viu duas guerras mundiais, epidemias, fome, aquecimento global, poluição e explosão urbana em todos os cantos. Ao contrário do desejo egoísta de Sylar, Tanekzo Kensei é um vilão do tipo "altruísta". Está tomado pela idéia de que eliminar a humanidade da superfície da Terra é a única coisa boa que pode ser feita ao planeta. No lugar dele, depois de perambular quatrocentos anos por aí vendo tudo isso, quantos pensariam da mesma forma?

Assombroso é que, migrando cada vez mais para o mundo de fora do seriado, as duas coisas se entrelacem tão fortemente: os problemas que tanto desprezo inspiraram no coração de Takenzo Kensei têm uma ligação íntima com a busca obcecada por uma "vida normal". Podemos ver geleiras derretendo na televisão e praias devastadas por um vazamento de petróleo, mas quantos diante dessas imagens sentem qualquer impulso de se livrar do próprio carro e explorar formas de vida que demandem menos energia? Somos presos à esta "vida normal" e nos é consideravelmente alheia a anomalia agregada dessas normalidades amontoadas. Na vida real a inexistência de super-poderes na esfera individual cria a coerência necessária para ações conjuntas que produzem super-poderes no nível do coletivo. Mãos nucleares, cura ilimitada, voo ou telecinese, isso parece se aprender a controlar depois de pouco tempo de prática, caso ocorra. Agora os assombrosos super-poderes da vida normal, este ainda estão fora de controle.

Monday, March 17, 2008

Tempo, mente e ser


Escolher é eleger um futuro imaginado no presente vivido. A escolha, quando ela existe, é sempre entre pensamentos, nunca entre os fatos.

Vícios privados, benefícios públicos? - A ética na riqueza das nações
Eduardo Giannetti
Companhia de Bolso

Wednesday, March 12, 2008

Aula de Engenharia Econômica na USP

[O Professor]
E então gente, quem já chegou na resposta?
...
...
Ninguém? Vamos lá! Não vamos perder tempo não! Produtividade! Vocês estão aqui com um custo alto pra sociedade! É a sociedade que paga vocês aqui dentro e eu fico preocupado em não desperdiçar este investimento todo, certo?

[O idiota atrás de mim]
A sociedade que se foda!

Sunday, March 02, 2008

Veja essa



" A concentração dos veículos de comunicação nas mãos de poucos grupos, ainda que nacionais, é a marca da história da mídia no Brasil. O grupo Abril não foge à regra. Ele abarca um complexo que envolve 90 revistas, duas editoras de livros (Ática e Scipione), uma rede de TV (MTV), uma de TV a cabo (TVA) e uma rede de distribuição de revistas em banca de jornal (Dinap), além de inúmeras páginas na internet. Tem sete das dez revistas com maior tiragem no país e, nesse quesito, Veja é a quarta maior do mundo. "

O trecho acima foi retirado de um dossiê sobre a Revista Veja e sua atuação no jornalismo brasileiro. A idéia geral é conhecida de todos, mas os detalhes dos ataques à Veja impressionam. Em particular me salta aos olhos so comentários dos jornalistas "ex-Veja", espalhados pelo dossiê. Vale uma olhada...

Saturday, February 02, 2008

A hora do Sol



Início da bolha da energia alternativa?
Saiu em uma reportagem no New York Times comentários sobre a alta nas vendas de geradores solares, especialmente na califórnia. Um dos trechos que me chamou a atenção na reportagem foi:

"SunPower, which makes the silicon-based cells that turn sunlight into electricity, reported 2007 revenue of more than $775 million, more than triple its 2006 revenue. The company expects sales to top $1 billion this year. SunPower, based in San Jose, said its stock price grew 251 percent in 2007, faster than any other Silicon Valley company, including Apple and Google."

Uma matéria que é atrativa no que diz respeito a preocupações ecológicas, mas também muito sugestiva em termos de investimentos financeiros...

Wednesday, January 16, 2008

Liberdade de expressão

Olha só que maravilha, a Justiça obriga Orkut a tirar do ar páginas contra Edir Macedo. Muito bom! Eu já achava ridícula a história de crianças expulsas de um colégio imbecil em São Paulo por terem criado comunidades orkutianas que falavam mal de professores... Estamos retrocedendo!