Monday, April 27, 2009

Entre mortos e vivos

Sempre acho curiosidades notáveis no Blog do Guterman, do Estadão. E essa aqui vale ser reproduzida:

A tradição chinesa manda que os cadáveres estejam íntegros para as cerimônias fúnebres, por causa da relação com os antepassados, e isso dificulta sua doação para pesquisa. Mas, na faculdade de medicina de Tzu Chi, em Taiwan, há corpos suficientes até mesmo para distribuir a outras escolas. O motivo é curioso: em Tzu Chi, os cadáveres são tratados com respeito religioso, o que convence os familiares dos mortos a doá-los.

Primeiro, os alunos que vão trabalhar nos cadáveres devem conhecer os parentes do falecido e saber detalhes da vida dele. A partir dessas informações, os estudantes montam uma grande homenagem ao morto, que será feita nas dependências da escola, com a presença dos familiares. O cadáver é considerado o “principal professor” dos alunos.


Para ler o post completo, clique aqui.

Sunday, April 26, 2009

Dizem por aí...

Minha irmã achou em algum canto da internet:

Adriano: Significa o que veio da região da Abria e indica uma pessoa muito ativa mas que costuma oscilar entre os interesses imediatos e os ideais de longo prazo, e isso lhe acarreta dilemas constantes.

Thursday, April 23, 2009

Som "sussa"


Tava vendo o clipe dos caras... bateria marcando a música, de boa... guitarras com notas longas, pra relaxar mesmo... De repente, um baixo acústico. Opa, algo diferente aí! E, não bastando, um clarinete! A estrutura musical é bem tranquila, ótima música de fundo pra ficar curtindo timbres diferentes e espairecer um pouco. Hurtmold é a banda, e o myspace dos caras tá aqui.

Wednesday, April 22, 2009

Miséria serendipitosa


Como Nova York estava cheia de mendigos! Os mais agressivos que eu já tinha visto na vida! Bêbados ou não, agarravam as pessoas, olhavam-nas nos olhos e, vociferantes, obrigavam-nas a lhes dar o que elas não tinham como era o meu caso. Havia um mendigo, o tal da esquina da 23 com a Sétima, que sempre me agarrava. Depois de dois dias, já um pouco mais treinado, bastava vê-lo vindo em minha direção para eu ir logo bradando "FUCK OFF!" (NÃO FODE!). Um dia, em que não só a temperatura mas também minha moral estavam bem abaixo de zero, eu ia andando distraído quando senti alguém me agarrando pelo braço: era ele. Queria porque queria um dime. Baixei os olhos, deprimido. Ao fazê-lo, vi uma nota de cinco dólares aparecendo sob meu pé direito. O mendigo também viu. Mais que depressa apanhei a nota. Aí começamos uma discussão a respeito de quem devia ficar com a nota: se eu, porque ela fora achada sob o meu sapato, ou se ele, porque se ele não tivesse me segurado eu teria continuado meu caminho, passando pela nota sem vê-la. Comecei a ficar constrangido com o círculo de pessoas que foi se formando à nossa volta. Tive uma rápida presença de espírito e decidi repartir os cinco dólares com ele. Entrei numa farmácia e troquei a nota: dei dois dólares ao mendigo e fiquei com três. Afinal, éramos irmãos na miséria.

Antonio Bivar, em Verdes vales do fim do mundo (número 282 do catálogo da L&PM Pocket).

Monday, April 20, 2009

Li por aí

Love is the person you think about during the sad songs.

Sunday, April 19, 2009

ISSO é positivo!


Infelizmente estou longe de estar tão atualizado sobre questões políticas como eu gostaria, e me faltam muitas informações para tecer críticas decentes a respeito do polêmico Chávez. Mas uma coisa ele fez que é louvável: deu de presente para ninguém menos que o presidente Barack Obama um livrinho entitulado As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano. O livro disparou nas vendas da Amazon.

Dar Galeano de presente, a quem quer que seja, é louvável. Fazer com que milhares de outras pessoas descubram o autor é, então, espetacular!

Comentários da Folha sobre o ocorrido, aqui.

Thursday, April 16, 2009

O que fazer com o tempo livre?

Tá, reconheço que a pergunta é ampla demais. Então reformulo: Suponha que você tem um monte de ovelhas, um monte de lâmpadas de natal, e um pasto bem grande. Agora sim: o que fazer com o tempo livre? Aqui vai uma sugestão:



Dica: Patrick

Programe-se


A Virada Cultural deste ano está agendada. Detalhes, aqui.

Tuesday, April 14, 2009

Mundo cão


Ainda não decidi qual é a melhor parte dessa estupenda novidade: o novo cãozinho da casa branca, Bo. Vários itens são fortes candidatos a destaque da vez:

1)Vários jornais terem destacado que o cão "tem pêlo preto mas também partes brancas"?

2)Obama ter dito ao Jay Leno que providenciaria sim um cachorro às filhas, pois tinha sido uma "promessa de campanha"?

3)Imaginar que o colarzinho havaiano que Bo usa na foto tanto divulgada logo será moda por aí?

4)Ver Bo ser anunciado ao mundo como "o Primeiro-Cão" do governo norte-americano?

O que importa mesmo é que sem sombra de dúvidas esse cãozinho terá índices de aprovação maiores que Bush...

Sunday, April 12, 2009

Caminhos da História


As cartas que eram enviadas à Europa no início do século XVI narrando os feitos de Hernan Cortez, em sua conquista do que hoje é o México, poderiam muito bem ser uma peça cômica de segunda categoria, não fosse o pequeno detalhe de retratarem fatos reais. Abaixo, um trecho da carta escrita em Vila Rica de Vera Cruz, a 10 de julho de 1519:

No outro dia pela manhã, vieram até nós alguns índios em uma canoa. Trouxeram milho e algumas galinhas e disseram para que pegássemos aquilo e nos fôssemos de suas terras. O capitão [Hernan Cortez] disse que de nenhuma maneira partiria sem saber o segredo daquela terra, para poder fazer um relato verdadeiro a vossas majestades. Eles reiteraram para que não nos atrevêssemos a entrar em seu povoado e foram embora. Logo que saíram, Cortez determinou a um de seus homens que juntasse duzentos outros e seguisse por um caminho que à noite anterior havíamos visto que dava naquele povoado. Enquanto isso, o capitão embarcou com outros oitenta homens nos bergantins e mais uma vez nos receberam em posição de guerra, apontando suas flechas e mandando que nos fôssemos. Depois de haver requerido por três vezes permissão para descer, o capitão rogou o testemunho do escrivão de vossas altezas reais que consigo levava, dizendo que não queria a guerra, mas diante da determinada vontade dos índios mandava soltar os tiros de artilharia. Com a proteção dos disparos de fogo saltamos a terra e prendemos alguns índios, embora tenham ferido alguns dos nossos. E com o ataque pela retaguarda do batalhão que Cortez mandou pelo caminho que levava ao povoado, dominamos a situação. Os índios fugiram e nós tomamos o povoado, tendo nos instalado na parte que parecia mais forte. No outro dia, como aconteceu na véspera, vieram dois índios, trazendo algumas jóias de ouro, muito delgadas e de pouco valor, e disseram que fôssemos embora, deixando-os em sua terra como antes estavam, sem fazer-lhes mal. O capitão respondeu que, quanto a não lhes fazer mal algum, isto o deixava muito contente, porém, quanto ao deixar a terra, deveriam saber que dali em diante tinham por senhores aos maiores príncipes do mundo, dos quais se tornavam vassalos e aos quais deveriam servir. E se fizessem isso, vossas majestades lhes prestariam muitos favores, amparando-os e ajudando-os a se defenderem de seus inimigos. Eles ficaram muito contentes com isto, mas insistiram em que deixássemos a terra. E assim nos tornamos todos amigos.

NOTA: Após esse surpreendente desfecho, "e assim nos tornamos todos amigos", seguiu-se uma batalha que matou ao menos duzentos e vinte nativos e nenhum dos homens de Cortez. Desses, vinte ficaram feridos, e nada mais. Agora sim, assombrados com os cavalos e com as armas de fogo, desnorteados por perderem tantos dos seus, os índios se sentiram desencorajados a pedir a retirada dos homens de Cortez daquelas terras. E assim se tornaram todos "amigos".



REFERÊNCIA: As Cartas de Relatos de Hernan Cortez estão publicadas pela L&PM sob o título A Conquista do México, sendo este livro o número 450 do catálogo da editora.

Friday, April 10, 2009

O apego


Toda semana Elisa recebe, em seu consultório, Carla, jovenzinha miúda, criança. Carla é dispersa, por vezes briguenta, arredia. Mas com crianças o divã simplesmente não funciona. É preciso brincar com elas, para que sintam-se à vontade, percebam algum laço de amizade e desatem a falar as pistas nevoadas de seu mundo interior. E elas brincavam, e brincavam, e lá se ia a hora da consulta. Ao ir embora, todas as vezes, Carla pedia algo emprestado. Um porta-canetas. Um bloquinho. Um enfeitezinho que estava na parede. Elisa emprestava. Semanas iam passando, e os objetos se revezando. Sempre voltavam: "é só emprestado, pode?".

A curiosidade foi crescendo em Elisa, dividindo-se em problemáticas acadêmicas e mistérios transcendentes. Não consultou as páginas dos saberes convencionais dos criativos pensadores introspectivos. O que explicaria aquele rascunho de cleptomania? Que simbologia estaria por trás daquela impulsiva apoderação do alheio, que sempre se arrependia? Perguntou direto à Carla:

- Menina, por que você sempre pede pra levar alguma coisa emprestada?

- É pra eu ter que voltar!

Thursday, April 09, 2009

Enquanto isso no mercado informal


Fernando está todos os dias pelo centro da cidade, nas cercanias do Teatro Municipal. Ele e sua banquinha de óculos de sol. São diversos modelos que ele anuncia por R$20,00 mas se dispõe a vender até por R$10,00, pra não perder o negócio. Tempos atrás, ia ele contando, faturava-se de R$400,00 a R$450,00 num dia. Isso era Outubro, Novembro, lá em 2008. Hoje em dia tá girando entre R$100,00, R$150,00. "É a crise", explica Fernando. "As pessoas estão segurando, não estão gastando. Tem gente ficando sem emprego. Não tão gastando mais com essas coisas, sabe? O ruim é que o preço do aluguel continua o mesmo!"

Isso se não aumentar, né?

Afinação: teoria e técnica


Estou com vários problemas, vários. O Lá Sustenido ama o Si e odeia o Lá. Tanto é que fica pertinho pertinho do Si, e não há quem o faça mudar de idéia. Subindo mais um pouco, no registro médio (cujo nome certo já me foi apresentado, mas foge da memória nessas horas estranhas da manhã), está o Mi. Mas o Mi não está onde deveria estar. Ele está inseguro, retraído, tímido. Pobre Mi.

E pior: pensei em mandar o clarinete para um lugar onde poderiam dar um jeito nisso:

- Não vamos mexer na afinação sem antes dar uma olhada no sapatilhamento. De repente é o sapatilhamento que está ruim e aí...

Ponto importante: orçaram em R$600,00 a manutenção. Sem chance.

MAS: encontrei um excelente artigo sobre afinação de clarinetes... De repente eu consigo até eu mesmo aprender a dar um jeito nisso. Se não for esse o caso, ainda assim é um ótimo artigo para entender um pouco mais do assunto, e está traduzido para o português! O artigo está aqui.

Tuesday, April 07, 2009

Celebração do Riso

E de tudo o que José Luis aprendeu de seu pai, isso foi o principal:

- O importante é rir - ensinou-lhe o velho. - E rir juntos.

Thursday, April 02, 2009

Crise! Abandonar Navio!!!


Pois é. Num momento de crise, fica caro manter o barquinho de luxo... E, no momento do desespero, a saída às vezes é simplesmente abandoná-lo... Mais informações, aqui.

Wednesday, April 01, 2009

Descoberta

Descobri uma coisa ontem... Sabe quem toca sax soprano? Quem, quem? O jornaleiro da banca que tem na Rio Branco, ali já quase no largo Paissandú. Pois é... Ele fica lá, no banquinho, no seu cantinho do "caixa", e enquanto as pessoas vão folheando as coisas, pensando se levam ou não esta revista, aquele jornal, lá vai ele estudando escalas, tirando umas músicas, treinando técnicas e melodias... Aplausos!

Sunday, March 29, 2009

a física em pessoa

O que vale a minha vida? No fim (não sei que fim)
Um diz: ganhei trezentos contos,
Outro diz: tive três mil dias de glória,
Outro diz: estive bem com a minha consciência e isso é bastante...
E eu, se lá aparecerem e me perguntarem o que fiz,
Direi: olhei para as cousas e mais nada.
E por isso trago aqui o Universo dentro da algibeira.
E se Deus me perguntar: e o que viste tu nas cousas?
Respondo: apenas as cousas... Tu não puseste lá mais nada.
E Deus, que é da mesma opinião, fará de mim uma nova espécie de santo.


Caeiro, claro.

Saturday, March 28, 2009

Milagres da humanidade

Se você é do tipo que se contorce ao ver um machudadinho na testa de alguém, não veja esse vídeo. Você vai achar que ele é repugnante e aflitivo demais. Mas se você sabe se controlar e avaliar as coisas com calma, veja. É chocante, é repugnante, é inacreditável, você pode dizer que é nojento e monstruoso. Mas é milagroso e ao mesmo tempo algo poético, épico... Mostra um estágio da humanidade em que somos capazes de dar o direito à vida até mesmo aos mais improváveis viventes. Mostra quanta determinação e fé uma mãe é capaz de manifestar. Mostra que pessoas que continuam seguindo em frente, "against all the odds", eventualmente acabam indo muito além de qualquer expectativa. Eu estou impressionado...



PS: Dica da Bianca, minha amiga que conheci por longos 3,7 segundos, mais ou menos... rssrrssrsr

Friday, March 27, 2009

Talento!

Até uns minutos atrás, eu nem sabia que existia qualquer pessoa na Terra a atender pelo nome de Badi Assad. Já sou fã.

No primeiro vídeo uma incrível versão de um grande clássico, para a apreciação de todos.

O segundo é uma curiosidade... Ela falando um pouco do uso de harmônicos no violão. Esse escolhi porque minha dear sister adora harmônicos, que eu sei. Aproveite!



Wednesday, March 25, 2009

Receitas para um ótimo dia

(ou "compêndio do cotidiano")

- Acordar bem cedo
- Tomar um bom café da manhã
- Ter tempo de ver um jornal
- Ouvir pelo menos uma música bem animada, do começo ao fim, como "Land of 1000 dances"
- Não se atrasar pro trabalho/aula (atrasar deprime)
- Falar com pessoas aleatórias no caminho, de qualquer faixa etária
- Ler algo bem legal no ônibus, trem, ponto de ônibus
- Comer bem
- Comprar algo estranho, barato, que não tem a menor importância mas é engraçado
- Tudo correr bem no trabalho
- Ganhar caronas de pessoas até então desconhecidas
- Chegar em casa a tempo de fazer algo interessante antes de desmaiar de sono

Sunday, March 22, 2009

Nous si verstehen Sie a lot, visse?

O Soulseek é um excelente programa para troca de arquivos pela internet. Além de permitir que você veja todas as pastas compartilhadas de um determinado usuário e faça downloads de pastas inteiras, permite também que você troque mensagens com os outros internautas. A missão do dia hoje era atender um pedido da minha irmã: conseguir alguma coisa do jazzanova e também as sonatas para cello de Chopin e Cesar Franck. Maravilha. Achei. O usuário que tinha essas raridades atende pelo nick de juanitocolinos. Comunicativo que sou, não resisti e fui lá puxar um papo e agradecer ao cara...

[15:10][AAxel] hi! speaks english?
[15:11][AAxel] oi! fala português?
[15:12][juanitocolinos] hola, i try to speak english, but i speak spanish


Bom, eu NÃO sei nada de espanhol... Mas o importante é nos comunicarmos, não é mesmo? Lá fui eu, sem gastar um segundo sequer com dicionários ou tradutores online:

[15:14][AAxel] tu tiene "good" musica!
[15:15][AAxel] I am downloading jazzanova and cesar franck
[15:15][AAxel] :)
[15:15][AAxel] gracias


E veio a resposta:

[15:16][juanitocolinos] danke, mon ami!

Thursday, March 19, 2009

Boa pergunta!

Com a palavra, Brillat-Savarin:

You first parents of the human race... who ruined yourself for an apple, what might you have done for a truffled turkey?

E, no clima de citações, e para não perder a deixa de um recente fim de era Bush, ninguém menos que Groucho Marx:

Military justice is to justice what military music is to music.

Admita: contundente!

Tuesday, March 17, 2009

Dois já foram!


Que tal trocar cartões postais com pessoas aleatórias ao redor do mundo?

Eu, é claro, não resisti... Fiz minha inscrição há pouco mais de um mês, recebi uns endereços e enviei uns cartões. Dois já chegaram, acabei de receber a confirmação! Em breve receberei uns também, sei lá de onde!

Para participar, clique aqui.

Monday, March 16, 2009

Colóquio metafísico

Seguia o palestrante:

- Temos que reconhecer nossos pontenciais escondidos! Com minha mente, por exemplo, tenho até o poder de ficar invisível!

- Pois sinta-se à vontade!, encorajou o cético impaciente...

Sunday, March 08, 2009

O mundo é bom

Eu vez outra fico pensando sobre os problemas do mundo, tentando fazer algum paralelo entre os problemas pessoais e as "macro-questões", e etc...

Mas tem hora que me deparo com certas coisas que tornam qualquer possível problema um mero esforço de abstração. Coisas que enchem a gente de uma sensação do tipo "o mundo é bom!". Com vocês, Aziza Mustafa e Bobby Mc Ferrin:



Essa igreja...

Dom José Cardoso Sobrinho é arcebispo de Olinda e Recife. Por aquelas bandas, há uns dias, aconteceu esse bizarro caso em que uma menina de nove anos, após ser estuprada pelo padrasto, engravidou de gêmeos. Para uma menina de apenas nove anos, certamente tratava-se de uma gravidez de risco, e procedeu-se com uma operação de aborto. Dom José Cardoso Sobrinho ficou horrorizado. Aborto é um atentado contra a vida. Segundo o Estadao, Dom José Cardoso Sobrinho disse que o aborto é mais grave do que o crime de estupro e pedofilia cometido contra a menina.

Quanto à pedofilia, não me espanta. Nada mais esperável do que a igreja não julgar essa falta como algo assim tão grave. Força do hábito. Mas, com relação ao estupro, confesso ter ficado surpreso. Será também força do hábito?

Entendo a preocupação com a vida do feto. Dos fetos, nesse caso. Queria é entender em que momento devemos esquecer da vida da menina de nove anos, que já está aí, vivinha... Será que a igreja faz uma conta simples? A vida de dois fetos contra a vida de uma única menina: dois contra um. Ou será que confia-se em Deus para o sucesso da concepção de risco? No primeiro caso, seria uma séria falha da razão ao enfatizar demais um único lado da questão, e no segundo caso um acidente metafísico na interpretação do mundo. Se Deus existe ou não é algo discutível, embora sempre em discussões inconclusívas. O que está acima de discussão é que há leis muito bem estabelecidas aqui neste mundo, que pode ser Dele ou não, não importa. E esse regular andar da carruagem nos permite ter muita certeza de que essa gravidez tinha enormes chances de levar a menina à morte.

Mas acho que isso tudo não exige muita discussão... A igreja sempre trabalhou muito bem para minar todas as oportunidades de razoabilidade que o acaso lhe oferece. Acontece que tem mais essa aqui. Aqui no Brasil, excomungaram a mãe da menina e os médicos que procederam o abordo.

Minha primeira questão, e deixo claro que é só especulação, não estou bem informado a respeito: excomungaram também o padrasto, o estuprador?

Minha segunda questão: alguém perguntou aos excomungados se eles se importam? A igreja anda tão incapaz de se reservar ao seu papel de reflexidade metafísica sobre a existência e a moral de forma não danosa à vida humana, e vem reincidindo em falhas desse tipo há tantos séculos, que eu teria o maior orgulho de ser excomungado! Que alívio maior existiria para alma do que saber que as forças do mal oficialmente o declararam um "não-igual", "não-membro"?

Bem aventurados os excomungados, pois deles é o reino dos céus. Ou, no mínimo, a paz na Terra, o que, convenhamos, já não é pouca coisa...

Saturday, February 07, 2009

Só um nome...

Acabei de ouvir... e segundo o google, é verdade...

Existe um cara em nosso país que, por força das paixões musicais de seu pai, foi batizado de... Iron Mendes!!! Justamente... não é fantástico?

E, segundo o Orkut... não é apenas um... Há VÁRIOS deles!!!

Dos tipos de liberdade


Não existe apenas um tipo de liberdade... Podemos pensar a liberdade em dois campos distinto:

- Liberdade das atitudes

- Liberdade dos pensamentos

É comum que as pessoas se concentrarem demais na construção da primeira, sem contudo exercitar a segunda. A liberdade de pensamento é, contudo, ainda mais fundamental!

Wednesday, January 28, 2009

Dos méritos da mente viva

Relata Confúcio nos seus Analectos:

O Mestre disse: "Merece ser um professor o homem que descobre o novo ao refrescar na sua mente aquilo que ele já conhece".

Onde fica clara a importância dada à capacidade criativa da mente. Note que nenhum grande juízo de valor foi feito sobre o algo "novo" que é descoberto... De modo que é a criação, em si, o que importa, a capacidade de ver coisas novas no que se apresenta como pronto.

Thursday, January 22, 2009

Tolerância

O Adrianismo, como já foi falado há duas semanas, é uma religião que admite apenas um adepto: eu! Não fique triste... Se está com inveja, crie sua própria religião.

O bom de ser uma religião com um único fiel é que a necessidade de ampla tolerância fica mais evidente... Ou é guerra contra todo o Mundo ou então vamos viver num ambiente de tolerância.

E se é pra haver uma tolerância assim tão ampla, sugiro até abandonar a palavra "tolerância", que tem uma conotação lá algo negativa (tolera-se algo pelo que se tem repulsa mas que não se deve evitar por completo, não é?). Assim, não acho que deve existir Tolerância Universal... Acho que deve existir algo mais que isso... No Adrianismo, prega-se a Admiração Universal...

E onde não existe a Admiração, ao invés de dar vazão aos impulsos interiores de rejeição e hostilidade, deve-se fazer um esforço de crescimento espiritual para descobrir quais os méritos escondidos naquilo que lhe é alheio. A Admiração é sempre possível.

Tuesday, January 20, 2009

O limite final...


Gosto da madrugada para várias coisas. Dentre tantas, gosto de ler no meio do silêncio sem fim da madrugada, eventualmente ao som de alguma das músicas da minha comprometedora mp3teca. E, pensando bem, acho que a madrugada gosta que eu me dê às leituras assim... Tanto é que vez ou outra me presenteia com maravilhosas surpresas. Não se deixem enganar pelo tom emotivo: não, não achei a poesia definitiva ou o conto derradeiro. Pelo menos não até agora. Achei mesmo foi uma preciosa coleção de comentários sobre um assunto de primeiríssima importância (desde que você já esteja devidamente abrigado, alimentado e saudável): os limites absolutos do conhecimento.

Em maio de 1994 um workshop foi realizado pelo Santa Fe Institute, com o tema Limits to Scientific Knowledge. Ao final do evento, os participantes concordaram que a conversa deveria continuar. Concordaram também em enviar, cada um, uma página com suas opiniões pessoais sobre o tema. O documento que reúne esses diversos comentários pode ser acessado nesse link. Adoraria comentar mais longamente, já agora, diversos pontos dos comentários. Mas depois de meia madrugada lendo, ocorre que me vem à mente essa ótima idéia: dormir um pouco. Boa noite!

Friday, January 16, 2009

Links da semana



CIÊNCIA:
Sinal cósmico de origem desconhecida
Seleção sexual e sentimentos


CURIOSIDADES:
Fantasma impede assalto na Malásia
O que aconteceu com os piratas da Somália?
A quantas anda o buraco do metrô

Conceitos de beleza

A essência de toda arte é ter prazer em dar prazer.
Mikhail Baryshnikov

Pense grandes pensamentos, mas viva as pequenas emoções.
H. Jackson Brown

The art of pleasing consists in being pleased.
William Hazlitt

Variety of mere nothings gives more pleasure than uniformity of something.
Jean Paul Richter
The essence of all art is to have pleasure in giving pleasure.

Frequentemente escuto opiniões críticas a diversos tipos de expressões artísticas... Textos, músicas, etc... O fenômeno que vou comentar aqui acontece em todas as áreas, mas tenho a impressão de que é mais pronunciado no meio musical... Você já ouviu comentários do tipo:

- Nossa, uma droga o solo daquele cara! Guitarrista mesmo é o Joe Satriani, Kiko Loureiro...

(se não gostou dos nomes acima, troque pelos que você considera "realmente" bons).

- Cara... não vi nada de mais nessa música aí... Tudo simples, eu poderia ter feito bem mais que isso! (comentário típico de quem estudou música por muito tempo e toca muito bem algum instrumento)

- Ah meu, para com isso! Isso não é nada elaborado, é uma porcaria! Banda X, artista Y, Sei-Lá-Quem Z são muito melhores! (comentário típico de quem "tem cultura e erudição" e está acima da arte mundana...)

Escuto essas críticas todas e não tenho autoridade para dizer que essas pessoas estão "erradas"... Mas como minha tendência estética mais à flor da pele é a de criticar somente os críticos, e mais nada, vamos lá...

Algo elaborado demais, como uma música muito difícil de ser tocada, que exige anos de prática em um determinado instrumento, que só um punhado de virtuoses no mundo consegue executar... é necessariamente algo belo? Algo simples, que, uma vez feito, qualquer criança consegue rapidamente aprender a tocar, é inerentemente "inferior"? Creio que trata-se aqui de uma simplificação grotesca da realidade, ou ao menos de um fechar de olhos que priva um número grande de espectadores do mundo de espetáculos realmente maravilhosos. Defendo que o grande mérito artístico está em encontrar a beleza na simplicidade. Você pode ver uma música e pensar: "é muito simples, posso tocá-la já, de ouvido!". E talvez seja o caso... Mas se ela for BELA... então quem a escreveu é realmente um gênio... É preciso treinamento e prática para fazer coisas elaboradas. Mas é preciso um golpe de mestre para esculpir beleza em idéias simples...

Outro ponto de minhas concepções estéticas em que normalmente estou em discordância com a maioria das pessoas em minha volta é o seguinte: nada obriga à apreciação da arte de forma "ranqueada", hierarquizada de acordo com referências mundiais. A arte é um veículo para experiências de felicidade ou de exacerbação de perspectivas emocionais... Diminuir a suscetibilidade às manifestações artísticas apenas para criar uma imagem de "elevada erudição e elevado gosto estético" é então não mais que uma forma muito eficiente de deixar a própria vida muito sem graça às custas de uma imagem que só vai ser valorizada por outros chatos à altura. Beethoven, Mozart, e tantos outros, escreveram obras fenomenais, sublimes... Mas não é por conta da magnitude do feito desses que não vou me divertir até não poder mais com um batuque improvisado no vagão de trem, na volta pra casa (coisa que aconteceu semanas atrás)...

Críticas à arte, a qualquer forma de arte, dizem respeito à qualidade do trabalho artístico em si, enquanto tal... Mas na medida em que a função da arte é a promoção de alguma espécie de estado subjetivo, é profundamente reveladora a completa desconexão entre a arte em si, e a experiência subjetiva dela derivada. Arte elaborada e elevada pode levar a experiências deploráveis e medíocres, ao mesmo tempo que arte "medíocre e deplorável", sob a ótica de critérios esclarecidos e objetivos, pode levar aos mais invejáveis extremos emocionais.

Entre uma elevada erudição cheia de conceitos clássicos e hábil na arte de uma avaliação precisa e aguda dos detalhes da arte, e uma experiência emocional intensa frente ao prazer da expressão artística, fico com essa última, sem hesitar nem um pouco!

Não se iludam... Não estou defendendo a baderna sobre eventos organizados... Estou defendendo que a avaliação da complexidade é algo separado da avaliação da qualidade, e que esta última deve ter como foco principal o resultado final, que é a emoção humana (própria e dos outros ao redor). Paralelamente, estou defendendo que fechar os olhos a um enorme número de expressões artísticas existentes por aí por uma pretensa preferência a algo "superior" não traz benefício algum, apenas limita substancialmente as oportunidades viáveis para uma boa dose de divertimento e reduzem, portanto, as chances de uma vida feliz. Muito estudo e preparo pode levar a resultados assombrosos... Mas não é um simples acaso o fato de que as pessoas ligadas aos maiores feitos da criatividade humana compartilhavam um traço comum: eram apaixonadas pelo que faziam!

Thursday, January 15, 2009

Da beleza das coisas

O peregrino sabe que todas as coisas materiais são neutras, nem boas e nem más. E sabe que não existe bom e mal absoluto, mas sim apenas a alegria e tristeza interior e a alegria e tristeza do outro. O peregrino, diante das coisas, sabe escolher os usos e leituras que levam à alegria e ao bem.

Monday, January 12, 2009

Entendendo as micaretas


Ano novo, tags novos, como já vocês já veem percebendo(vêem? ... não não... apenas veem...). Aliás... Estou ainda totalmente por fora das novas normas do Português (Portugues? Sei lá!) Vou ter que estudar isso com calma... e até lá, continuo gramaticalmente ilhado em meados de 2008, periodo confortável em que minhas tremas reinavam tranqüilas! Sem mais delongas, o tag da vez: "Fichamentos", onde vou tagarelando um pouco sobre minhas leituras da semana.

E nesta semana retomei a leitura de uma das seis edições da revista Tempo Social que tenho, impressas, em minha coleção. (Quem quiser acessar as edições digitais, basta procurar aqui no SciElo) Li o interessantíssimo artigo de Benoit Gaudin, entitulado: "Da mi-carême ao carnabeach - história da(s) micareta(s)".

Se você pensa que as micaretas são festas modernas, que surgiram espontaneamente depois que você fez 14 anos e seu pai começou a deixar você viajar pra Porto Seguro com o pessoal do colégio, engana-se! A gênese das micaretas volta na história até o tempo em que as relações culturais Brasil-Europa ainda eram muito mais estreitas do que atualmente (talvez seja mais apropriado dizer que eram muito mais unilaterais), e a abolição da escravidão ainda estava por vir.

No final do século XIX, comemorações carnavalescas ainda eram basicamente festas à moda européia, voltadas à elite da sociedade. A abolição da escravidão finalmente permitiu que um forte componente da cultura africana fosse inserido nessas festas, tanto no âmbito musical como na vestuária e mesmo nos costumes festivos. O termo que iria evoluir para a versão atual vem de "mi-carême", do francês, que significa "meia-quaresma". Em 1914, já num processo de abrasileiração, a mi-carême passou a ser encarada como um "carnaval fora de época".

Interessante é que nessa mesma época o carnaval de Salvador vinha entrando numa fase de maré baixa, muito desanimada, em boa parte devido à "repressão policial contra as formas culturais e religiosas de origem africana". A própria mi-carême fora transferida para um domingo posterior à Páscoa, para evitar problemas com a igreja, e com isso também "perdeu o sabor, ameaçando morrer".

Como então a micareta renasceu? Se forças culturais e inércias sociais são forças inegáveis a balizar o curso da história, o renascimento das micaretas vem nos lembrar do papel imprescindível do acaso, da aleatoriedade mesmo, na definição de uma história particular dentre todas as histórias possíveis... Explico! Na década de 30 do século XX as grandes cidades polarizavam as festas carnavalescas. Feira de Santana, localizada ao lado de Salvador, era praticamente esvaziada na época do carnaval devido às "migrações festivas". Quem realmente queria aproveitar o carnaval abandonava a cidade e se dirigia a Salvador.

[...] em 1937, uma chuva diluviana impediu que o carnaval fosse comemorado normalmente e os foliões feirenses, inconformados e frustrados, decidiram postergar os festejos momescos, realizando-os algumas semanas depois da data convencional. O sucesso do primeiro "carnaval fora de época" feirense que surgiu dessa decisão foi tal, que a festa se repetiu nos anos seguintes e tornou-se a mais animada do ano, eclipsando o próprio carnaval que, a partir de então, deixou totalmente de ser celebrado.

Em 1949 outro evento marcante: "dois eletrotécnicos e músicos de Salvador, Osmar Macedo e Antônio Adolfo do Nascimento (o Dodô), inventaram o que mais tarde seria o trio elétrico: em 1949, ainda não se falava de trio mas sim de dupla elétrica, pois os dois se apresentavam sós, tocando num carro aberto (um velho Ford Fobica de 1929), com suas guitarras baianas (também invenção deles) ligadas na bateria do carro."


Daí pra frente a coisa toda foi evoluindo de forma razoavelmente orgânica... A "dupla elétrica" evoluiu para trio elétrico, o carro foi substituído por caminhão, o termo "trio elétrico" passou a ser confundido mais com o caminhão em si do que com os artistas musicais que se apresentavam sobre ele... Inicialmente, as apresentações eram abertas, ocorriam pelas ruas, e eram custeadas pelas prefeituras das cidades e também por empresas de bebida, porém os trios elétricos foram ficando cada vez mais caros, até que evoluíram para eventos fechados, que permitiam cobrar diretamente dos "foliões" uma taxa determinada.

Curiosidade: "O abadá só foi criado em 1992, e sua criação é reivindicada pelo bloco de trio Eva".

Concluindo... Gostei muito de ler esse artigo, em primeiro lugar porque sua profundidade analítica faz saltar aos olhos a importância do que posso chamar de perspectiva histórica, ou seja, a ampliação de olhar gerada pela consideração da história de um fenômeno, ao invés da simples apreciação fria de seu aspecto atual. Pude ver ao longo do artigo como as forças presentes no substrato cultural baiano escorreram ao longo da história, com seu curso sofrendo desvios por força do acaso ou do conflito com outras forças também presentes, levando pequenos eventos isolados a compor o que hoje pode ser considerado uma grande instituição, uma organização estabelecida. Assim, paralelamente, essa perspectiva história nos abre os olhos para a dimensão escondida de eventos que hoje nos parecem pequenos, isolados e insignificantes, mas que guardam em si um potencial inimaginável para estruturar algo maior no futuro.

Em segundo lugar, a leitura do artigo foi interessante por constituir um exemplo claro de fenômeno de emergência, entendendo aqui emergir no sentido de surgir. Os atores que compõe o fenômeno como um todo não estão planejando toda a seqüência histórica que suas ações localizadas, microscópicas, os fará descrever. Embora exista uma lógica inteligível no processo de crescimento do fenômeno "micareta", principalmente em sua profissionalização a partir dos anos 50 com o advento do trio-elétrico, salta-me claramente aos olhos uma espécie deirracionalidade subjacente de seus agentes ao longo das décadas.

REFERÊNCIA: GAUDIN, Benoit. Da mi-carême ao carnabeach - história da(s) micareta(s). Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 12(1):47-68, maio de 2000.

Thursday, January 08, 2009

Surge uma nova religião


Já tem muitas religiões no mundo, eu sei. Mas nenhuma me agrada por completo, de modo que vou fazer a minha própria.

E como todas as religiões enfrentam problemas devido ao excesso de fiéis, minha religião admitirá apenas um adepto, não mais! Finalmente, como obviamente esse único adepto serei eu mesmo, nada mais apropriado que chamar essa nova religião de Adrianismo.

Que fique bem claro... Não é Narcisismo, é Adrianismo! Não é Egocentrismo... É Adrianismo!

De tempos em tempos, surgirão aqui os aforismos, paródias, mandamentos e parábolas do Adrianismo... Toda religião precisa dos seus, não é?! Até lá!

Sunday, January 04, 2009

Escoamento laminar



O vídeo mostra de uma forma muito interessante a natureza do escoamento laminar, em baixos números de Reynolds. Queria saber se é fácil reproduzir com qualquer fluido (água...), ou se requer algo especial... pois não parece ser uma experiência complicada de fazer...

A sugestão do vídeo foi do Paulinho, via Orkut.

Saturday, December 27, 2008

Que venha 2009!


Não não, não vou abandonar o Blog só porque estou saindo de viagem... É hora da última postagem do ano, num teminha nada surpreendente mas mais que bem-vindo: o ano novo. Se 2008 foi surpreendente, 2009 promete ser uma reviravolta completa! Não faço listinhas de promessa de ano novo ou muitas elocubrações sobre o que está por vir... O negócio é descobrir 2009 na prática... =D

Tuesday, December 16, 2008

Questão muito metafísica



Dormir... Quem precisa disso? Pra quê?

Friday, December 12, 2008

Nunca diga "não posso"

Vídeo imperdível:



Dica da minha honorável e lovely little sister. Bjo sisteeeeerrrrrrrrrrr!

Wednesday, December 10, 2008

... o jeito...

Monday, December 08, 2008

Sociodinâmica da irracionalidade


Suponha que você é um matemático ou um físico (é uma suposição apenas, não fique triste!), e deseja modelar a queda de objetos. Logo (ou não tão logo) você descobrirá que a resistência do ar impõe complicações consideráveis às suas equações. Vamos ser práticos então... Basta escrever em algum canto: "desprezando-se a resistência do ar...", e continua-se trabalhando numa boa. Consegue-se assim isolar parte da realidade e isolá-la como se fosse independente do resto. Com efeito, muitos dos resultados a que se chegam são válidos, tanto é que servem perfeitamente para descrever o comportamento de naves especiais e afins (em um ambiente onde, efetivamente, não existe atrito com o ar para atrapalhar a coisa toda). Contudo, deve-se lembrar que as conclusões a que se chegam após certas simplificações não são válidas para todo o campo da realidade. Um corpo solto na atmosfera não cai com aceleração constante: eliminar o atrito com o ar das equações não o elimina dos fenômenos que nos cercam!

Mas coisas caindo pelo ar não são o que me interessam no momento. Quero falar é de uma outra área onde o procedimento de modelar a realidade assumindo uma infinidade de simplificações de modo a construir algo passível de análise é muito mais despudoradamente empregado: a sociologia. A primeira parte do famoso "Leviatã" de Hobbes é chamada "O Homem". Nesta seção o pensador tece seu modelo ideal. Não é, de modo algum um tratado científico com pretensões de descrever como o homem REALMENTE é, e eu me espantaria se descobrisse que o autor teve essa intenção (estaria tão enganado...). É apenas uma formalidade necessária ao procedimento de análise, é porção do raciocínio do autor que alerta: "vou assumir que os homens são ASSIM, e vou basear minhas conclusões em cima desse modelo com todas as simplificações e aproximações que estão aí implicadas!".

É inevitável que se proceda dessa forma. Assim como nas análises sujeitas à resistência aerodinâmica, as análises sujeitas a toda sorte de variações sociais é por demais "intratável". Não obstante, precisamos de um norte para saber "para onde estamos errando". Quando eu calculo o tempo de queda de uma bolinha de papel sem levar em conta a resistência do ar, o resultado será uma superestimativa ou uma sub-estimativa do tempo real, dadas as simplificações feitas? Quando avalio a importância da educação, dos esportes, dos investimentos em infra-estrutura, quando reflito sobre os perigos de regimes ditatoriais, quando tento estimar as chances de auto-destruição da humanidade ou quando vislumbro o triunfo da razão científica sobre a cegueira dogmática, qual erro estou cometendo?

Estou pra descobrir algum tipo de interação social, que seja no âmbito pessoal ou no âmbito das interações institucionais, que seja plenamente condizente com a "hipótese do agente racional". Sabemos por evidência antropológica direta que o homem no estado de natureza não é selvagem e perigoso como assumido por Hobbes, e sabemos também que as instituições modernas não emergem de um "acordo de cavalheiros", um contrato social feito no dia em que as pessoas sentaram em círculos em volta da fogueira, ponderaram sobre as possibilidades que tinham em mãos e concluiram sobre as melhores atitudes a tomar dali adiante. Essas historietas produzem uma coerência discursiva que é extremamente agradável à nossa mente sedenta de explicações, mas nem por isso são verdadeiras.

Em 14 de julho de 1789 ocorreu a queda da Bastilha. Em 7 de setembro de 1822, num pity histórico, Dom Pedro proclamou a república no Brasil. Em 29 de agosto de 1958 nascia na cidade de Gary, Indiana, um jovem chamado Michael Jackson. E em 25 de abril de 1983 nascia em São Paulo um pequeno notável chamado Adriano Axel. E em que dia da história foi assinado esse tal de Contrato Social? Santana, Janis Joplin e Joe Cocker estavam presentes no Festival de Woodstock. Benjamin Franklin, Thomas McKean e Thomas Jefferson são alguns dos signatários da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Quem são os signatários do famoso Contrato Social? Em que museu está o tal documento? Ou então, antes que critiquem o exagero de minha incompreensão desta abstração analítica, como pode uma nação realmente se estruturar sobre uma Constituição assinada por algumas dezenas, sendo constituída por milhões e milhões de habitantes que não fazem a menor idéia de qual é o conteúdo do texto constitucional?

A realidade é profundamente diferente dos modelos que temos. E, no que se refere às teorizações sobre os nossos modelos sociais, não sei se há uma idéia clara sobre "para onde estamos errando, se para mais ou para menos". Só sei que desconfio mais e mais de explicações plausíveis demais, pois essa plausibilidade implicitamente assume uma racionalidade nos bastidores, coisa que as evidências, seja na História das Grandes Potências Internacionais, seja na imbecilidade escandalosa do meu Professor de Administração, colocam seriamente em dúvida.

PS: Depois explico mais sobre a imbecilidade do meu Professor de Administração. Infelizmente meu dia não é infinito e esse post já ficou grande demais segundo a métrica blogueira convencional.

Saturday, December 06, 2008

Abençoada seja...

...a falta de pudores!!

PS: Agradecimentos pela sugestão à minha dear priminha Alê!

(óóóhhhh!)

Friday, December 05, 2008

Ficou até bacana, mas...



Mas não tá certo. É isso aí. Um tempão fazendo um casco bem style para depois ter o estalo de que o excesso de capricho foi em vão, por conta de detalhes técnicos inconvenientes. Quero dormir...

Thursday, December 04, 2008

Diplomacia turística



- Excuse me, do you speak English?

- Actually I do, when I have to... Like right now, it seems...

- !!!

- Where you goin?

- Humm... PurrráÇã Da Rëpúbik?

- Praça da República! Sure! I'll lead you there!

Monday, December 01, 2008

Olhe sempre o lado bom!

Always Look on the Bright Side of Life (from Monty Python)
words and music by Eric Idle



Some things in life are bad
They can really make you mad
Other things just make you swear and curse.
When you're chewing on life's gristle
Don't grumble, give a whistle
And this'll help things turn out for the best...

And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...

If life seems jolly rotten
There's something you've forgotten
And that's to laugh and smile and dance and sing.
When you're feeling in the dumps
Don't be silly chumps
Just purse your lips and whistle - that's the thing.

And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...

For life is quite absurd
And death's the final word
You must always face the curtain with a bow.
Forget about your sin - give the audience a grin
Enjoy it - it's your last chance anyhow.

So always look on the bright side of death
Just before you draw your terminal breath

Life's a piece of shit
When you look at it
Life's a laugh and death's a joke, it's true.
You'll see it's all a show
Keep 'em laughing as you go
Just remember that the last laugh is on you.

And always look on the bright side of life...
Always look on the right side of life...
(Come on guys, cheer up!)
Always look on the bright side of life...
Always look on the bright side of life...
(Worse things happen at sea, you know.)
Always look on the bright side of life...
(I mean - what have you got to lose?)
(You know, you come from nothing - you're going back to nothing.
What have you lost? Nothing!)
Always look on the right side of life...

Saturday, November 22, 2008

Cadeias de acordes


Devido à matéria de Processos Estocásticos, que estou cursando nesse semestre, tenho que estudar cadeias de Markov. O contexto em geral é o de aluguel de carros em locadoras com múltiplos pontos de atendimento, ou de navios operando em rotas de cabotagem com suas centenas de conteineres, ou então simplesmente a análise de filas do que quer que seja... Resumo: você não morre de emoções nessa aula.

Mas, fussando na net em busca de um material melhor, descobri outras aplicações interessantes para a tal cadeia de Markov... Há aplicações em diversas áreas. Quando estava fazendo meus primeiros estudos, ainda no problema da locadora de carros, notei que minhas análises de equilíbrio levavam a gráficos completamente análogos a gráficos de reações de equilíbrio químico. Sim, cadeias de Markov também podem ser aplicadas à análises químicas!

Não bastando isso, achei o mais interessante: uso na música!

Agora deixem-me tentar esclarecer como a coisa toda funciona... Cadeias de Markov nada mais são do que conjuntos de previsão para o estado futuro de um sistema, em termos probabilísticos, baseando-se no estado atual e, eventualmente, também em alguns estados passados. No caso dos tediosos exemplos com fila, uma cadeia de Markov diz qual é a probabilidade de que a fila aumente ou diminua dado o número atual de pessoas nela (seu estado). No caso musical, portanto, uma cadeia de Markov diz qual é a probabilidade de que, por exemplo, a próxima nota musical seja um Lá dado que a atual é um Sol. Vamos a alguns dos materiais disponíveis na net...

Digital Music Programming II: Markov Chains - Aqui estão os conceitos básicos para a criação de músicas a partir de cadeias de Markov, com uma grande vantagem: o código fonte de um programa está disponível!

Modeling Music as Markov Chains - Composer Identification - Neste trabalho de Yi-Wen Liu, de Stanford, são estudadas cadeias de Markov de primeira ordem para a distinção entre diferentes compositores. Como as cadeias serão usadas para avaliar uma obra ainda "desconhecida" pelo algoritmo, é óbvio que os resultados não serão exatos, de modo que a distinção será baseada na identificação da matriz que corresponde a um menor desvio. Assim, uma métrica para desvios é proposta.

Markov Chains as Tools for Jazz Improvisation Analysis - David M. Franz não deixou barato. Jazz, John Coltrane, solos e cadeias de Markov de terceira ordem. Com um escopo tão grande, é claro que não se trata de um simples paper... Esta é uma tese completa que com suas detalhadas 92 páginas é uma leitura mais que recomendada para um melhor entendimento dessa área.

Granular Synthesis of Sounds Through Markov Grains with Fuzzy Control - Novamente focando-se na área da criação musical, este paper faz uso de um processo chamado de "síntese granular". Os grãos podem ser entendidos como "pacotes" com elementos mais detalhados em seu interior. Assim, as cadeias de Markov selecionam uma sequencia de grãos, enquanto uma lógica fuzzy define o conteúdo de cada grão. Um dos autores desse trabalho é Adolfo Maia Junior, da UNICAMP. E daí? E daí que pode-se tirar dúvidas em português com ele ou até arranjar uma conversa, com muito mais facilidade, caso você queira entender mais desse trabalho.

Esse post vai terminando por aqui, mas de modo algum o assunto... Há muito mais para fussar e para entender na net de trabalhos feitos nessa área. E depois, claro, há muito o que brincar com programinhas próprios também...

Friday, November 21, 2008

Esse orkut é de um sarcasmo...

Oroscopo del giorno: Il buonumore rende tutto più tollerabile

justo hoje, justo hoje!!!

Da prisão a Princeton

Quando Abass Hassan Mohamed nasceu na Somalia em 1982, seu pai celebrou o evento com uma variação no tradicional ritual somali. Ao invés de amarrar o cordão umbilical a uma cabra ou a um maço de dinheiro - na esperança de que a criança viria a prosperar quando crescesse - Hassan Mohamed Abdi amarrou o cordão a um livro e o enterrou próximo a uma escola. "Um livro e uma caneta. Eu fiz isso para todos os meus filhos", diz Abdi, um homem barbado de ascendência real. Ele estava convencido de que sua prole, membros de uma tribo minoritária e ignorada, precisaria de uma forte educação para conquistar o próprio caminho pelo mundo.

O trecho acima é uma livre tradução minha. Para ver a reportagem completa, em inglês, clique aqui.

Tamboritau


Ontem saí de casa lá pelas 10 da noite. Aproveitei a brecha de um feriado jogado na quinta-feira e fui lá ver essa tal de banda "Tamboritau" da qual o Barna vinha falando e que tanto empolgou minha irmã semanas atrás.

Saí de lá com a sensação de que o Barna e minha irmã estão com um parafuso a menos e que perderam o senso...

Claro! Pois deveiram ter insistido muito mais para que eu tivesse ido já semanas atrás ver esses caras... Tamboritau é esse tipo de coisa boa que só pode surgir no Brasil... Músicos independentes, apaixonados pelo que fazem, cheios de criatividade, apresentando arranjos elaborados misturando uma gama enorme de elementos e ao mesmo tempo visivelmente se divertindo horrores enquanto tocam. Não que fora do Brasil não existam músicos assim. Mas com a mistura de ritmos fortes e arranjos intensos trazidos pelo Tamboritau... não. A inclusão do berimbau em várias músicas não segue o tradicional uso do instrumento em músicas que querem ser "culturais" e adicionam o instrumento seguindo suas formas mais conhecida. Nas mãos do Tamboritau, o berimbau é mais um instrumento, a ser usado e explorado de forma criativa em diversos momentos da música, por vezes ganhando ênfase, outras nem tanto, e dividindo de forma justa e bem dosada o espaço com cavaquinho, guitarra, baixo, baixo acústico, trombone... e uma percurção interminável.

É imperdível!

Para ouvir umas músicas do pessoal, vá ao Palco MP3 do Terra. Cabe observar que, se o som já é muito bom, ver a banda ao vivo aumenta o prazer de apreciação consideravelmente, dada toda a energia que eles têm em palco...

Quero minha Rep de volta!

Casualmente navegava eu pelo Guia dos Curiosos, e acabei achando um programa bem interessante na "TV Curioso":










É claro que a reportagem que mais me chamou a atenção foi a do turismo de sofá. Sei que muita gente tem ressalvas com a idéia, mas minha única sensação negativa ao ver a reportagem foi a de não morar mais em minha república. Estivesse lá ainda, já teria feito meu cadastro no Couch Surfing com certeza.

A idéia de sair viajando por aí e poder se hospedar na casa de outras pessoas... O risco de encontrar alguém chato no caminho é mega minimizado, pois se a pessoa participa da comunidade Couch Surfing as chances de ser uma pessoa pouco dada a novas amizades é mínima. E com isso conhecer realmente um pouco das pessoas locais, ainda que numa amostra bem viciada contendo só "a melhor parcela", mas tá valendo.

E a idéia de receber viajantes também... Eu já sou naturalmente receptivo com viajantes, e isso muito antes de ter ouvido falar desse projeto. Sou receptivo com viajantes em geral, mas viajantes estrangeiros tem um atrativo a mais também. Só como observação, meu ânimo extra ao encontrar estrangeiros nada tem a ver com uma dicotomia preferencial no sentido Brasil vs. Exterior. É só uma percepção de que "quanto mais longe, mais diferente, mais exótico, mais inédito".

Quando fui morar em República pela segunda vez minha primeira aquisição foi um par de colchonetes. Não que eu precisasse de tantos... Era só uma reserva para garantir um mínimo de habitabilidade para visitantes esporádicos e aleatórios. Não fosse minha 25% consangüínea titia tornar meu lar uma ameaça à diplomacia internacional, já teria me inscrito daqui mesmo. Quando começar o turismo de marcianos aqui pra Terra, ou de habitantes hectoplásmicos de Alfa Centauro, acho que me empolgo tanto que além de colchonete dou um jeito de improvisar um quartinho num canto também!

Visite o site. Leia sobre o projeto, veja as fotos das pessoas, os perfis... Se não viu o link lá em cima, tente de novo aqui.

Companhia


Fui dias atrás até o Shopping Central Plaza, a uns dois ou três quilômetros aqui de casa. Fui de trem. Mas, estando com um tempinho livre e excesso de ócio acumulado nas veias, resolvi voltar a pé. Normalmente é uma caminhada solitária, não muito boa em termos de paisagem e infra-estrutura (faltam até mesmo calçadas apropriadas, em vários trechos da Avenida do Estado), mas sempre excelente pelos méritos espirituais que toda boa caminhada traz. Mas dessa vez não foi realmente uma caminhada solitária...

Quando vi, um vira-lata vinha me acompanhando... Às vezes pensamos estar sendo seguidos por cachorros quando na verdade nossos caminhos apenas apresentam um pequeno trecho coincidente, não sendo essa sobreposição de trajetos de modo algum um imperativo de ligação entre os caminhantes. Mas, dessa vez, eu não tinha dúvidas: o cachorro estava me acompanhando. Eu mudava meu caminho, ele mudava o dele. Eu atravessava a rua, ele me olhava, verificava a segurança da operação, e atravessava também. E sempre me olhava.

Não sei até agora o que foi que chamou a atenção dele. Se foi o fato de eu estar cantarolando velhas músicas do Vinícius de Moraes, se foi a esperança de conseguir alguma ajuda de um raro mamífero bípede a aparecer desmotorizado por aquelas bandas, ou se algo estava significativamente diferente com meus odores nesse dia. Fato é que o cachorro me seguiu. E seguiu por todos os quilômetros, até em casa.

A vontade de adotá-lo como meu mais novo animal de estimação foi enorme. Dei a ele, na calçada em frente de casa, uma justa retribuição pela escolta, contabilizada em forma de leite. Decidi não adotá-lo por razões práticas. Meia hora depois de nos termos despedidos, caiu mais uma dessas fortes pancadas de chuva que têm acontecido ultimamente. Nunca mais vi o cachorro, e me arrependo de ter sido tão racional em rejeitá-lo.

Fôlego renovado


Acordei por volta de cinco da manhã. Um bom café da manhã, um bom banho. Meu pai buzinou aqui em frente de casa no horário combinado, lá pelas seis. Estava uma manhã de ar frio porém céu claro, o que prometia um confortável aumento de temperatura pelas horas seguintes.

Avenida do Estado: trânsito, trânsito, semáforo e mais trânsito, até que, finalmente, Marginal Tietê e Rodovia dos Bandeirantes. Em mais meia hora estávamos em Jundiaí para um delicioso (segundo) café da manhã na casa de parentes queridos. Depois voltamos à estrada.

Estou enclausurado em São Paulo nas últimas semanas, e essa pequena viagem de um dia fez um bem enorme pra mim. Não só por ver pessoas queridas de quem a saudade já ia passando da conta, poder brincar com minha sobrinha e tudo o mais, mas há algo com a viagem em si... Gosto de estrada. Gosto de estar indo para algum lugar. A sensação de amplitude infinita dos horizontes amplos que a cidade nunca é capaz de oferecer parece ir dos olhos à alma instantaneamente. Sinto-me como se pudesse ter respirado toda essa montanha infinita de ar de São Paulo a Descalvado e ganhado com isso um novo fôlego que de nenhuma outra forma poderia ter surgido.

E se uma pequena viagem pelo chão já é assim impactante, imaginem só como vou me sentir tão logo volte a voar...

Friday, November 14, 2008

Inigualável

O Blog do Grijó é um desses lugares que você encontra na net só porque estava com tanto sono que nem conseguia ir dormir, mas quando percebe virou visitante regular e não consegue mais viver sem... Onde mais encontraríamos uma foto de ninguém menos que Paul Desmond com essa memorável cara de feliz, se não nesse precioso recanto, e acompanhada de informações preciosas? Não vou mais falar do site.. visite você e confira!

Tuesday, November 11, 2008

Genial



Ah, nem dá pra comentar... Mandou muito bem!

Monday, November 10, 2008

Em família



Pai do Jeferson, incentivando-o a comemorar o aniversário:

- O que você vai fazer hoje? Esse dia não pode passar em branco!

A civilização moderna



"Enquanto escrevo, seres humanos altamente civilizados estão sobrevoando, tentando matar-me. Não sentem qualquer inimizade por mim como indivíduo, nem eu por eles. Estão apenas 'cumprindo o seu dever', como se diz. Na maioria, não tenho dúvida, são homens bondosos e cumpridores das leis, que na vida privada nunca sonhariam em cometer assassinato. Por outro lado, se um deles conseguir me fazer em pedaços com uma bomba bem lançada, não vai dormir mal por causa disso. Está servindo ao seu país, que tem o poder de absolvê-lo do mal."
George Orwell, Inglaterra, tua Inglaterra, 1941

Thursday, November 06, 2008

Reinventando...

E às vezes a gente acha que não tem nada de novo pra aprender sobre assuntos básicos, como a multiplicação de dois inteiros...

Wednesday, November 05, 2008

Eu amo Sócrates


A capacidade de dizer "eu não sei" e de separar claramente conhecimentos sólidos de especulações é o ponto alto da inteligência humana. Aos que temem este tipo de conhecimento ser "frio" demais, lembrem que essa capacidade envolve a comunhão de todas as inteligências... analítica, emocional, social e tudo o mais.

As pessoas não dão a devida atenção a Sócrates...

Sunday, November 02, 2008

Durkheim estava certo!

Pois é... É só eu pensar uma besteira qualquer, que um tempinho depois o mundo me prova que Durkheim estava certo, e por mais isoladas que pareçam ser nossos devaneios loucos, de alguma forma eles não pertencem à nós, e sim à teia social à qual estamos conectados, e grandes são as chances de que a mesma idéia tenha se manifestado em outro lugar, em outra ocasião, por meio de outra pessoa...

Acabei de falar no meu gosto por máquinas de escrever antigas, e veja só o que encontro por aí:



A página original de onde a foto foi tirada é essa aqui.

Sou um potencial colecionador de velharias



Dormi no ônibus esses dias aí... Nada muito grave, não passei muitos pontos adiante do meu até acordar. Desci em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. No caminho de volta, vi uma vitrine cheia de máquinas de escrever, e duas ou três delas eram muito, muito velhas! Dessas pretas, com teclas redondas de bordas prateadas. Eu gosto dessas coisas velhas, não tem jeito...

Talvez esse gosto tenha sido um dos fatores que me deixou, de imediato, muito apegado ao clarinete que ganhei da minha irmã. O sistema de chaves dele não é como o de um clarinete comum. Não sei se é melhor ou pior... Sob muitos aspectos, pode-se dizer que esse sistema é pior que o sistema mais usado, pois o meu clarinete inibe a saída de som da maioria das furações por ter chaves "cheias" ao invés de meros anéis para acionamento de mecanismos, que deixam o ar passra livremente quando não estamos tampando determinado buraco. Difícil de explicar, sem o auxílio de algum desenho... O que importa é que meu clarinete tem uma incorrigível cara de velho, e também por isso eu gosto muito dele!

Saturday, November 01, 2008

Que semana foi essa?

  • Estou no ônibus, lendo aos trancos e solavancos a saborosíssima coletânea de ensaios do Stephen Jay Gould, "Dinossauro no palheiro", quando decido passar pela catraca e procurar um lugar lá pra trás. Ao levantar, um cara de aparência não-convencional-não-chamativa olha para o livro e diz enfaticamente: este é um ótimo livro! Retruquei o comentário dizendo que era um ótimo autor e que a obra toda dele parece ser excepcional... E pronto, ficamos conversando pela próxima meia hora, ou quase isso, até o destino final. Faculdade, formação, pesquisa, graduações e pós graduação, vida, interesses pessoais e preocupações de gente grande como filhos e casa para cuidar (assuntos mais concretos pra ele, no momento, do que pra mim). Sim, essa cidade ainda oferece ótimas conversas inesperadas.

  • Estava no shopping procurando pela minha irmã. Não via a hora de fazer a surpresa... Não tinha sido nada fácil conter com muita disciplina minha fome e gula para salvar a ela uma embalagem dupla de Twix e, ainda por cima, um bombom. Encontrei-a. Mostrei primeiro o Twix, todo generoso, como se estivesse dando a ela uma ilha inteira com uma mansão ostentosa no topo de uma alta colina. Ela sorriu, olhou pra mim e tirou da bolsa um prestígio, pra mim. Ainda bem que eu tinha comigo o bombom... Assim, ao invés de nos limitarmos à troca de chocolate, darei a ela uma surpresa genuína: uma surpresa em cima da surpresa inicial, algo que realmente não poderia ter sido esperado e que, portanto, constituiria um gesto extremamente valioso. Tirei do bolso, triunfante, o bombom... Na mesma hora, sorridente, ela levanta da bolsa outro bombom, de sabor diferente... Somos irmãos, somos muito iguais. Discordamos profundamente sobre as razões que fazem o mundo ser como é, mas gostamos muito que ele seja assim...

  • Cheguei antes ao teatro para garantir lugar para mim e para os meus amigos. E dessa vez, lugar bom, lugar na frente. Por que lugar na frente é ótimo para ver a banda de perto e acompanhar bem o show? Nada disso! Lugar na frente é ótimo para conhecer, inusitadamente, um ambientalista e um geólogo super gente boas!

  • Duas opções: ir embora ou tomar algo para distrair e bater um papo de fechamento da noite? A segunda, obviamente! Comprei um refri, minha irmã e o Sinjin, meu amigo da Poli, compraram sorvetes. E nos sentamos na praça de alimentação, a Ananda, o Sinjin, eu e o Dudu. Dudu? É, o Dudu? Que dudu? O músico! O músico? Sim, o músico!Sentou-se do nosso lado, começou a comer um lanche, estranhamos a ausência de companhia e foi lá minha sister conferindo: "Dudu... tá sozinho? Junte-se à nós!". Definitivamente... o pessoal da Traditional é MUITO gente boa!
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