Até ali…. Marginal, Rebouças, um dia normal. Trânsito. Buzina. Calor. Aí de repente a Av. Paulista me presenteia com esta cena:
"笑いは重要です。" - Olga
Até ali…. Marginal, Rebouças, um dia normal. Trânsito. Buzina. Calor. Aí de repente a Av. Paulista me presenteia com esta cena:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928
Domingo após o casamento. Fomos à feirinha do centro de Curitiba. Depois de explorar um sebo muito aconchegante e com um dos melhores capuccinos que já tomei prosseguimos pela feirinha. Até começarmos a ouvir um som diferente e nos deixamos guiar por ele. Chegamos a um conjunto formado por três argentinos. Trombone, saxofone e cajon. O mais legal: os três haviam se conhecido ali mesmo, em Curitiba. Agora planejam sair tocando por aí e levantando um dinheiro para seguirem viagem passando por diversos lugares. O destino: Venezuela.
Tenho viajado bastante de ônibus ultimamente. E eu não ligo de chegar cedo à rodoviária. Mesmo tendo pela frente uma viagem de quase seis horas no ônibus. Isso porque há um café no Terminal Tietê onde colocaram um belo piano de cauda à disposição do público. Cada vez que passo por lá presencio algo diferente. Infelizmente não estou sempre com a máquina à mão e meu celular anda lento demais para conseguir alguma foto boa (sem contar que ele trava, decide não focar nada direito, aciona a luz do “flash” e não a desliga mais, um caos). Na última viagem, contudo, a máquina estava na mochila.
Preciso garantir a máquina comigo mais vezes. Já presenciei dezenas de músicos que foram se juntando ali e improvisando músicas do conhecimento de todos. Já presenciei um velhinho solitário que mal conseguia andar mas que, depois de se adequar à ergonomia da banqueta ao piano, tocava as peças mais rápidas que se pode imaginar sem hesitar. Não sei quem teve a ideia de colocar o piano ali. Mas seja lá quem for, está de parabéns.
Nesta era moderna de distâncias reais e proximidades virtuais acabo dando mais aulas pelo WhatsApp do que presenciais. Porque aulas presenciais são o que sempre foram: pelo menos 15% de sono no início e 10% de ansiedade por ir embora no final (isso nos dias bons… dias e professores ruins fazem a soma chegar aos 100% de todas as formas possíveis).
Já as “aulas” por WhatsApp são sempre dúvidas emergenciais. O aluno está lá estudando, certo de que já sabe o suficiente para encarar um simulado da ANAC, aí erra uma questão e não entende o que fez de errado. Hora de pedir socorro ao professor. Foi assim que veio mais um chamado agora há pouco.
O problema em questão envolvia a relação entre dois tipos de velocidades dos aviões: velocidade indicada (VI) e velocidade aerodinâmica (VA). Há diversas correções para se ir de uma a outra. E o problema em questão tratava do cálculo mais complicado, em que deve ser feita uma correção de altitude e outra de temperatura. Nestes casos é comum, ainda hoje, o uso do computador de vôo (uma régua de cálculo circular). A maioria dos alunos tem grande dificuldade em começar a utilizar o computador de cálculo. O que não é de se estranhar, já que nem parece ser algo do nosso mundo (e não é, na verdade. Réguas de cálculo são do mundo de 1970, no máximo). Eu não desisto fácil, então já estava fazendo algumas fotos para montar uma explicação mais detalhada e enviar por e-mail. Enviei ao meu aluno apenas uma mensagem rápida.
- Então, o gabarito está certo… Quando a correção é de altitude E temperatura aí tem que usar o computador de voo. Aguenta aí que eu já mando uma explicação.
- Ah tá certo, então eu já sei fazer. Você me ensinou já a usar isso aí!
E não é que ele sabia mesmo? O legal, para mim, é que eu nem lembrava de o ter ensinado isso e de repente vem essa resposta.
Dois sites interessantes para quem ainda se interessa por essas velharias:
TipewriterReview.com – um blog com postagens sobre diversas máquinas de escrever.
Writers and their typewriters – uma enorme lista de escritores e dos modelos das máquinas de escrever que utilizavam. Com fotos ou, como no caso do Asimov, pinturas.
Histórias fantásticas no BuzzFeed: http://www.buzzfeed.com/rafaelcapanema/so-no-rio#.wg8VE6PwK
Eu chegara muito cedo para a minha aula de Navegação Aérea. Havia tempo para me distrair nos arredores da escola e eu estava com a máquina fotográfica na mochila. Fui até uma praça próxima e comecei atirar fotos diversas. Postes, cachorros, banquinhos, árvores. E as pessoas por ali. Em particular duas pessoas andando de skate.
Não fiz questão nenhuma de ser absolutamente discreto ou de fingir que não estava tirando fotos das pessoas. Se alguém fosse achar ruim então que soubesse logo o que eu estava fazendo para poder vir reclamar. E então o skatista começa a andar na minha direção. Pensei no fundo de meu otimismo: “lá vem!”.
E veio. Mas não veio reclamar. Puxou assunto perguntando se eu estava tirando fotos deles. Expliquei que eu estava tirando fotos deles e de tudo o mais. E então ele entregou um panfleto de seu curso de skate para divulgar o esporte. Perguntei se eu poderia mandar as fotos para o e-mail que estava no panfleto. “Mas é claro, por favor!”. Fui dar minha aula e depois preparei algumas fotos e enviei para ele.
Hoje cedo tive o maior prazer de ler a resposta em minha caixa de e-mail: “melhor presente que já recebi nos últimos tempos, fotos com a minha filha, muito obrigado!”.
Fez meu dia.
Vi no Facebook da Carol MM’s. Um grupo francês com um som muito bom. Aproveita aí:
O canal delas: https://www.youtube.com/channel/UCRctnXfqPKaB4Ywp0y94ZDg
E a letra:
Summer 2015
La la la la la la la la la
La la la la la la la la la
La la la la la la la la la
La la la la la la la la la
Hold on to me
Don't let me go
Who cares what they see?
Who cares what they know?
Your first name is Free
Last name is Dom
Cause you still believe... in where we're from
Freedom... Freedom... Freedom... Freedom
Do you recall, not long ago
We would walk on the sidewalk
Innocent, remember?
All we did was care for each other
But the night was warm
We were bold and young
All around the wind blows
We would only hold on to let go
Blow a kiss, fire a gun
Souffler un baiser, faire feu
We need someone to lean on
Nous avons besoin de quelqu'un sur lequel s'appuyer
Blow a kiss, fire a gun
Souffler un baiser, faire feu
All we need is somebody to lean on
Tout ce dont nous avons besoin c'est quelqu'un sur qui s'appuyer
Freedom
Blow a kiss, fire a gun
Freedom
Et c'est comme ça qu'on ...
Hey ma ma ma hey ma ma
S’aime, s’aime, s’aime
Et c'est comme ça qu'on ...
Hey ma ma ma hey ma ma
Comme ça consomme
Somme, somme, somme
Beating my drum like, dum di di day
I like the dirty rhythm you play
I wanna hear you calling my name
Like, hey mama, mama, hey mama, ma
Banging the drum like, dum di di day
I know you want it in the worst way
I wanna hear you calling my name
Like, hey mama, mama, hey mama, ma
Be my woman, girl
I'll be your man
Be my woman, girl
I'll be your man
Pourtant, j'fais bouger les têtes, tu connais mes textes
Connais pas ma technique, mec, mais t'es qui
Je vise le Bingo, que des faux lingots, éviter les bimbos, matte mon équipe
Ça fout les boules, ouais, ça les dégoûte
Car nous on déboule comme des fous dans la foule
Mais mon pote ça c'est cool toi, tu restes à l'écoute
On se serre les coudes, ils nous prennent pour des fous
J'suis pas un gangsta
Pas la peine de mentir, j'suis comme toi
un gangsta
Pas la peine de mentir, j'suis comme toi
Laissez passer
Venga baila
S'aime, s'aime, s'aime
Me laisse pas solo solo
Conmigo, gangsta
Comme ça qu'on
Hey ma ma ma hey ma ma
Somme, somme, somme
Bitch better have my money
Bitch better have my money
Salo** vaudrait mieux que t'aies mon argent
Too hot, hot, hot (Hot damn)
Trop chaud, chaud, chaud (super chaud)
Call the police and the fireman
Appelez le policier et le pompier
I’m too hot, hot, hot (Hot damn)
J'ai trop chaud, chaud, chaud (super chaud)
Make a dragon wanna retire man
Même un dragon ne tiendrait pas, mec
Cheerleader
Girls hit your hallelujah (Woo!) (x4)
Les filles, scandez votre Alléluia
Oh, I think that I've found myself a cheerleader
She is always right there when I need her
Oh, I think that I've found myself a cheerleader
She is always right there when I need her
I'm in love with the coco
(o trecho rápido em francês é pra ficar PhD na pronúncia….)
O passeio finalmente aconteceu depois da primeira tentativa um tanto quanto frustrada. Foi cansativo mas talvez seja apenas eu que estou ficando velho para longas caminhadas com mochila nas costas e poucas paradas. Mas valeu a pena. Tivemos de tudo. De sol forte a fog no fim da tarde. De calor escaldante a frio de precisar de blusa. De momentos de fome a um belo almojanta. Teve direito a levar bronca no museu porque eu estava bisbilhotando nos galpões em que eu transitava livremente anos e anos e anos atrás quando minha mãe me levava para passear por lá. Hoje a área está interditada por falta de segurança nas portas (não cheguei a passar pelas portas perigosas, apenas passei a fita de isolamento. Depois fiz amizade com o segurança.) Abaixo, algumas das fotos do passeio:
O site Stuff In Space mostra um mapa com uma simulação da posição de, aproximadamente, metade dos objetos espaciais conhecidos na órbita terrestre. Sei que você não vai sair para um passeio de foguete semana que vem, mas ainda assim, é interessante dar uma em como a gente já bagunçou o espaço.
Eu adoraria tirar muito mais fotos em São Paulo. Mas confesso que não me sinto à vontade andando com uma Nikon chamativa nas mãos em qualquer lugar. Mas quando estou com a máquina na mochila, voltando de uma caminhada pela Paulista, acabo não resistindo e brincando um pouco. Nesta foto, utilizei a grade da ponte na Rua do Paraíso como apoio para a máquina já que estava sem o tripé. À direita pode-se ver o Centro Cultural.
“Se o tempo de exposição for razoavelmente longo, mas você acompanhar o alvo, então o cenário vai sair borrado e o alvo vai aparecer com mais nitidez.”
“Assim?”
Acho que deu certo. Claro que a foto acima foi minha primeira tentativa. E é claro que em todas as outras 10 tentativas consegui borrar o cenário E o alvo.
Quando viajávamos para a chácara de um amigo, ou alugávamos uma casa em alguma cidade distante, eu era sempre o chato da máquina fotográfica. Queria tirar foto do lustre diferente. Da planta da varanda contra a luz do sol. Das pessoas perto da piscina. Das caras que faziam enquanto jogavam baralho.
Durante a viagem ao Japão acabei comprando uma máquina. Mais moderna do que a da foto acima, claro. Mas os princípios fundamentais para controlar a foto são os mesmos. Iluminação. Abertura. Profundidade de campo. Tempo de exposição.
Depois de ter ficado anos com uma bateria em casa e descobrir que eu poderia ter aproveitado muito mais se tivesse feito aulas com algum professor particular, ainda que esporádicas (uma por mês, uma a cada dois meses…), decidi fazer aulas de fotografia. As primeiras aulas foram mais técnicas, mas depois tive algumas aulas exclusivamente sobre fotógrafos notáveis e seus estilos particulares, suas histórias. Um dos nomes me soava familiar. “Tenho certeza de que comprei um livro sobre esse cara…” Quando cheguei em casa pude confirmar: a biografia de Cartier-Bresson era um desses livros que comprei alguns anos antes da hora certa para a leitura. Hora certa que, finalmente, chegou!
Dhafer Youssef nasceu em 19 de novembro de 1967 em Tebolba, na Tunísia. É um compositor, cantor e toca alaúde. Desenvolveu um interesse pelo jazz ainda jovem e ouvia clandestinamente esse estilo durante seu período escolar.
Mais tarde ele deixou a Tunísia para iniciar uma carreira de jazz e tem vivido na Europa desde 1990, normalmente em Paris ou Viena.
E nada como aparecer de surpresa e ganhar um cafe da manha quentinho e ver todo mundo feliz.
De fato, um curso que não se limita à aviação. Para alguém como eu, que gosta de ensinar, é diversão pura. Claro... sempre tem uma parte de legislação pra balancear...
Dois vídeos, duas visões, uma realidade (que nem é exclusivamente a brasileira, mas a mundial mesmo):
Ja que esfriou e ta ate garoando... o jeito é viajar pela América do Sul a R $15,00 (preço de sebo, claro)
Um livro sobre Foco. Título objetivo: FOCO. Autor famoso, Daniel Goleman. Penso em comprar. A[i lembro dos 739 livros lá nas prateleiras, esparramados pela escrivaninha ou perdidos nos bits empoeirados dos hd's, e que estão com as leituras pela metade ou mal começadas. Não compro o livro e saio da livraria pensando: foco.
"Olha, eu nem ligo pra esse papo de aquecimento global não. Mas o aquecimento localizado tá insuportável!""
"Ele não era aquilo que as crianças são ensinadas a admirar: um jovem gênio milionário da internet, como Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Aaron Swartz era um jovem gênio que não queria ser milionário. E, convenhamos, nada pode ser mais subversivo do que isso."
Descobri que a Eliane Brum fez uma coluna por ocasião da morte de Aaron Swartz. O texto está aqui.
Mesmo na era da eletrônica, a liberdade continua custando o que sempre custou: vidas.
Documentário muito interessante sobre a vida de Aaron Swartz:
Faltavam poucos dias para a viagem. Duas semanas foras, vários países. Hotéis, passagens, trens, mapas. Muitas coisas para planejar. Mas havia uma urgência local: um relatório, até sexta-feira.
- Olha, até sexta-feira vai ser impossível, mas posso providenciar para ele ser enviado no começo da semana que vem, pode ser?
- Ah Adriano, eu agradeço muito por isso! Preciso do relatório dessas atividades o quanto antes.
Não havia ainda um software para analisar os dados. Passei a sexta-feira fazendo o software. E o sábado. E o domingo. Na casa dos pais da namorada, no almoço em família, lá estava eu no quintal, notebook no colo. Software pronto, mais algumas horas com o aplicativo rodando para analisar dois meses de milhões de números gravados. Gerando imagens, gráficos, e colocando tudo no word. Depois, escrever as explicações.
A segunda-feira inteira assim, escrevendo explicações.
E a quarta-feira, dia da viagem, chegando.
E a terça-feira inteira cuidando dos detalhes. Revisando o relatório, arrumando legendas das figuras, organizando os anexos. Aí pedi ajuda ao chefe.
- Olha, o relatório está aí. Só falta solicitar um número de relatório e colocar as informações burocráticas na introdução, mencionando o número do projeto, e enviar. Não vou estar aqui para assinar, mas enviamos uma cópia digital porque o cliente tem urgência, e assim que eu voltar, assino a versão em papel e enviamos, ok?
Na quarta-feira fiz as coisas da viagem, que deveria ter feito ao longo de todo o final de semana. E de repente já era hora de ir para o aeroporto.
Semanas se passaram e agora estou de volta.
E o relatório não foi enviado. E não recebemos mais nem um e-mail sequer do cliente.
Agora estou indo para a Av. Paulista protestar pelo fim das coisas urgentes que não importam porra nenhuma.
Passando por uma banca de jornal na Av. Paulista:
- Carla, me ajuda a por A Civilização lá em cima!
O poder Legislativo reuniu-se ontem para debater o extremo descaso do Sr. Jeferson Domingues Ferreira para com os blogs dos amigos. Para consternação de todos os presentes, o próprio Sr. Ferreira esteve ausente. Sua acessoria, contudo, informou em nota não tratar-se de ausência: ele deve chegar à Câmara entre os dias 29 e 30 de Setembro, ainda neste mesmo ano, com um atraso bem menor, portanto, ao que tem manifestado na leitura dos blogs.
O plano era passar um sábado bem tranquilo. Ficar em casa lendo um livro. E à noite ir ver uma apresentação de piano com flauta transversal que prometia ser bem interessante.
Mas a vida... bem, a vida é bem essa coisa que o Joseph Climber vivia repitindo.
Fui parar em Bertioga para um evento da família da minha namorada. Aniversário da avó. E o avô, que teve um AVC cerca de dois anos atrás, até que estava bem comunicativo. Contando uns "causos" como podia, ainda que trocando alguns personagens aqui e ali.
Voltamos tarde demais para São Paulo e não daria mais para vermos a apresentação de música. Restava uma opção: cinema no cemitério. Apresentação de filmes de terror nacional lá no Cemitério da Consolação. Nome do evento: Cinetério.
Não bastando a bizarrice do filme e do cenário, ainda tivemos a honra (?) de conhecer o Toninho do Diabo na saída.
Você viu essa matéria no UOL? O Stephen Hawking está dizendo que essas pesquisas com o bóson de Higgs podem destruir o universo!
Vixe!... ...posso ir embora então?
Eu sei ler em italiano.
Isso eu já sabia.
Mas descobri que sei ler em italiano com sotaque de Maceió.
Das conversas com taxistas...
- ... daí perguntaram "você não é vegetariano?", e então eu digo "sô não, eu sou é alagoano!". Saí dali e fui achar uma churrascaria boa mesmo, porque tavam me chamando é de lagarta, com aquele monte de folha verde na mesa. Minha mulé é que ficou toda arretada que era desfeita tudo aquilo, mas daí disse que ela podia ficar e comer aquele pasto lá... Ela achava que era desfeita mas não ficou não, veio junto comigo!
Eu imaginava que corrida de cavalos fosse uma coisa exótica. Até descobrir que em Maceió tem coisas bem mais interessantes:
- Ir no "Imperador do Camarão", ao lado do hotel Mercure, e provar o Chicletinho de Camarão. Ou o Camarão Pajuçara. Ou os dois. O primeiro é o carro chefe da casa. Um combinado de camarão e cinco queijos (parmesão, queijo coalho, provolone, catupiry e queijo prato). O segundo é um camarão empanado recheado com catupiry.
- Fazer passeios turísticos e se divertir com as histórias dos guias turísticos.
- Ir à pria do Gonga e experimentar a completa mudança ambiental em uma caminhada de 50 metros: de frente para o mar, com ventos de 50 km/h e muita areia na cara, e ondas agitadas, ou do outro lado da praia, às margens da lagoa, sem vento nenhum e com águas de piscina.
- Achar um super celular no meio da areia, no meio do nada. Fazer uma hipótese sobre como ele foi parar ali. Encontrar o dono, horas mais tarde, devolver o celular e confirmar a hipótese.
- Ir à sorveteria "Sabor do cerrado" e provar diversos sabores dos quais nunca havia ouvido falar.
- Ler um livro à beira do Atlântico e deixar o vento virar as páginas pra você.
- Tirar fotos da namorada que até ela aprova, sem falar que só eu tô achando aquela foto bonita.
Moto é uma coisa prática. As pessoas levam uma hora de A para B e eu consigo fazer o mesmo em vinte minutos. Isso porque sou uma das motos mais lentas da cidade. Os mais loucos fazem o mesmo em dez ou oito minutos. Ida e volta.
Mas pra que ir sempre de moto para casa? Moro tão perto! Já pensei algumas vezes em deixar a moto em casa. Mas eu gosto da minha moto. E a garagem lá de casa é convidativamente acessível. Não vou largar a moto lá o dia inteiro. Aí pensei em algo mais lógico. Deixar a moto no trabalho! Ir para casa a pé e voltar a pé no dia seguinte. Gênio! Lá é tranquilo, tem um monte de seguranças, etc etc etc.
Fiz isso ontem.
Agora há pouco fui lá buscar a moto.
Havia um buraco enorme, uma obra para troca de tubulações subterrâneas, passando bem por onde eu havia largado a moto! Ali, bem ali onde o segurança havia me aconselhado a estacionar, dizendo que não havia problema algum.
A Honda Twister estava um pouco mais adiante, um tanto quanto contrariada. Fiquei sabendo que uns 4 seguranças e operários se juntaram para carregá-la. Justo hoje!
Hmmmm.... Ela adora baixar coisas da internet pra assistir. Filmes. Seriados. Eu podia dar um HD externo de aniversário.
Mas um HD externo é um baita de um presente nerd. Não é lá um presente muito ao estilo "de namorado para namorada".
Mas ela ama cachorros. E se eu já encher o HD com vídeos de cachorro?
10 Gb e 20 horas de vídeos depois...
Ok... continua sendo só um HD... os vídeos só vão aparecer depois de abrir um HD, ligar no computador, etc... processo em que todo o ar de nerdice do presente vai dominar a atmosfera até que os cachorrinhos fofinhos apareçam como antídoto na tela.
Ela ama cupcakes... E se eu arranjar uma caixa e colocar os cupcakes por cima? Ela vai achar que estou dando cupcakes de presente! Pode até ser que fique meio zangada, do tipo... "você me deu cupcakes de aniversário e é isso?" Sei lá... imaginei algo como você ganhar, de aniversário, apenas o bolo de aniversário. Fica faltando algo, não fica?
Comprei os cupcakes. Os com coberturas mais durinhas. Eles precisavam soberviver a um passeio de moto, e isso é só para os cupcakes mais valentes do mercado.
Faltava a caixa que iria fazer o serviço.
Daí na loja da caixa... achei umas réplicas de filhotinhos de cachorro.... que respiram! Ow droga... Os presentes tem essa mania de se insinuarem na minha frente contra todos os meus planos.
Arranjei a caixa e montei a estratégia. Primeiro, entregaria só os cupcakes... e quando ela começasse a brigar comigo por um presente tão pela metade, eu mostraria o cachorrinho, e quando ela estivesse super feliz do cachorrinho, embaixo da caminha do cachorrinho estaria o HD. Plano completo.
..........
Desfecho: ela amou os cupcakes; os protestos por um presente incompleto nunca vieram, e depois que anunciei o presente extra e ela descobriu o cachorrinho, houve qualquer tipo de tunelamento cognitivo/visual e eu acho que ela não viu o HD até agora...
Sucesso!
O que seria capaz de contrabalançar o stress da semana e me trazer de volta alguma sensação de paz e de equilíbrio?
As grandes descobertas do dia: Gymnopedie, de Erik Satie, e Etude n. 3, de Carl Baermann. Não que eu não conhecesse as músicas... Mas encontrar partituras, com acompanhamento e tudo, para o clarinete, foi a descoberta perfeita para arrumar esta semana estranha.
O consultor é um velho que revê seus amigos. Volta à empresa onde trabalhou. Saiu de lá porque ganhava pouco, abriu uma consultoria. Na época, ficou na dúvida, gostava do ambiente de trabalho, das pessoas. A preocupação foi à toa, já que ele seria chamado para consultorias ali mesmo.
Na reunião, quem fala é o consultor. Precisa justificar sua presença. Então ele diz as coisas que são importantes no projeto. Estas são, basicamente, as coisas importantes no projeto, oras! Se você vai projetar um avião, o que é importante? "Ele tem que ter uma boa aerodinâmica, e é preciso ter cuidado para a asa não quebrar viu... Poderiam começar vendo que potência esse motor tem que ter. Aí vocês tem que fazer um estudo." E se fosse um prédio? "Precisa ver bem que medida vai ter o terreno, e quanto vai precisar do alicerce. Quando tiverem uma idéia do número de pavimentos, quando começarem a ver mais em detalhes, estimem bem o peso total para dimensionar os pilares e a estrutura. Mas aí já é um estudo mais detalhado, é esse o estudo que vocês precisam fazer."
Gênio.
Onde alugam consultores que fazem, efetivamente, os estudos?
"Eu nãoquero que o mundo me dê nada pelos meus livros, a não ser dinheiro, a fim de me manter livre da tentação de escrever somente por dinheiro." - George Eliot
Realmente, parece uma troca justa!
Já assisti algumas vezes... Mas, de tempos em tempos, alguém posta no Facebook de novo e lá vou eu assistir mais uma vez:
Descobri por acaso ao ver um artigo no Gizmodo sobre propagandas legais... Curto essa bateria com baixo com um som limpo bem anos 70... É claro que fiquei com vontade de ouvir o álbum inteiro, "Odetta Sings"...
"as principais ítimas eram os eslavos, que deram nome à escravidão [slavs, slaves]. Caçados pelos romanos, cristãos, muçulmanos, vikings e tártaros, foram exportados para todo o mundo. Eslavo passou a significar estrangeiro; muitas religiões ensinavam que escravisar estrangeiros era inevitável; as crianças britânicas eram exportadas como escravos - as meninas engordadas para alcançar preços mais altos - acabaram igualadas aos eslavos."
Trecho do capítulo 1 de "Uma História Íntima da Humanidade", de Theodore Zeldin
Eu já andava consternado com as estatísticas de trânsito... Morrem cerca de 40.000 pessoas por ano no trânsito do Brasil. E hoje acordei com a notícia de uma nova estatística... por ano, no Brasil, cerca de 58.000 pessoas são mortas em assassinatos. Não é preciso nem mesmo apelar ao pessimismo de achar que a realidade é muito pior do que os dados publicados. Os dados já são absurdos demais do jeito que estão.
Comecei a fazer o jet training, um curso de familiarização a aeronaves a jato. Dura duas semanas. Na hora da matrícula a reação inusitada da secretária: "minha nossa, engenheiro naval? E eu achando que já tinha visto de tudo por aqui!!".
Comentei com ela sobre um amigo meu que dirigiu caminhão ao longo de 20 anos por tudo o que é estrada brasileira e hoje está pilotando helicópteros, realizando um sonho.
E aí ela comentou sobre um dos alunos que já passaram por lá, que era pedreiro e que hoje é piloto...
Ainda quero escrever um livro com o perfil de todos esses malucos. São pessoas muito interessantes que a gente vai descobrindo por aí...
Eu não entendo de burocracia. Ou de leis. Ou de misticismos. Vivo de pensamentos estúpidos que simplificam meu mundo mas levam a becos sem saída.
Acredito que o CPF exista para permitir verificar a situação fiscal de uma pessoa, por assim dizer. O número para consultar a lista negra. Você apresenta o CPF em uma loja.. consultam um banco de dados... ok, você é do tipo que paga as contas, pode prosseguir.
Perdi meu CPF. Fui pedir a segunda via. Para poder obter a segunda-via preciso apresentar comprovantes de que paguei meus impostos de renda dos dois últimos anos. Será que não é possível consultar essas coisas com base no meu CPF?
Eu não sei se continuo quietinho mergulhado na minha ignorância infantil ou começo a puxar assunto por aí para tentar entender as razões dessas maluquices. Quando se trata de burocracia tenho esse medo de que a realidade deve ser algo ainda mais assustador do que nossos medos.
O titulo do post é na verdade parte da minha tendencia de ver o copo meio cheio... Comecei bem o dia porque sobrou um tempo pra ler um pouco e o livro era bom. Mas a escolha do livro se deu no meio da insonia de ontem, o que muito bem poderia ter inspirado o titulo "dormindo mal". Nas importa.... Com suas 700 e tantas paginas, o livro do Domenico de Masi encara as mais diversas situações e ainda sobra.
Talvez o titulo seja meio comercial demais... Afinal na verdade o livro trata das principais linhas culturaiz presentes no mundo hoje, sua historia e seus fundamentos.
Da uma vontade enorme de sair viajando por ai de novo e, em algumas passagens, uma saudade de estar na Italia. Lembrando que o autor leciona em uma universidade em Roma, o comentario destacado nao poderia faltar...
Muita gente andou zoando as bananas ultimamente depois do fomoso episodio no futebol. Mas e agora que o assunto pode ser salva-las de uma epidemia ao inves deczoa-las, quem sera capaz de colaborar?
Alem disso, guardadas as proporcoes, o caso é interessante para ver como lidamos com epidemias globais... Aqui esta a notícia em questão:
Has The End Of The Banana Arrived? Sent from Popular Science News for Android.
Agora depois de muita campanha de todos os lados tenho um celular que tira foto e publica no blog. Ele nao eh dos melhores para uma ligação telefonica, mas quem diabos ainda usa celular pra telefonar???
Deixo neste post uma foto tirada nos confins de Porto Ferreira neste ultimo final de semana.