Saturday, September 22, 2007
Bêbado de sono...
Fomos voar hoje com o avião da competição. O avião foi desmontado e dividido em três carros. Na marginal, já quase na Dutra, bateram em um dos carros, o do Guilherme.
Foram fazer B.O. em alguma delegacia. Depois, carro batido e tudo, levaram as asas... Passamos a tarde montando o avião. E, por fim, o vôo foi um sucesso. Apenas um vôo, mas um vôo perfeito.
Semana passada pensei em sair da aula de zouk e afins. Eu estava lá, vendo as pessoas dançando, ouvindo aquela música, e só me deixando consumir pelos pensamentos errados e pelo lado impertinente de sentimentos enterrados a contra-gosto. Bobagem. Cortar grandes coisas boas da vida pelo incômodo desta ou daquela fatalidade é isso: bobagem. Continuei nas aulas e são sempre histórias boas! Até arrastei outras pessoas, devidamente animadas, pra participar também... Cabe só a mim decidir se serei feliz ou triste com as histórias que a vida vai montando.
Virei uma madrugada cuidando do projeto de formatura.... isso acabou com minha sexta-feira. Não sei mais virar madrugadas em claro, ou bancar o aluno que copia matéria em sala de aula e faz perguntas... Mas o trabalho foi entregue, bem feito. É o que importa.
O Oscar é um cão gente boa, gosto dele.
Traditional Jazz Band. Nesta sexta o Cidão deu um show à parte, embora todos estivessem, como sempre, impecáveis. E, se querem saber, a música a gente já sabe que é boa mesmo... O legal dessa vez é que vieram boas piadas também.... E a presença do Gutobat, do Mala e do Paulinho só contribuiram para melhorar as risadas!
Achei que seria assaltado. Eu andava pela calçada da pista local da marginal pinheiros... Ele atravessou a rua na frente dos carros, pulou o "guardirreio" e estendeu a mão pra mim. Estava bêbado. Foi andando comigo e dizendo que eu iria ajudá-lo. Avisou inúmeras vezes que não iria me assaltar. Não gosto de bêbados que acham importante ressaltar que não é um assalto... Por que eu deveria estar com medo de um assalto? Lá pelas tantas, ele mandou que eu andasse mais devagar.... "Por que a pressa?" Então, estou atrasado... Meus amigos me esperavam às 19 e já são 19:10.... "Ahhhhhhnnn.... precisa correr então... vamos correr"? E ele quis sair correndo... Não! Você, bêbado assim, vai se estourar no chão se tentar correr... "Bêbado corre melhor, sabia?" Sei... Sei... O inusitado transeunte acompanhou-me até dentro do shopping Villa-Lobos. Não me assaltou. Eu não sei em que diabos ajudei ele se é que ajudei. Mas ele contou metade da história da vida dele pra mim e, à parte essa última garrafa de vodka, até que era interessante!
Andar a pé cansa, demora, não permite levar muitas coisas e te faz uma presa fácil dos caprichos meteorológicos. Mas faz bem, afinal... Você repara muito mais nas coisas que existem no caminho. E descobre que mesmo perto de casa há coisas surpreendentes das quais você nem havia se dado conta!
Pois é... nem comecei a falar dos últimos dias ainda... As lições das histórias alheias e das minhas histórias, detalhes dos trabalhos, resumos das coisas legais que li, devaneios dos mais variados que esquematizei desta ou daquela forma, cenas que observei nas minhas andanças por aí, reflexões sobre mil coisas.... Minha vontade desesperada de descobrir como fazer as pessoas felizes e minhas reflexões sobre as impossibilidades ou impertinências deste anseio em algumas situações..... Mas, como disse... o sono me consome. Vou desmaiar um pouco. Amanhã tem mais disso: vida.
Friday, September 21, 2007
contraste...
Wednesday, September 19, 2007
Sunday, September 16, 2007
Flashes rápidos
"Peut être que oui, peut être que non" - e lá vou eu aprendendo mais uma, oui oui....
Tuesday, September 11, 2007
As pessoas ao nosso redor
Eu estaria louco não fossem todas essas pessoas preciosíssimas por perto se dispondo a dividir este e aquele detalhe e permitindo que o todo, de um jeito ou de outro, comece a formar algum sentido...
Momentos
- já pensou em mil palavras e acabou sem dizer nenhuma?
- alguma vez já pensou que estava sentindo algo que não queria estar sentindo? e viu que estava mesmo?
- já se confundiu sobre se queria mesmo sentir o que sentia ou se apenas sentia não querer se sentir assim?
- já ficou duas horas para escrever um postzinho ridículo num blog empoeirado e não dizer absolutamente nada?
- algumas vez já... já.... deixa pra lá.
Sunday, September 09, 2007
É no Villa!
Que outro evento poderia inaugurar o tag "Agenda Cultural" neste blog com mais estilo?
Nesta sexta, 14/set, nos encontraremos às 19hrs no shopping Villa-Lobos para assistir, às 20hrs, a excelente Traditional Jazz Band . O show será na Livraria Cultura, e custará apenas um quilo de alimento. Imperdível!
Friday, September 07, 2007
Um conto breve com metáforas
Thursday, September 06, 2007
Em tempo...
Quem não sabia do que se tratava e viu que a primeira apresentação seria de um tal de "Papa Grows Funk" se assustou. Mas não, não tinha nada a ver com o funk carioca. Com um som de qualidade e amigos sempre de alto astral, a tarde foi perfeita. Outro nome que animou a pequena multidão foi Erica Falls. Fomos embora antes da apresentação de Chubby Carrier, mas acho que o melhor, aproveitamos. As risadas todas, vindas de mil pequenas histórias e tiradinhas, são irreproduzíveis. Mas quem foi sabe o quanto valeu!
Resumos pontuais não necessariamente conexos
- Acho que nunca fui tão longe.
- Chega de liminares, cortaram a árvore.
- Sinal verde para o projeto de Controle. Com financiamento!
- Paz de espírito é uma coisa pra lá de importante.
- Saiba entender o que você sente.
- Sempre checar o nível do óleo do carro.
- Ninguém tem a obrigação de sentir o que não sente.
- Sketch do dia: "Vamos invadir a Reitoria de novo!!!!! ..... ... ... .... .. Brincadeira!!!!" - quero um blindado com microfone pra mim, que divertido!
- O Relógio está fechado, não se sobe mais lá.
Wednesday, September 05, 2007
Tragédia anunciada
Hoje acordei anormalmente adulto. Adulto e violento. Estuprei meus sonhos antigos e os atirei, inférteis, à sarjeta. Não posso evitar. Nesta noite acontecerá uma chacina. Matarei diversos eus. Não há mais espaço, em mim, para sonhos infinitos que nunca são. Sei que vou chorar cada morte de mim, mas será apenas até morrer também este eu fresco que chora cinematograficamente por qualquer tragédia mal enunciada. Uns poucos sobreviverão para ocupar um mundo interno agora sem este ruído sem fim que em nada se concentra. Tiveram chances demais, todos eles, não é mesmo? Que exagero desmedido... Sei que eles não vão sumir. Todo ano, em alguma noite escura de lua cheia, num ritual satânico permitirei que um ou outro retorne do completo esquecimento para povoar novamente meus domínios. E será apenas a brincadeira cruel de trazê-lo ao mundo para matá-lo de novo. Quero me sentar em uma mesa com o próprio Fausto do lado oposto. Vou rir dele, e ele vai rir de mim. Mas só pago a minha conta. Quero mais uma dose, depois quero não querer mais nada.
Saturday, August 25, 2007
Noções de direito
E assim são os processos, muitas vezes, liminar atrás de liminar, vamos vendo a árvore crescendo, o que ela parece se tornar... E, ainda assim, se a decisão final for a de cortá-la, em nada há que se comover com o peso das liminares anteriores. Basta cortá-la de uma vez.
Wednesday, August 22, 2007
Extemporâneo

Tuesday, August 14, 2007
Favela-Bairro

(na foto acima: Favela Real Parque, São Paulo)
Uma visão da implantação do Favela-Bairro em Acari, segundo Leticia Freire. Clique aqui para ler o texto na íntegra.
Os trechos selecionados (opinião minha):
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Para selecionar as áreas a serem atendidas foi elaborado um “ranking” de todas as favelas da cidade, baseado em critérios eminentemente técnicos, conforme o grau de dificuldade para se “chegar à condição de bairro”.
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A primeira etapa consiste na realização do concurso público e licitação dos escritórios de arquitetura interessados, que possuem autonomia para a elaboração dos projetos. Nessa etapa atuam basicamente duas coordenações: a Coordenação de Projetos, que estabelece as exigências, avalia e fiscaliza os projetos a serem executados, e a Coordenação de Participação Comunitária, que dirige o trabalho dos agentes comunitários que atuam na área como ponte entre a prefeitura e a comunidade. Definida a área e a proposta urbanística, membros da Gerência do Programa Favela-Bairro agendam, através da Associação de Moradores, uma assembléia na comunidade, com a finalidade de apresentar aos moradores o plano de intervenções e a equipe que o executará. Nessa assembléia, os moradores votam a aprovação do projeto, podendo sugerir modificações de acordo com as necessidades da comunidade.
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Na segunda etapa, tem início a execução do plano de intervenções aprovado, quando a favela é “invadida” por engenheiros, arquitetos, trabalhadores, fiscais, tratores e britadeiras. Durante essa etapa se intensifica a atuação dos agentes comunitários, que, diariamente na área, passam a acompanhar a realização das obras e fazer um trabalho de conscientização e mobilização dos moradores no sentido de que eles assumam o papel de co-responsáveis pela intervenção, colaborando e fiscalizando o processo.
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Com o término das obras, começa a etapa de regularização fundiária da favela, possivelmente a mais lenta de todas, visto que somente a partir de 2001 foram tomadas medidas importantes em nível local e nacional visando ao estabelecimento de mecanismos e políticas de regularização fundiária de longo alcance. Sendo essa questão da alçada da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU), essa secretaria é convocada a atuar junto a SMH na instalação do Posto de Orientação Urbanística e Social (POUSO) na área, cuja função é executar todo o processo de regularização urbanística. Contando com uma equipe básica formada por um engenheiro ou arquiteto, uma assistente social e um ou mais agentes comunitários, constituiu-se ao mesmo tempo num “ponto de referência dos moradores e ponto de vigília da prefeitura”.
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As maiores críticas têm sido em relação aos seus fracos reflexos no que refere aos indicadores de educação e renda das populações atendidas, assim como ao fato de ser implantado de modo desigual nas localidades.
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os moradores permanecem excluídos do processo de elaboração do plano de intervenção em sua localidade
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No que se refere aos moradores durante o processo da intervenção urbana, as agentes comunitários são as primeiras pessoas a lhes informarem sobre a intervenção. Antes mesmo do início das obras, elas passavam em cada casa da comunidade para divulgar, orientar e “preparar” os moradores para tal, função que lhes demanda um maior poder de tradução para convencer os mais “desacreditados”. Identificadas pelo uso de uma camiseta e crachá, são elas a quem os moradores recorrem para tirar dúvidas, fazer reclamações e sugestões sobre a intervenção na comunidade. Mas o que não estava previsto é que, conforme vão se tornando confiáveis, os moradores passavam a atribuir-lhes os mais diferentes papéis. Era comum, por exemplo, moradores entrarem na sala das agentes para desabafar um problema de ordem pessoal ou afetiva, pedir conselhos ou até relatar brigas com cônjuges ou vizinhos na expectativa de que mediassem o conflito, ajudando em sua resolução.
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Aos moradores que estavam nessa situação, eram dadas duas opções: a prefeitura comprava-lhes um outro imóvel na comunidade pelo mesmo valor avaliado ou ela lhes pagava o valor correspondente para que os próprios comprassem um imóvel onde desejassem – opção que era escolhida pela maioria.
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OBS minha: (isso é um puta de um problema, até onde sei... pois essas pessoas usam o dinheiro para outros fins e acabam indo morar em outras favelas)
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Quando iniciamos o trabalho de campo, era ostensiva a presença do narcotráfico. Conforme diziam antigos moradores, enquanto “antes era tudo discreto” e os traficantes respeitavam mais os moradores, “hoje eles acham que sabem de tudo” e tentam controlar inclusive as associações de moradores. Uma vez que, para a prefeitura, a associação de moradores é a instituição a quem se confere representatividade e poder de negociação junto à população, ao tentar obter o seu controle, o narcotráfico acaba interferindo também na implantação do programa nas localidades. Um exemplo disso foram as mudanças ocorridas numa das localidades em relação ao que seria construído num terreno onde algumas casas foram removidas.
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No plano de intervenção do programa apresentado em assembléia aos moradores, previa-se para essa área a construção de uma praça de lazer. Entretanto, o controle do tráfico exercido sobre a associação de moradores fez com que seu presidente fosse coagido a atender a um pedido do “dono da favela” – assim é chamado o chefe do tráfico -, solicitando então aos fiscais do programa uma mudança no projeto “em nome da comunidade”. Assim, ao invés da praça, construiu-se ali uma quadra, que, apesar de ser oficialmente destinada à livre utilização dos moradores para fins de lazer, tornar-se-ia na prática uma área de controle e uso exclusivo para a realização das festas e “bailes” promovidos por traficantes. Certamente, esse tipo de negociação ocorria nos bastidores, sem que os moradores tivessem conhecimento ou participação no processo decisório. Orientados a “não se meterem nisso”, os agentes comunitários, por sua vez, sentiam-se totalmente impotentes diante de tais situações.
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Acompanhando o processo de implantação do Programa Favela-Bairro em Acari, através da atuação das agentes comunitárias, pudemos observar e descrever o trabalho de fabricação de uma rede de relações, assim como a multiplicação das “pontes” – a que liga a prefeitura às agentes comunitárias através de uma organização não-governamental, a que liga os moradores à prefeitura através das agentes, e a que liga as agentes aos moradores através dos “representantes de rua” – analisando os efeitos produzidos por cada uma delas. Como diz Latour (2001) em relação às disciplinas científicas, essas alianças constituem precisamente aquilo que torna o fluxo sanguíneo do programa mais rápido e com uma taxa mais elevada de pulsação.
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constatamos que os planos de intervenção nunca são transpostos exatamente da maneira como esperada pela prefeitura nas localidades, mas estão sujeitos a uma série de transformações durante o processo de sua implantação, resultante das ações de diversos atores (humanos e não-humanos), previstos ou não, tais como: prefeitura, moradores, organizações não-governamentais, agentes comunitários, fogos, engenheiros, ruas, fiscais, empreiteiras, associações de moradores, escritórios de arquitetura, tráfico de drogas, polícia, mapas, sentimentos, operários, máquinas, cimento, memória, britadeiras, relatórios…
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Outros links relacionados:
A cidade como integração dos bairros e espaço de habitação, por Elisabete França e Gloria Bayeux
Favela-Bairro: êxito ou fracasso das políticas públicas de urbanização?, por Luíza Duarte
Manifestação contra a violência policial em Acari (RJ)
Sunday, August 12, 2007
Dia dos Pais

Pensei em fazer aqui alguma piada sarcástica, dessas que tão frequentemente faço no papel de pseudo-traumatizado que vez ou outra fico achando que sou na verdade um pseudo-desencanado. Morrendo de medo da segunda hipótese, deixei a idéia de lado. E vários outros pensamentos também.
Mas a mente humana (ou, para todos os efeitos, ao menos a minha mente, já que não posso garantir nada pelas outras) é teimosa demais e não pára de saltar de um assunto a outro. Faz considerações sem fim. Imagina, sonha, relembra, pondera, teoriza, interpreta, reinterpreta, tetrapreta e planeja.
Eram tantos assuntos, e tão diversos, tão sem respeito pela distinção entre aqui e agora, ontem e muito além do amanhã, que eu não saberia recapitular meus pensamentos de agora há pouco em algumas míseras linhas.
E, no entanto, sempre há um mágico fio condutor que de alguma forma une nossos devaneios mais díspares. Pensei em como meu pai sempre buscou criar a mim e aos meus irmãos. Para muitas coisas as respostas (sob o olhar de um adulto) eram tão simples; tenho certeza de que ele as tinha. Nunca as deu. Nos deixava procurando, nos ajudava a lidar com os percalços dos caminhos... Mas encontrar as respostas era algo que ficava por nossa conta. Isso até nos assuntos mais triviais. Às vezes ele se sentava ao meu lado, conversava, ouvia e falava. Mas sempre orientando a buscar o caminho, nunca dando direções definidas e prontas.
Meu Deus! O quão difícil deve ser fazer isso! Às vezes ficamos loucos de vontade de fornecer respostas prontas aos outros, principalmente quando vemos pessoas próximas em momentos de crise pronunciadas. E se de adulto para adulto a postura que meu pai adotava já demandava um enorme sangue-frio, imagine com crianças... com os próprios filhos!
Fiquei pensando nisso e pensando que, se meu pai aguentou fazer isso com os próprios filhos, posso aguentar e me segurar com relação às pessoas do meu convívio que às vezes desafiam a palpites mais intrometidos. E então pensei: como sou arrogante... como se EU tivesse alguma resposta definitiva para algo... Nunca há como saber. Preciso retomar minhas perguntas também.
O fato é que saber deixar que os outros encontrem as próprias respostas torna-se muito mais natural quando vemos as pessoas por compelto, além do que uma crise momentânea faz parecer. Quando enchergamos nelas todo o potencial adormecido que, para acordar, precisa reencontrar a fé em si e sua fonte interior de poder e controle. Isso não pode vir de fora. De fora o máximo que podemos fazer é inspirar esse reencontro, e às vezes eu gostaria de se melhor nessa tarefa de inspirador.
Lembrei de vários momentos com meu pai e tive saudades. Preciso ir vê-lo logo.
E, voltando a mente a toda aquela salada de pensamentos variados que antes poderiam inspirar até um certo desespero, um incômodo tenso e ansioso, de um modo muito natural e indescritível tudo o que senti foi uma serena paz.
Consegui
Descobri que cantar pedalando ajuda a distrair do frio, mas não é uma prática recomendável em trechos muito povoados.
Foi uma viagem científica. Constatei que, se a distância é psicológica, o frio definitivamente não é!
Novos recordes, a missão
Conecte-se

Tempos atrás jurei para mim mesmo não comprar livros novos até terminar ao menos boa parte das leituras que tenho pendentes em minha estante. Andando pela Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos esses dias, matando o horário de almoço, acabei quebrando minha promessa (para a alegria sarcástica de Eduardo Giannetti, claro). Temi pela indigestão de minha consciência, mas por fim vi que fora uma sábia decisão. Linked, de Albert-László Barabási, é um livro excelente.
O que é que neurônios, internet, atores de cinema, a sociedade e cadeias tróficas em diferentes ecossistemas têm em comum? Todos são sistemas passíveis de descrição por redes ou grafos. Entender as propriedades gerais desses grafos leva, portanto, a um entendimento simultâneo de diversos aspectos de todos esses diferentes sistemas.
É impossível deixar de sugerir uma visita à home-page do autor , cheia de links para artigos interessantíssimos (recomendados, contudo, para serem lidos após a leitura do livro).
Friday, August 10, 2007
Quero voar
Esta é a chamada aproximação por instrumentos. O piloto olha apenas para os instrumentos do painel e, sem ter nenhuma visibilidade para fora da aeronave, sabe o tempo todo aonde o avião está.
Quero voar.
Fazendo uma hélice
O vídeo acima fala por si só. É uma maravilha...
O que me resta comentar, antes que venham as indignações alheias, é a distinção entre "a hélice" e "o hélice", tal como escrevi no post abaixo. No meio naval, sei lá eu por qual razão histórico-cultural, hélice é masculino. O navio tem um hélice, enquanto o avião tem uma hélice... Vai entender...
Cavitação e desafios tecnológicos
O que é isso? É um modelo de hélice de navio sendo ensaiado em laboratório, em um chamado Túnel de Cavitação. Os filamentos de gás que saem das pontas das pás e também da região central constituem o próprio fenômeno de cavitação, e não são formados por ar, mas sim por água. Isso mesmo, água na fase vapor.
Mas... como a água se vaporiza assim? A água vai para a fase vapor por dois caminhos: mudanças de temperatura, ou mudanças de pressão. No caso acima, o que ocorre é uma mudança de pressão por conta do funcionamento do hélice.
Em um laboratório, como o mostrado na foto abaixo, o desafio é medir todas as propriedades de um pequeno hélice a fim de entender quando e como a cavitação ocorre. Um bom hélice é capaz de funcionar sob condições extremas sem desenvolver cavitação. Afinal, para vaporizar a água muita energia é consumida, logo um hélice cavitando joga fora muita energia do motor que poderia ser aproveitada para produzir movimento.

Medidas de pressão, temperatura, rotação, torque e tração, além de registros de vibração e gravação de imagens do fenômeno, são ingredientes básicos de um bom trabalho desse tipo. Pode parecer apenas uma brincadeira quando você está no laboratório com modelos de hélice de apenas dez centímetros de diâmetro, mas quando você pensa nas hélices reais, de mais de oito metros de diâmetro e funcionando a quase 100 rotações por minuto, dá para se ter uma idéia da violência dos fenômenos em questão.
O vídeo abaixo mostra exatamente isso... O hélice de um navio de 278,8m de comprimento... Trata-se de um "pequeno" hélice de 8,35m de diâmetro. Para movimentá-la é necessário um motor com 74700 HP de potência. É muita potência... É o suficiente para me lançar ao espaço a mais de 4000 km/h em apenas um segundo. (que comparação mais inútil).
Thursday, August 09, 2007
Resumindo
Friday, August 03, 2007
Thursday, August 02, 2007
Uma velha história
- Foi tão triste gente... Minha vó morreu uma semana antes da FUVEST!
- Nossa, tadinha! Mas... ela tava prestando o que?
A gente faz do seu jeito!

Noite de domingo. Fome. Barganhei um lanchinho e minha irmã, cheia da grana, cedeu. Deixamos o carro no estacionamento e subimos. Primeiro susto: uma fila enorme. Olho para a cozinha, e estão todos movimentados. Tudo funcionando rápido, todos trabalhando, muitos lanches saindo direto da chapa. A chama alta sob o exaustor. Alta até demais! Fumaça, muita fumaça... As pessoas cmoeçam a tossir, um extintor desesperado tenta fazer algo a respeito. Eu fico é feliz. Que vão embora todos pra eu ir pra frente lá na fila e ser logo atendido. Um primeiro comentário indignado surge:
- Quem foi que pediu bem passado?
E vem a gerente:
- Não poderemos continuar com as vendas dadas as condições, desculpem...
Tento salvar meu estômago:
- Oi, desculpe... Eu não ligo pra fumaça, e tem uns lanches já prontos lá...
Não tem jeito. Nada. Chamo minha irmã e vamos embora.
No estacionamento, surge o Rafael, buzinando. Que coincidência. Aviso ele do infortúito:
- Cara, desencana... Você não vai comer hoje aqui não... A cozinha tá meio que pegando fogo.
- Sério? É incêndio então? Eu vi a fumaça lá de fora mas, sei lá, achei que fosse só mais vapor, já que está um dia tão frio!
Delay?

Dava pra começar a filosofar aqui sobre a cultura da blogagem, mas não me considero um blogueiro. Também dava pra falar sobre privacidade, internet mas... tô com sono, no momento. E, no fundo, vou continuar contando no blog o que der na telha e terei que me virar pra achar outros assuntos quando o blog for mais rápido que eu!
Ponderando

Diante de qual risco você abriria mão dos seus sonhos? Quando o risco do prazer justificaria a monotonia de ficar no chão?
I fly because it releases my mind from the tyranny of petty things . . .
Antoine de Saint-Exupéry
The man who flies an airplane ... must believe in the unseen.
Richard Bach
The air up there in the clouds is very pure and fine, bracing and delicious. And why shouldn't it be? —it is the same the angels breathe.
Mark Twain, ‘Roughing It,’ Chapter XXII, 1886
E, um achado excepcional das minhas fuchicações pela net:

Rotina
- Fala Adrí, beleza?
- Opa, beleza!
- Vou te fazer uma pergunta que venho fazendo já há cinco anos!
- Diga...
- Vai almoçar pela USP hoje?
- Ah, vou sim... mas pensei que fosse outra pergunta...
- Qual?
- ... "passou de física?"
Sunday, July 22, 2007
Pizzaria do Gordo
Logo na primeira folha, um anúncio enorme: "TODAS AS PIZZAS APENAS r$11,00". Você abre o panfleto e ao lado de todas as pizzas está o valor, R$11,00. Até aí tudo bem, sempre vale reforçar a informação. Mas é que eles parecem gostar mesmo dessa coisa de reforçar a informação.
Pizza 09 - Calamusa - Molho de tomate, calabresa fatiada, cebola, mussarela e cebola.
Tem uns nomes lá meio diferentes também... a pizza 11 por exemplo... "Pega Lulu".
E, para finalizar, o serviço de entrega...
Tocou a campainha. Peguei o dinheiro e a chave e fui até o portão.
Entrego o dinheiro.
O entregador me passa a pizza.
Pego a pizza.
O entregador me passa o troco.
Aceito o troco, e nisso o entregador pega a pizza das minhas mãos e faz menção de guardá-la de volta!!! (como se o troco fosse na verdade o pagamento dele e eu fosse o entregador...)
Pergunto casualmente: "você vai devolver?", e então ele se dá conta do que estava fazendo...
Pizzaria do Gordo!
Num lugar alto
Casa cheia. Crianças, visitas, amigos, parentes... Um contraste enorme com esse silêncio perene aqui de casa normalmente só quebrado pelas minhas violências ritmicas à bateria, pelas minhas cantorias sem público e fora de hora ou pelo dueto de crise familiar entre minha mãe e minha tia.
Casa cheia. Crianças, visitas, amigos, parentes... Escuta-se risadas. Histórias. Comentários de coisas triviais. Alguma picuinha aqui e ali, resolvida com duas ironias e mais três risadas normalmente. A dinâmica toda indescritível entre a criança buscando um lugar aos assuntos adultos e os adultos tentando separar um tempo para o mundo criança. Casa cheia...
Aprendi a gostar dessas coisas de um jeito que nem imaginaria alguns meses atrás.
É engraçado como as histórias evoluem... não passamos por nada que não nos deixe marcas, embora muitas vezes ignoramos ou neguemos esses arranhões da experiência. Mas às vezes é evidente demais.
O Sol se esconde rápido demais e parece levar com ele parte desses devaneios. Caio em mim e, pela primeira vez em muito tempo, essa solidão reflexiva que sempre me pareceu acolhedora por me proteger do caos incontrolável das imperfeições familiares teve um sabor de ser simplesmente... ...solidão, só.
Saudade.
Alguns grifos...
- cadáver adiado (pg. 65)
- poder do empuxo lacrimal (pg. 120)
Tá recomendada a leitura.
Consegui!
Infelizmente a conclusão geral da viagem é que nossa cidade é totalmente inadequada a esse tipo de empreitada; é simplesmente perigoso demais na maior parte do trecho... Nas estradas muitas vezes não há acostamento para permitir uma separação segura dos carros, nas avenidas a largura das faixas mal atende a necessidade dos carros. Precisa-se então de muito sangue-frio para tornar o passeio seguro decidindo, inúmeras vezes, simplesmente parar e ficar aguardando o trânsito ser mais favorável. Precaução é tudo.
Estou contente de ter conseguido a empreitada e sinto que o acaso gosta também de honrar estes meus feitos. Ao longo do caminho fui encontrando pessoas que não via há anos e que só encontro em situações assim... em escadas de metrô, em ruas aleatórias... Tenho o telefone e endereço e esses métodos convencionais nunca funcionam!
Também estou muito contente por ver que não estou tão fora de forma quanto as primeiras pedaladas após a reforma da bike me fizeram pensar. Mas também não estou assim nos meus melhores dias, afinal a empreitada acabou esgotando todas as minhas forças para os eventos do resto do dia; uma pena...
Thursday, July 19, 2007
Mundo High Tech
Essa coisa de bina em tudo o que é telefone tem algo de inconveniente, às vezes...
Notas explicativas dos balanços orçamentários (ou como se fosse!): Surpresa é surpresa ué... e se uma surpresa falha é sempre bom que a falha passe totalmente desapercebida para que em uma próxima oportunidade a idéia ainda guarde todo o impacto de surpresa inesperada. Ou ao menos é o meu jeito...
Pela Paulista
Wednesday, July 18, 2007
E um documentário especial...
1981... Não dá pra acreditar... O que eles tinham de computadores na época? E mesmo em termos de instalações experimentais... Não há, até hoje (que eu saiba), túnel de vento nenhum capaz de simular as condições de reentrada na atmosfera. Eles calcularam tudo "na unha" e confiaram no que fizeram. E acertaram.
E o final do documentário:
É um milagre!
Friday, July 13, 2007
Fora de série!
Eu fui hoje no Teta Jazz Bar por causa desse vídeo aí em cima e de uns outros que achei no YouTube sobre o Alex Buck, o baterista...
Minha surpresa hoje: além da batera, Buck encara também os teclados, e sem ficar devendo nem um pouco em técnica!
Nota de rodapé:
Dos dois lugares que eu havia reservado, doei um para o amplificador do teclado. Pareceu-me conveniente e apropriado, dado o relativo aperto do ambiente. Enquanto eu trocava uma idéia com o amplificador pra ver se rolava algum clima, não pude deixar de ouvir a conversa da mesa ao lado:
- Iche! Vocês nem vão acreditar! Eu estava no metrô, e alguém vira pra mim e pergunta: ei, você não é de Descalvado?
Eu não pude ser discreto... virei-me imediatamente para esta mesa: Descalvado?!
Nota de rodapé 2:
O amplificador me ignorou.
Wednesday, July 11, 2007
Olhos fechados
Anos mais tarde, tento acessar dentro daquele olhar já distante algum pedaço de perdão, alguma idéia de paz. O Tempo é assim um juiz inexoravelmente perspicaz, honesto e justo quando se trata de condenar-nos pelo que fazemos contra nós mesmos. Fiquei ali, sem achar olhar nenhum mais... Só ouvindo os ecos de meu erros nunca mais corrigíveis.
Meus erros?! Fui consolado por todos em quem busquei alguma indignação e repulsa contra o pior de mim. Por todos, menos pelo velho... Que soube dizer, com suas irreproduzíveis palavras de falar à alma, que sim, eu errei... Mas a única coisa sensata e cabível a fazer é olhar esse erro buscando aprender e melhorar. Olhar pra frente... Na direção oposta a que eu estava olhando agora; justamente a direção em que mesmo aqueles olhos fechados se lembravam de mirar.
Eu encontrei todos os defeitos dela. Maximizei-os com quantas hipérboles deboxadas consegui improvisar. E agora são só as virtudes que eu vejo partir... Fico pensando se essa mudança de ótica é um auto-engano com que tento me ver já não tão duro.
E então olho tudo em volta e percebo que não vejo mais nada do mesmo jeito. As pessoas mudaram. Eu mudei?!
Saturday, July 07, 2007
Sempre ele!
Karl Marx, em O 18 Brumário de Napoleão Bonaparte
Aos curiosos, texto completo aqui.
Friday, June 29, 2007
Escambo metafísico
- Só se você me ensinar a dançar.
Pra mim, soa uma troca bem justa!
Wednesday, June 20, 2007
Monday, June 18, 2007
Ela tinha...

Nuclear energy
Uranium Information Center
Parece tão fácil....
Sunday, June 17, 2007
Equilíbrio
Embora talvez exista uma resposta a essa pergunta, certamente cada resposta é particular a cada caso, e dada a complexidade de análise de cada caso, nunca haverá tempo hábil para encontrar a resposta antes da catastrófica (ou não) instauração das conseqüências.
Eu já sabia disso. Mas de tempos em tempos fico assim, me remoendo em protesto contra essa cruel e incontornável realidade das coisas.
Cities Alliance
Cities Alliance
Respeitável
Saturday, June 16, 2007
Há sempre uma solução...
- Humm... E se não houver reitoria nenhuma em mim?
- Então ocupe a da Suely!
Ponderando...
Há uma situação particularmente crítica: aquela em que uma decisão errada emerge do auto-engano, de uma crença profunda e límpida de que se está fazendo o melhor ao arquitetar justamente o seu oposto. Não sei se foi isso o que aconteceu, mas se foi certamente não deve se repetir jamais!
Thursday, June 14, 2007
247 degraus acima da noite
Wednesday, June 13, 2007
Delfos
Tuesday, June 12, 2007
Caminhando e cantando
Fazia tempo que eu não caminhava quilômetros. Faltava, talvez, aquele ânimo inicial que depende intimamente de uma aura mais "vamos, só se for agora!". No primeiro quilômetro você considera e reconsidera o que está fazendo... Cada passo convida a procurar o ponto de ônibus mais próximo e a fazer as coisas direito. Vez ou outra, confesso, sou vencido por esses lapsos de sensatez. Mas quando o primeiro quilômetro vai embora... Aí é mais do que só manter o ritmo. Por mais que esta cidade não seja de nenhuma gritante beleza quando olhada assim bem no seu íntimo, exceto por este ou aquele lugar mais ajeitado, é impossível não se deliciar com essa sensação de olhar no espaço de umas poucas horas vários e vários mundos assim bem de perto, de um jeito impossível de fazer quando se está detrás de uma janela.
Cachorros, sorrisos, ajuda para elucidar este ou aquele caminho no meio de um improviso... Por falar em cachorros, fui seguido por quatro cachorros da semana passada pra cá. Seguido mesmo! Pessoas me perguntavam se os cachorros eram meus... Não que eu fosse seguido por uma matilha... Foi um por vez... Mas ainda assim o fenômeno me deixou curioso... Algo mudou em minha aura? Muitos parentes reencarnaram nesta última semana? Me tornei uma boa pessoa e os animais sabem disso? Bom, na falta de hipótese melhor, vou mesmo é começar minhas precauções com um banho adicional todas as manhãs.
Enfim, foi um ótimo dia... não exatamente como o planejado, mas nem por isso menos memorável. Adorei, por exemplo, o pôr do sol, com todo o crepúsculo e suas histórias, e sua perspectiva atípica.
Friday, June 08, 2007
Political Compass
O meu teste deu o resultado reproduzido acima... E você, é classificado aonde pelo Political Compass?
Monday, June 04, 2007
É muito!!!

Está certo isso? A reportagem especial do Estadão sobre a poluição na China diz que em 2006 o consumo de carvão na China foi de 2,5 bilhões de toneladas. Isso está certo? Eu fiquei pensando... puta que o paril, isso é coisa pra caramba!
Dando um chute bem mal chutado... Considerando que a densidade de todo esse carvão é a mais alta que consegui encontrar, ou seja, de 1600 kg/m³, então estamos falando de um volume total de (2,5x10^12kg)/1600=1,56 bilhão de metros cúbicos, ou um caixotão de 1160 metros de aresta. Isso de CARVÃO SÓLIDO! Isso é o que a China queima em 1 ano...
Agora pense... Isso tudo vai ser queimado... O que é sólido vai virar gás. Faz tempo que eu não mexo com aquelas formulinhas de cursinho, mas que eu me lembre não é difícil ver que volume essa fumaça toda ocupa... Tem que lembrar que mol é um número bem grande, que Avogadro foi um cara legal e que o número 22,4 aparece na história. Ah! Fundamental: a regra de três é mágica.
Se 1 kg de carvão tem lá uns 60 moles de carbono, assumindo que tudo virou CO2 temos 60 moles de CO2... para cada quilo... Cada mol de gás ocupa 0,0224 m³ na atmosfera. Isso leva, para a China, a 1.5e14 moles de CO2 por ano, ou 3.36e12 m³ de gás carbônico puro... Esse volume é correspondente a um caixotão cúbico com 14978 metros de aresta. Todo ele cheio só com gás carbônico... Isso num ano. Então a cada dia abre-se à amosfera um caixotão de 2 quilômetros de aresta, cheinho de fumaça. Isso só na China... EUA e UE terão outros números comparáveis e o resto do mundo ainda mais uma fraçãozinha....
É muito!
Tudo bem que a China é grande, mas essa poluição é concentrada às grandes cidades, e não se dispersa por toda a altura da atmosfera... E o volume que nem parece tão grande assim é de fumaça pura... Ela diluída no ar, mesmo em concentrações altíssima, passará a ocupar um volume bem maior...
E mais uma coisa... Calculamos um cubo de fumaça de quase 15 km de altura. Mas a poluição em geral se dispersa em uma camada bem próxima ao solo... Em torno de 300 a 400 metros, eu diria. Usando 400 metros como altura para nosso cubo de fumaça, a produção diária de fumaça da China cobre uma área de 23 km² com fumaça pura. Ou 8400 km² em um ano. Com uma área total de 9 572 909 km², a diluição anual (se a fumaça se distribuísse de forma homogênea) seria de 0,08%. Tá... parece pouco? Em pouco mais de 1000 anos a China ganharia uma camada de fumaça pura de 400 metros de altura, sem um espacinho com oxigênio ou o que seja, nesse ritmo (é só uma ilustração, eu sei, efeitos de dissipação não estão considerados). E, além disso, o jeito certo de avaliar estes números é conhecendo o limite de concentração de poluentes para os humanos. Ao lembrarmos que a unidade para isso é a ppm (partes por milhão), dá pra ver que um pouquinho já é bastante e faz um mal danado.
Segundo uma reportagem da Revista Fapesp o limite de segurança para concentração de monóxido de carbono é de 50 ppm, e para o dióxido de carbono, que não é considerado tóxico porém é um indicador de qualidade do ar, limiares de 1000 ppm começam a indicar problemas.
Tomando este último número como referência, para sermos bonzinhos, o cálculo muda completamente de figura... Na taxa atual de emissão, levaria apenas 1,25 ano para a China se cobrir com uma curtina de fumaça dessas proporpções, e aqui "levaria" torna-se uma possibilidade muito grande... É claro que ela só não está mais poluída porque está exportando essa fumaça toda, e parte é absorvida pelo meio ambiente e tudo o mais... Mas creio que esse cálculo simples e curioso deixa bem claro o quão inadequado é o modelo energético chinês (e, para estes efeitos, americano, europeu, e desenvolvidos em geral)...
Links de interesse:
EnviroChina
Substitutes for wood, turning to coal and other approaches
Surging Chinese Carbon Dioxide Emissions
China's Coal Addiction: More Than Just a Pollution Problem
Air Pollution in China
Thursday, May 31, 2007
Pois é....
- Edward Luttwak, The middle of nowhere
Sunday, May 27, 2007
Saturday, May 19, 2007
Fazenda Entre Rios -> Monte Alto
E eu não poderia voar outro avião se não o pequeno e simpático Cessna 152. A idéia, afinal, era familiarizar-se com o novo controle e relembrar o básico do básico.
O saudoso cenário de Rubens Grazzini não estava devidamente instalado, e providenciei rapidamente uma correção a esta falha. Em seguida, lá vou eu taxiando o pequeno avião e me acostumando à sensibilidade do pequeno throttle que acompanha o controle. A precisão me animou! Alinhado... Uma primeira posição de flape, freios aplicados... Manete gradualmente à frente e continuo segurando nos freios, para sentir o nervosismo ansioso da aeronave querendo soltar-se para buscar seu meio.
Tomo proa norte, em uma curva suave, e a primeira missão é a de subir até 5.000 pés de altitude mantendo 500 ft./min de razão de subida. Tarefa básica, mas fazê-la com atenção aos detalhes já vai sedimentando as bases para uma relação íntima homem/máquina. Nivelado, deixo o avião embalar mantendo sempre a rotação antes da faixa vermelha (tarefa que agora ficou mais natural, graças ao throttle!).
Com o aumento da velocidade, a sensibilidade dos controles vai se modificando e uma atenção adicional é necessária para manter o VSI (Vertical Speed Indicator) bem comportado. Depois de três minutos na execução da manobra mais difícil de todas (vôo reto-horizontal), é hora de praticar um pouco de curvas em S, abrindo 60 graus para a esquerda e em seguida fazendo curvas de média inclinação para a direita e para a esquerda de 120 graus cada. O desafio: não ganhar nem perder um pé de altitude sequer, e manter a velocidade estável com ajustes de potência sabiamente inseridos na paz do vôo. Esta série de manobras consome os dez minutos seguintes, e então inicio uma série de 360 graus em subidas e descidas, com curvas padrão e buscando sempre a razão de 500 ft/min.
O melhor estava por vir... Uma série de seis estóis, três sem motor e três com motor deixando o nariz subir alto, até despencar uma vez e devolver ao avião toda sua paixão pelo vôo.
Faltava apenas a série de pousos e decolagens. Foram cinco pousos no total. No dois primeiros cheguei baixo demais, precisando sempre de um auxílio complacente do motor. Os três seguintes foram todos em aproximação planada, apenas com uma manetada de tempos em tempos para manter o motor aquecido. Nem sempre perfeitos, é verdade. Num deles cheguei baixo também, mas consegui chegar deixando para comandar a primeira posição de flape já na final.
Mas teve direito, ainda bem, a um pouso daqueles em que o avião vai lambendo a pista pensando se vai ou se fica até que, por sugestão do motor que continua dormindo, decide tocar o chão assim, como que por acaso. Foi um bom vôo!
Monday, May 14, 2007
Mig-21

O que eu não saiba é que o Mig-21, além de ser um dos mais belos, é também o caça fabricado em maior número em toda a história. A reportagem que saiu recentemente na revista ASAS me chamou a atenção para o fato. A antiga União Soviética produziu mais de 10.000 exemplares! Um número sem sombra de dúvida impressionante... Para comparação, vejamos alguns números de caças norte-americanos clássicos:
- F-4 Phantom II: 5195 unidades
- F-5: 3300 unidades, considerando-se as famílias "Freedom Fighter" e "Tiger II"
- F-14: 712 unidades
- F-104: 2578 unidades
Sunday, May 13, 2007
Wednesday, May 09, 2007
Monday, April 30, 2007
The Intrinsic Nature of Things...
Sunday, April 29, 2007
Publicidade Politicamente Incorreta

Estrelando: Lázaro Ramos. Ele é um marginal que aparece subitamente e assalta Tony Ramos, levando sua carteira.
Na seqüência, vemos Lázaro Ramos em uma loja de brinquedo, andando por entre as prateleiras e escolhendo alguns brinquedos. Dirige-se então ao caixa e quando o atendente pergunta como ele vai pagar, ele abre a carteira roubada e entrega um cartão de crédito VISA.
Na cena seguinte vemos algumas crianças dentro de um barraco de favela, tristes, vendo pela TV a alegria de outras crianças em um natal cheio de presentes. Entra então no barraco, claro, Lázaro Ramos com as compras. As crianças todas correm em direção a ele e ele se abaixa para receber a chuva de abraços.
Uma voz de fundo então anuncia, solenemente: "Cartões VISA"...
Lázaro Ramos levanta o olhar em direção à câmera e abre um largo sorriso. A cena vai se fechando e vem então o slogan, juntamente com a narração:
"Porque o que vale é a intenção!"
Thursday, April 26, 2007
Só pra registrar...


Tuesday, April 10, 2007
Excepcional
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/04/04/AR2007040401721.html
Simples assim . . .
We have no time to stand and stare.
-- from "Leisure," by W.H. Davies
Sunday, April 01, 2007
Saudade
Sunday, March 04, 2007
Thursday, March 01, 2007
Links para projetos de aviões
- Experimental methods, um guia sobre como conduzir experimentos diversos na área de engenharia de estruturas e mecânica dos fluidos. Um dos experimentos é especificamente sobre a caracterização experimental de aerofólios em túnel de vento.
- Uma lista dos aerofólios empregados em milhares e milhares de aviçoes! , um guia de referência indispensável para quem está estudando engenharia aeronáutica e deseja conhecer mais profundamente aeronaves reais e consagradas.
Sunday, February 25, 2007
PETAR
Onde pinga sem pará;
As Marinas que aqui reclamam,
Não reclamam como lá.
Nossas cavernas têm mais pedras,
Nossas várzeas mais odores,
Nossas bagagens têm mais breja,
Nossa breja mais amores.
No mato, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha barraca tem goteiras,
Onde pinga sem pará.
Minha barraca tem isopores,
Que tais não encontro eu cá;
No mato - sozinho, à noite -
Mais presunto encontro eu lá;
Minha barraca tem goteiras,
Onde pinga sem pará.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute as margarinas
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as barracas,
Onde pinga sem pará.
No mato, na trilha, na lama,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha perna tem picadas,
Onde coça sem pará.
Meus amigos têm mais risos,
Que tais não encontro eu cá;
No mato - na trilha, na lama -
Mais mosquitos encontro eu lá;
Minha perna tem picadas,
Onde coça sem pará.
Não permita Deus que eu morra,
Nem que eu venha a escorregá;
Sem que desfrute os jantares
Que só o Demo me dá;
Sem qu’inda aviste as barracas,
Onde pinga sem pará.
Wednesday, February 14, 2007
Identidade
Ando pela Paulista me perguntando quantas outras pessoas não estão lá escondidas sem que eu saiba de seus sonhos grandiosos e altruístas, ou de suas histórias mundanas, vivas e engraçadas. Essas pessoas precisam se conhecer, precisam descobrir que existem...
Frequento casas... comprimento as pessoas... e meses depois, anos depois!, descubro que por trás daqueles educados cumprimentos há todo um mundo de histórias ricas, vivas, profundas e divertidas...
"ah, eu tocava em uma festa... dava pra ganhar até 100 dólares, e olha que tinha dia que eu tocava em até três festas! É, é... dava pra juntar um dinheirão! Aí eu peguei tudo e montei um kibutz!"...
Eu tenho sono, mesmo... E nem adianta escrever também... O dia hoje foi tão rico de pessoas ricas, que eu poderia passar horas aqui escrevendo e escrevendo e não esgotaria todos os pensamentos e sensações.
Thursday, February 08, 2007
Falta de educação
Ontem, confesso, gastei um tempinho trocando mensagens inúteis em uma das comunidades do Orkut como forma de matar o tempo amorfo que não me divertia nem motivava. De repente, num dos momentos mais amistosos da conversa, eis que alguém resolve mandar uma mensagem de desprezo e com final ofensivo, dessas que terminam com imperativos indigestos e anti-higiênicos. Foi uma grande falta de educação. É falta de educação agredir verbalmente as pessoas como forma desesperada de tentar defender a razão (que assim, ironicamente, se esvai mais rapidamente). Mas, fiquei pensando, também é falta de educação usar sozinho o carro em dias que eu poderia utilizar o transporte público sem maiores transtornos. Também é falta de educação eu não conseguir conversar mais que dois minutos em uma entrevista para emprego sem utilizar gírias ou gagejar. Também é falta de educação eu não ter idéia de onde fica a Groenlândia quando a mencionam nas reportagens sobre aquecimento global. E também é falta de educação eu não conseguir entender os gráficos que aparecem no jornal nas reportagens de economia ou do que quer que seja. Diferentes faltas de educação, e eu não saberia decidir aqui qual é a mais importante...Educação. Acabo de ler uma reportagem no Estadão mencionando que as notas no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) vão mal. O pior desempenho desde 2002. O Ministério da Educação, num prestativo esclarecimento científico, informou que não é possível comparar os resultados de anos diferentes do ENEM porque a "prova é voluntária e a amostra termina por ser diferente". Mas foram mais de 3.000.000 de alunos voluntários. Se com uma amostra de uns poucos milhares de eleitores já se tem uma boa margem de certeza em pesquisas eleitorais num universo de dezenas de milhões de eleitores, duvido que os três milhões de alunos não sejam amostra mais que suficiente. São tantos alunos, que ainda que destoassem completamente do restante, por si só já representam uma séria preocupação, e garanto que eles são uma ótima representação amostral de si próprios.
Qualquer um que já viu as questões do ENEM sabe que, ainda que obter um desempenho altíssimo exija sim uma razoável "língua afiada" por estudos recentes, obter um mínimo de desempenho na prova exige apenas o domínio das habilidades básicas necessárias para interagir com a sociedade atual. Capacidade de interpretar informações escritas e dispostas em forma de gráficos; fazer uso matemático básico de informações fornecidas; conseguir expressar-se por meio da linguagem escrita.
Não é pedir muito. Num primeiro momento, seria de se esperar que pessoas desprovidas dessas habilidades não são capazes de interagir devidamente com o mundo moderno estruturado na economia da informação. Num segundo momento, você percebe que é exatamente isso o que está acontecendo. Num terceiro e desesperador momento, nota que são tantas as pessoas nessa situação de inanição cultural que forma-se toda uma sociedade marginal estruturada em formas cada vez mais arcaicas em termos de relações de trabalho, dinamismo cultural e autonomia social.
Não quero dizer que só a educação das escolas é cultura. Claro que não. Mas é um dos tipos de cultura que faz muita falta. E aqueles que discordarem de mim aqui torcendo o nariz muito provavelmente é porque nunca estiveram em uma escola capaz de apresentar-lhes devidamente esse ferramental básico.
O que fazer? Eu não sei, sinceramente. Reconheço uma tendência muito forte no Brasil, ou pelo menos aqui em São Paulo, que conheço melhor, a pedir mais verbas. Ah, mais verbas! Novos laboratórios, salas de aula reformadas, computadores. Quem sabe, até, melhores salários para professores com motivação revigorada? Sinceramente, sou cada vez mais cético quanto a isso tudo. Não que essas coisas não sejam boas, são muito bem vindas sim. Mas por si só não garantem nenhuma mínima revolução na educação e, mais ainda, é possível a promoção de grandes saltos qualitativos na educação sem nada disso. As maiores mentes que a história da humanidade já registrou até hoje foram produtos de leitura, livros, giz e conversa cara-a-cara. Isso, ainda bem, não tem ficado mais caro com o aumento do petróleo, não é ameaçado pelo aquecimento global, pelas loucuras do Bush ou pelas lulices do Inácio. Depende de uma profunda epidemia de motivação e confiança, e o resto está aí... Mas... como?!
Em tempo: a segunda das fotos neste post foi retirada do site do Committee for the Relief of Poor Children in Vietnam, uma ONG interessante; vale a pena uma olhada no site.
Wednesday, February 07, 2007
Estabilidade de grupos sociais

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