E um Axel que manda bem pra caramba no violão, vale a pena conferir!
Sunday, September 28, 2008
Saturday, September 20, 2008
Ataque perspicaz
Filósofos gostam de praticar o pensamento filosófico em assuntos nada originais que outros filósofos chamam de filosofia e deixam as próprias mentes de lado quando estão fora desses assuntos.
Retirado de "A Lógica do Cisne Negro", de Nassim Nicholas Taleb.
A mesma crítica pode se aplicar a uma gama absurdamente grande de academicismos, eruditos ou mesmo técnicos. Físicos frequentemente perdem o olhar para o mundo natural que se oferece da janela pra fora, engenheiros parecem ser completamente cegos para uma infinidade de problemas não-quantificáveis ou de enunciado aberto, críticos literários parecem particularmente propensos a esquecer que a literatura nasce de um impulso por esmiuçar a vida e sobrevalorizam a literatura enquanto menosprezam toda a vida que se desenrola naturalmente e de graça, ao redor. A crítica de Taleb, embora tenha um objetivo muito preciso em seu livro enquanto denuncia da cegueira reflexiva para o objeto central de sua investigação (aleatoriedade e inferência), é muito mais ampla e toca de perto um traço caracteristicamente humano que não tem muitos critérios para escolher onde se manifestar: nossa propensão automática e inescapável à distorção da realidade com vistas a justificar e glorificar nossa particular narrativa do mundo.
Retirado de "A Lógica do Cisne Negro", de Nassim Nicholas Taleb.
A mesma crítica pode se aplicar a uma gama absurdamente grande de academicismos, eruditos ou mesmo técnicos. Físicos frequentemente perdem o olhar para o mundo natural que se oferece da janela pra fora, engenheiros parecem ser completamente cegos para uma infinidade de problemas não-quantificáveis ou de enunciado aberto, críticos literários parecem particularmente propensos a esquecer que a literatura nasce de um impulso por esmiuçar a vida e sobrevalorizam a literatura enquanto menosprezam toda a vida que se desenrola naturalmente e de graça, ao redor. A crítica de Taleb, embora tenha um objetivo muito preciso em seu livro enquanto denuncia da cegueira reflexiva para o objeto central de sua investigação (aleatoriedade e inferência), é muito mais ampla e toca de perto um traço caracteristicamente humano que não tem muitos critérios para escolher onde se manifestar: nossa propensão automática e inescapável à distorção da realidade com vistas a justificar e glorificar nossa particular narrativa do mundo.
Wednesday, September 17, 2008
Valores

Ainda não tive o que se pode chamar de uma vida longa, mas já posso dizer que até aqui tive vários óculos. De qualidade, sem qualidade, de grau, escuros... Uns perdi, outros estraguei, outros quebrei... Acontece, um descuido ali, pronto, já era. Caiu no chão, riscou na parede, algo horrível aconteceu.
Até que nesses dias percebi algo curioso... Tenho um par de óculos que conservo em minha posse há um tempo recorde, e essa não é sua única peculiaridade. Eles não só são os óculos mais baratos de todo o repertório, mas também são... sem grau! Isso mesmo, não são nem óculos de sol, nem de grau. São como óculos de leitura, parecem ser "de verdade", mas não tem grau nenhum. E percebi que nunca cuidei de nenhum dos outros com o mesmo cuidado, nem mesmo dos caríssimos óculos de sol com os quais presenteei Iemanjá nas últimas festividades de ano novo.
É que esse par, sem grau, sem graça, tem... histórias! Ele é inusitado, e ele é inútil, duas qualidades das mais supremas já concebidas. Conciderando-se paralelamente que ele é inofensivo, conclui-se que é excepcionalmente belo e admirável, no sentido estético do termo, no sentido filosófico de estético...
Que se tenham ido os óculos caros ou os portadores de utilidades das quais outros dariam conta, tudo bem... Agora esse, esse que é capaz de gerar risos e conversas, esse que é capaz de divertir, que tem histórias, esse que é uma contravenção às normas utilitárias de fabricação de utensílios, e que portanto presta-se unica e exclusivamente a satisfazer um prazer lúdico sem pagar nenhum tributo por isso, esse sim tem um verdadeiro valor a mais. Esse par espero não perder nunca!
L'esprit de l'escalier
L'esprit de l'escalier
A expressão original, cunhada por Diderot no livro Paradoxe sur le comédien, aplica-se a situações em que alguém está envolvido em uma discussão e não encontra uma resposta apropriada para algum comentário ou argumento do interlocutor. Ao ir embora (ou seja, descendo a escada), a resposta perfeita, que decidiria a discussão, finalmente vem à sua mente, mas já é tarde demais. (Nota de Marcelo Schild a um trecho do livro The Black Swan, de Nassim Nicholas Taleb)
A expressão original, cunhada por Diderot no livro Paradoxe sur le comédien, aplica-se a situações em que alguém está envolvido em uma discussão e não encontra uma resposta apropriada para algum comentário ou argumento do interlocutor. Ao ir embora (ou seja, descendo a escada), a resposta perfeita, que decidiria a discussão, finalmente vem à sua mente, mas já é tarde demais. (Nota de Marcelo Schild a um trecho do livro The Black Swan, de Nassim Nicholas Taleb)
Thursday, September 04, 2008
Esse Orkut me dá medo...
Wednesday, September 03, 2008
Tuesday, September 02, 2008
Ação e reflexão

Digitando "Aquecimento global" na busca de um grande portal de notícias brasileiro encontrei, dentre outras, as seguintes manchetes:
Aquecimento global pode dar prejuízo de até R$ 14 bilhões à agricultura brasileira
Geleira peruana desaparece por causa do aquecimento global
Aquecimento global reduzirá área apta para soja no Brasil
Mudando um pouco a pesquisa, digito "pré-sal" e vejo as seguintes manchetes:
Lula diz que petróleo do pré-sal deve ser produzido em larga escala em um ano
Petrobras: dados indicam que pré-sal não é campo único
Mantega diz que exploração do petróleo do pré-sal vai duplicar reservas brasileiras
Investimentos vão ultrapassar US$ 112 bi até 2012 com pré-sal, diz Gabrielli
Certo, certo... Vamos juntar tudo então... O mundo está aquecendo devido ao excesso de gases estufa emitidos pelo homem: isso é ruim. O aquecimento global pode implicar em sérios prejuízos à agricultura brasileira: isso é ruim. Uma das principais fontes de gases estufa é a queima do petróleo, logo: queimar petróleo é ruim. O Brasil acaba de encontrar reservas gigantescas de petróleo no oceano, e pretende tirá-lo de lá para quimá-lo ou vendê-lo para que outros o queimem: isso é bom. Hã?!
Muito bem... Sei que não posso ser simplista e defender a postura extremista de que as reservas brasileiras devem permanecer inexploradas sob o oceano por conta de preocupações ambientais. Mas, no mínimo, confesso estar impressionado com a completa separação que os dois assuntos têm na mídia. Ainda que em nada a discussão viesse a alterar os planos de exploração, o mínimo que eu esperava era ver a questão borbulhando por aí, o que até agora não verifiquei. Aquecimento global é preocupação de cientistas. Petróleo é preocupação de economistas, de homens de negócios.
Saturday, August 30, 2008
Finados com estilo

Sua vozinha querida morreu? O coração do papai não aguentou e ele empacotou? Está morrendo de medo de virar aquela sua tia chata que ia sempre no cemitério fazer uma visitinha ao túmulo da família? Bem, o que posso dizer? Seus problemas acabaram!
Ao invés de enterrar o familiar, se preocupar com o túmulo e tudo o mais, junte aí uns 7.500 dólares, queime o morto e deixe que a Algordanza se encarregue de transformar as cinzas num lindo... diamante! Não é uma maravilha?
Eu nem imagino onde isso pode ir parar... No futuro, museus podem exibir coleções de jóias que na verdade são a árvore genealógica de famílias inteiras...
Numa eventual crise financeira, você poderá penhorar aquele seu tio pão duro pra conseguir, finalmente, um troquinho.
Poderá finalmente levar sua vó a passeios que ela jamais iria porque estava meio fraquinha nos últimos dias de vida. Afinal, agora ela é mais forte que o aço!
E... e quanto a usar essas jóias de presente, hein?
- Amor, que anel lindo!!! É um diamante mesmo?
- Não, é minha vó. Gostou?
Friday, August 29, 2008
Wednesday, August 27, 2008
As maravilhas da pseudociência

A lp não pode ser, por conseguinte, um subcódigo. Ela é o código infinito ordenado, um sistema complementar de códigos do qual podemos isolar (por abstração operatória e à guisa de demonstração de um teorema) uma linguagem usual, uma metalinguagem científica e todos os sistemas artificiais de signos - que, todos eles, são apenas subconjuntos desse infinito, exteriorizando as regras de sua ordem sobre um espaço restrito (sua potência é mínima em relação à da lp que lhes é sobreposta).
A pérola acima é de Julia Kristeva (a lindeza da foto acima). E o melhor comentário, de Michel de Pracontal: "O parágrafo não quer dizer estritamente nada, o que evita ser errado."
Tuesday, August 26, 2008
... dos esforços a que se dão os professores...

Groucho ainda não tinha saído da infância e já era o professor de seus irmãos; e ainda não era muito forte em ortografia, e já conseguia abordar a geografia de maneira original.
Quando ele perguntou a Harpo qual era a forma da Terra, Harpo (que ainda não se tinha dedicado exclusivamente à pantomima) respondeu-lhe com candura que não sabia. Diante disso, Groucho tentou sugerir-lhe a resposta: "Vejamos", perguntou ele, "qual é a forma das minhas abotoaduras de camisa?
- Quadrada, disse Harpo.
- Eu quero dizer as abotoaduras de camisa que eu uso aos domingos, não as de todo dia. Hein? Então, qual é a forma da Terra?
- Redonda aos domingos, quadrada nos dias de semana", respondeu Harpo que, pouco tempo depois, se dedicava profissionalmente ao silêncio.

retirado de: Correspondence de Groucho Marx, Paris: Champs Libre, 1971
Monday, August 11, 2008
Meio sumido
Sim sim, faz um tempo já que não escrevo. Mas não é só longe do computador que tenho estado. É longe da cidade. Do estado. Da terra firme...
Entre um trabalho e outro, medindo potência, consumo de combustível, velocidade e comportamento no mar de um grande navio porta-contêineres, há tempo para ver o mar.
Há tempo para ver o mar de dia, com um horizonte sem fim, gaivotas se paroximando para pescar em volta do navio. Baleias nadando felizes na beleza das águas de Abrolhos. O azul estonteante das águas ultra-profundas.
Há tempo para ver o mar de noite. Com uma escuridão funda inquestionável e estrelas mais que no planetário. E curtir o vento vindo do nada na calma meditativa que é a proa do navio, longe do barulho do motor e das máquinas que estão bem longe, centenas de metros lá para trás, na popa do navio gigante. Só o barulho da água, do vento, as estrelas infinitas...
Depois de meditar tanto, se não se acha mais o que fazer, sempre é possível divertir-se um pouco anarquizando tudo fechando válvulas aleatóriamente só pra ver o que acontece...
Monday, June 30, 2008
O mundo pelo IBGE
Thursday, June 19, 2008
Termodinâmica sociológica
O simpático livro de Octave Levenspiel, "Termodinâmica Amistosa Para Engenheiros", tem seu primeiro capítulo assim iniciado:
"Por que a escravidão não é viável atualmente? Por inúmeros motivos, entre eles, porque não dá lucro."
Há muita verdade técnica nesta afirmação. Comparar o desempenho humano com o desempenho de máquinas para tarefas que não exijam nada além da aplicação de força de uma maneira pré-estabelecida é até sem graça, tão discrepantes que são as diferenças. Mas há também muita verdade humana nesta frase. Talvez o que incomode seja justamente a sugestão de uma relação tão direta entre as imposições físicas e as tendências humanas justamente ali onde gostaríamos de ver em toda magnitude nossa sempre muito proclamada liberdade de escolha...
"Por que a escravidão não é viável atualmente? Por inúmeros motivos, entre eles, porque não dá lucro."
Há muita verdade técnica nesta afirmação. Comparar o desempenho humano com o desempenho de máquinas para tarefas que não exijam nada além da aplicação de força de uma maneira pré-estabelecida é até sem graça, tão discrepantes que são as diferenças. Mas há também muita verdade humana nesta frase. Talvez o que incomode seja justamente a sugestão de uma relação tão direta entre as imposições físicas e as tendências humanas justamente ali onde gostaríamos de ver em toda magnitude nossa sempre muito proclamada liberdade de escolha...
Sunday, June 15, 2008
E pur si muove
Sou dado a não crer em astrologices...
Mas como é exatamente isso o que a astrologia prevê para mim, meu ceticismo fica se sentindo com um chute na canela.
E nessas manquices de uma ceticice desnorteada, tenho meus lapsos de crédito até para o orkut:
Oroscopo del giorno: Presto ti arriveranno buone notizie per posta
Esperto pra caramba, esse Orkut! =D
Mas como é exatamente isso o que a astrologia prevê para mim, meu ceticismo fica se sentindo com um chute na canela.
E nessas manquices de uma ceticice desnorteada, tenho meus lapsos de crédito até para o orkut:
Oroscopo del giorno: Presto ti arriveranno buone notizie per posta
Esperto pra caramba, esse Orkut! =D
Friday, June 06, 2008
Pra animar seu dia
É, meu amigo tem razão... se você está desanimado, escute essa música e, de quebra, aprenda uns passos novos com o Carlton, e vai se sentir mais animado. Lá vai:
Thursday, June 05, 2008
Tuesday, June 03, 2008
Cícero
Ele aqui em São Paulo, vindo de longe, há uma semana. Estava perdido, andando a pé pela Marginal Pinheiros.
- Ow, você sabe pra que lado fica a ponte que a Camargo Corrêa tá fazendo?
Ele trabalha na obra, mas foi parar do lado da USP sei lá eu como. Depois descobri como. Tinha um dinheiro para receber em um escritório. Um "amigo" deu uma carona pra ele até o escritório mas foi embora sem oferecer a carona de volta ou averiguar se o caronista sabia retornar para seu alojamento.
- Tô perdido por aí desde quatro da tarde... Saí lá do escritório, e nem me pagaram. Só deram cinco reais pro ônibus.
Cinco reais, pra condução, quando se está perdido sem saber direito qual ônibus tomar e provavelmente tendo que pegar mais de uma condução, não é lá muita coisa, não é? Depois descobri que ele tinha que pegar o trem em direção à Presidente Altino e dali até a Domingos de Moraes. Já lhe faltavam uns centavos para a passagem de trem.
- Veio com a família?
- Não... Vim só eu...
- Ow, você sabe pra que lado fica a ponte que a Camargo Corrêa tá fazendo?
Ele trabalha na obra, mas foi parar do lado da USP sei lá eu como. Depois descobri como. Tinha um dinheiro para receber em um escritório. Um "amigo" deu uma carona pra ele até o escritório mas foi embora sem oferecer a carona de volta ou averiguar se o caronista sabia retornar para seu alojamento.
- Tô perdido por aí desde quatro da tarde... Saí lá do escritório, e nem me pagaram. Só deram cinco reais pro ônibus.
Cinco reais, pra condução, quando se está perdido sem saber direito qual ônibus tomar e provavelmente tendo que pegar mais de uma condução, não é lá muita coisa, não é? Depois descobri que ele tinha que pegar o trem em direção à Presidente Altino e dali até a Domingos de Moraes. Já lhe faltavam uns centavos para a passagem de trem.
- Veio com a família?
- Não... Vim só eu...
Friday, May 30, 2008
Vontade de poder... cantar!

Vai ver é isso... Vai ver é melhor desencanar de ficar tentando resolver todas as questõezinhas que aparecem e relaxar um pouco. Porque parece que não há respostas prontas pra tudo por aí, esperando, só esperando...
Em tempo: não sei quem inventou essa imagem que ilustra o post e eu descaradamente roubei por aí, mas o cara é certamente bem humorado e genial. Além de ter bom gosto, claro.
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