Tuesday, February 06, 2007

Advogado do diabo

Pôr do sol no atol de Bikini
Defender a energia nuclear? Fazer testes atômicos parecerem uma coisa boa, principalmente para o meio-ambiente? Pois é... Essa é uma das coisas impressionantes que se vê no livro A Vingança de Gaia, escrito pelo simpático velhinho James Lovelock.

Na página 92 da mais recente edição brasileira, Lovelock escreve:

"A vegetação e os animais silvestres não percebem a radiação como perigosa, e qualquer ligeira redução que possa provocar em sua longevidade é bem menos perigosa que a presença de pessoas e seus animais de estimação."

Acho essa defesa contundente, irônica e sóbria. Não pude evitar esboçar um sorriso ao lê-la. Sim, é verdade, nós, nossos animais de estimação ou as dendríticas extensões de nossa civilização são as maiores ameaças ao mundo natural... E quando testes nucleares traumatizam uma determinada região impedindo que os humanos se aproxime, em pouco tempo esse lugar se tornará um refúgio seguro para a vida selvagem, por piores que sejam as conseqüências da radiação remanescente.

De qualquer modo, não é de se estranhar o porquê de a palavra "nuclear" despertar tanto desespero. Basta assistir o vídeo abaixo para viajar ao passado, ao período dos testes nucleares...



Ainda assim, com todos os horrores das bombas atômicas, fotos de locais de testes submarinos, como o atol de bikini, apresentam-se hoje como argumentos a favor de Lovelock. Basta ver a profusão de vida natural envolvendo os destroços de uma embarcação, abaixo.

Vida marinha no oceano de Bikini
É claro que James Lovelock não está defendendo as armas atômicas em seu livro; isso seria loucura. Ele é enfático, aliás, ao observar que

"Estamos certos em temer as armas nucleares. Talvez sua única virtude foi terem amedrontado tanto os líderes das superpotências que a Guerra Fria nunca esquentou." (pág. 98)

O que ele faz é analisar friamente o exemplo mais extremo conhecido do emprego da energia nuclear para concluir que a radioatividade não é algo tão diabolicamente perigoso como nos habituamos a pensar. O objetivo final da argumentação é convencer da viabilidade do emprego maciço de usinas nucleares para produzir o suprimento energético de nossa civilização. É a única tecnologia livre de emissões de gases estufas capaz de produzir energia na magnitude demandada atualmente.

Tubarões no atol de Bikini

Monday, February 05, 2007

Por que eu não gosto de poesias

Hum.... Antes de entrar nos detalhes, um esclarecimento: gostar eu até gosto. Um texto bem estruturado, nada trivial, e que fala de coisas também que todos poderiam perceber mas até então ninguém tinha realmente se dado conta. Ótimo, parece legal, não é? Mas, com o tempo, passei a ter um enorme receio com relação a essa minha admiração. Até chegar ao dia de hoje, em que penso ser melhor não gostar mesmo de poesia, deixe-a de lado. Sim sim, deixe-a de lado, os riscos são muito grandes e não valem a pena.

Que risco? O risco natural em toda pessoa de tomar o autor pela própria obra. Textos são sempre portadores de um espírito nobre subjacente, mas isso é por exigência da coerência interna, e coerência é um requisito fundamental à nobreza. Sim, é claro que uma obra reflete muito de seu autor, mas não por transposição direta das qualidades! Essa é a falácia! Um texto bem construído revela... a capacidade de criação de bons textos por parte do autor, E NADA MAIS! Como engenheiro, eu jamais poderia clamar a rigidez de uma enorme estrutura que projetei como tradutora de alguma mística força colossal em meu próprio corpo, ou talvez em minha alma. O que fica exposta é minha capacidade de criar grandes estruturas, só isso.

Os abismos mais profundos da alma... Fazer inferências sobre esse domínio oculto a partir de umas poucas (ou muitas, tanto faz) palavras rabiscadas? Não! Nem mesmo as atitudes do dia-a-dia são realmente capazes de revelar com clareza o que se passa nas profundezas de uma pessoa... Tantas coisas são feitas em dissonância com os eus profundos que, por fim, nem o que se faz é o que se é. Creio que as atitudes devem ter prioridade sobre os escritos na interpretação do alheio, mas nem elas bastam.

Talvez, no momento, eu tenha uma raiva não só das poesias em particular, mas das expressões artísticas em geral e, por que não dizer também... Das expressões em geral. Sim...

Há um deserviço histórico prestado por tudo o que é expressão, da poesia nobre até a conversa corriqueira de uma caminhada fora de hora. É a invenção do marketing pessoal. É o anúncio daquilo que poderíamos ser porque gostariam que fôssemos ainda que não o sejamos, mas sem a clara exposição de todos esses poréns. Minha raiva maior é pela banalização da realidade não articulada.

As fotografias enfeiaram todas as paisagens do mundo. É preciso agora um profissional para enquadrar qualquer cena simples e capturar suas belezas escondidas. Os olhares leigos já não se sentem autorizados, preparados e, para todos os fins, dispostos a procurar nas cenas suas luzes eternas.

As músicas cujas melodias são um tratado de ritmica e harmonia e afins enfeiam e humilham as cantorias de porta de bar, as desafinações dos gritos entre amigos... Falham em criar essa alegria expontânea e incontida e esquecem assim de onde nasceram.

São os argumentos que fazem a justiça e a nobreza de um advogado, não sua conduta! (Essa última exigiria um enorme trabalho para ser realmente conhecida, e quem quer trabalho?)

E as poesias então?! Como fotografias bem tiradas, revelam luzes escondidas... Mas são muito mais poderosas em seu ofício destrutivo. Destroem não só paisagens. Destroem o lado invísível de sorrisos e olhares, aniquilam sentimentos, corroem os atos mais simples até lhes tirar toda essência.

É o Vício talvez? É o que nos faz humanos? Nos vendemos a pequenos prazeres até acreditar que a melhor garrafa é a do melhor rótulo?

Chega um dia em que cansa olhar por dentro. Chega uma hora em que o óbvio é aquilo que se anuncia com estridência e nunca aquilo que ali onde está, dia após dia, simplesmente é.

A poesia cega. Talvez eu até goste das poesias em si... Mas, responsáveis que são por essa cegueira, deixe-as em paz num canto não lido onde sejam inofensivas.

Rimas, métricas, aliterações, assonâncias e outros sei lá mais quais recursos são como ornamentos caros de quem um dia será lembrado pela aparência exótica que brilhou noite afora e não por nenhuma das piadas que contou ou risos que viveu. Imagens assim são vampirescas afinal, consomem o significado circundante para si. Quem entende Nietzsche além da estranheza daquele bigode? Ou Einstein além daquele penteado bizarro? Ou Mário de Andrade além daqueles óculos horríveis. Napoleão terá talvez afetado mais o mundo pela coragem toda fashion de liderar com um chapéu daqueles do que pelo mundo reestruturado que idealizou, tentou mas não conseguiu... A dor que dói mais que chorar deixa de existir sem as lágrimas. E o mesmo destino sombrio tem a felicidade que não explode em sorrisos e fica serena relaxando em um olhar.
Eu não acredito na existência daquilo que só é quando anunciado. Eu não acredito que o que é real seja tão pequeno que não possa ser visto.

Mas o mundo é o que é eu acreditando ou não. E esse texto é o que é seja ele o que pensei ou não.

Saturday, February 03, 2007

Mas então...

e escrever o que aqui?

Ah, dane-se!

Dane-se mesmo.

Não é hora de falar nisso.

Nem tempo de pensar nisso.

Dane-se.

Friday, February 02, 2007

Previsões...

Acabei de ler em uma reportagem do Estadão sobre Meio-Ambiente que as previsões sobre o aquecimento global no relatório de 2001 do IPCC foram conservadoras demais. E eu estou tendendo para uma postura alarmista também, ainda mais sendo que estou no meio da leitura do "Vingança de Gaia" de James Lovelock. Mas deixemos meu alarmismo de lado e, pelo menos por enquanto, também o de Lovelock... Vamos fazer algo mais engenheiresco e burocrático: ver gráficos.

O gráfico acima, que se não me engano está presente também no livro "Bilhões e Bilhões" de Carl Sagan, registra a concentarção de CO2 na tmosfera tal como medida em uma estação em Maula Loa (longe de tudo, no meio do Pacífico... de forma a estar longe das influências de grandes centros poluidores). Juntando esse gráfico com estimativas realizadas a partir de vários métodos sobre a concentração de CO2 na atmosfera no passado (até aproximadamente 1000 anos atrás), temos o gráfico abaixo.

A conta é rápida... Estamos com algo em torno de 360 ppm sendo que a média histórica era de aproximadamente 280 ppm. Um aumento de aproximadamente 30% em meros 200 anos de Revolução Industrial, e o ritmo dessa mudança está aumentando ao invés de diminuindo! Em termos de tempo geológico, uma mudança dessa magnitude em tão pouco tempo pode facilmente ser comparada a uma explosão. Colocamos a Terra em combustão, literalmente.

Thursday, February 01, 2007

Brothel in Auschwitz

Pra quem já ouviu falar de Auschwitz mas nunca teve uma noção da dimensão do horror, olhe atentamente a foto acima. É uma imagem aérea do complexo. É gigante... Cada pequeno retângulo na foto é um galpão...



E se a foto acima, ao traduzir as dimensões esconde o horror, basta rever uma das imagens em zoom do que era feito por lá:



Pronto, agora já relembramos do que se trata Auschwitz e recapitulamos suas dimensões. O que poucos sabem, é pouco citado e parece até não estar totalmente esclarecido, são os diversos fatos estranhos que pipocaram na história de Auschwitz ao longo de sua existência. Uma delas refere-se a um bordel que foi criado por lá, como uma espécie de bons tratos a presos "especiais". Eu ainda não consegui entender o que seriam os presos especiais, mas parece que eram não-judeus presos no complexo e que desempenhavam tarefas como cuidar dos outros presos, etc. Algo assim.

Achei em um site as seguintes informações:

"A Brothel (Start: 41:19; Length: 6:16): Himmler established a brothel in Auschwitz to provide incentives to relatively privileged prisoners (e.g., those who supervised others or whom the Nazis considered more valuable). Little is known about the women who worked in the brothel, but it is thought they were already inmates at the camp. In autumn 1943 Höss was removed as camp commandant, but his family so liked living there that they stayed on after his departure. He would return in 1944."

Eu fiquei sabendo disso ontem, vendo um documentário na TV Cultura enquanto tentava dormir. Acabei não dormindo e prestando uma sonâmbula atenção até o final. Chamou a atenção a estranheza dos fatos... A bizarrice do bordel, e o fato da família do tal Höss achar que o conforto do local era tão grande que em quiseram acompanhar o chefe-de-família quando esse foi transferido. Realmente, não te soa algo como a última palavra em resorts de férias uma temporada em Auschwitz? O quão distante essas pessoas eram do horror que se passava lá dentro? Não é possível que fossem todos monstros. Não é possível que a cultura alemã na qual estavam mergulhados fosse tão fria, tão desumanizadora... E, ainda assim, aconteceu. Aconteceu e com requintes absurdos, como esse bordel e essa família que achava o lugar o máximo...

EMB-712 Tupi

Tupi PT-NXS
Faz tempo já... Eu devia ter uns 12 anos na época. Mas lembro do paciente dono do November X-Ray Sierra, PT-NXS, um Tupi. Quando eu ficava horas e horas em volta do avião, e ele aparecia, lá ia ele abrindo a cabine, ligando os instrumentos para me explicar como funcionavam, e eu achando aquilo tudo o máximo. Eventualmente, quando ia fazer um vôo, eu ia junto. Ia praticar órbitas em torno de antenas NDB (ou, para todos os fins práticos, em cima da rádio Anchieta de Itanhaém mesmo, que se bem me lembro é a 1390 na faixa AM...), e lá ia eu de co-piloto, conferindo proas, frequencias, tempo das pernas de aproximação e afastamento...

Cabine do PT-NXS

A foto da cabine desse avião vai acima, tirada de um álbum alheio que encontrei na net. Lembro da sensação de flutuar sobre a pista por dezenas de metros na hora do pouso, a centímetros do chão, com a buzina de estol gritando forte na cabine e nada do avião pensar em descer... Até que finalmente todo o metal da estrutura era sacudido pelo contato com o solo, o barulho dos rolamentos e algumas dezenas de vibrações diversas reverberando pela cabine; mover-se pelo ar é tão mais perfeito que deslizar pelo solo...

PT-NYJ, avião do vôo mais recente entre São Paulo e Jundiaí
Não poderia faltar aqui uma foto do November Yankee Jouliet. Fiz um vôo neste avião no final de 2006, até Jundiaí. Fiz o vôo inteiro, da inspeção pré-vôo até o check de abandono e, cabe incluir, o cheque do vôo também... O vôo foi uma maravilha em todos os sentidos que podem ser abordados num passeio como esse. Fizemos um toque em Jundiaí. Minha aproximação e pouso não foram perfeitas, longe disso, mas fiquei muito contente de ver que mesmo com tanto tempo sem voar, corrigi meus erros sem intervenção do instrutor.

Os erros: foi uma arredondada um tanto quanto brusca. Vínhamos afundando rápido na final e conforme o solo se aproximou puxei o manche num movimento não muito delicado. Isso deu ao avião uma vontade de ver como estava o tempo na estratosfera, e tive que corrigir rapidamente esse desespero sem contudo jogá-lo contra o chão... Fiquei com a impressão de que se tivéssemos feito algumas manobras durante o vôo antes deste pouso as coisas teriam corrido melhor, pois eu poderia afinar um pouco mais minha mão nos comandos. Mas tudo bem, em breve estarei nos céus de novo.

Um pouco de azar e muita sorte


Sim, na parte da manhã eu iria para a USP. De carro, por que não?! Fui. Entrei no carro, mal havia colocado a chave no contato e ele estava funcionando. Depois, iria ao Campo de Marte, numa reunião lá com uns amigos. Encostei a chave no contato e pronto: carro funcionando. Mas o tanque de gasolina tinha apenas uma vaga lembrança de qual era sua missão existencial, então resolvi abastecer um pouco. Parei num posto próximo ao Terminal Tietê. Carro abastecido, combustível pago... Chave no contato. E nada. Absolutamente nada. Meus amigos apareceram, empurramos o carro: um pouco de velocidade, chave na ignição, embreagem pisada, engata primeira, solta a embreagem... Pronto, pegou no tranco.

Fomos ao Campo de Marte. Na hora de ir embora... Nada do carro funcionar. Empurramos, rimos um pouco, primeira engatada, solta a embreagem... Carro funcionando.

Próxima parada: Pizza Hut do Shopping Center Norte. Na hora de ir embora, a já tradicional manobra de emurrar o carro e pular pra dentro ganhou um complicador: tinha de desviar dos outros carros manobrando no estacionamento, sinalizar desesperadamente para que saíssem da frente, e tudo isso lutando para continuar ganhando embalo... Pronto, funcionou.

Finalmente, estou em frente de casa... Deixo o carro na rua já no jeito para aproveitar a descida, já que eu teria que desligá-lo para poder abrir o portão. Portão aberto.... Empurra, empurra... pula pra dentro, embreagem, primeira... e nada. NADA! Nem uma luzinha do painel deu o menor sinal de vida, nem o menor sinal de vida vindo do motor, nada... Aparecem umas boas almas, empurramos o carro ladeira acima, e agora são seis mãos empurrando o carro ladeira abaixo... Pulo pra dentro, e nada...

Por fim, jogamos o carro pra dentro da garagem. Literalmente. Sem que ele funcionasse, o único jeito de vencer a rampa que sobe para minha vaga foi garantir um embalinho extra na hora da empurrada...

Mas, por fim, foi muita sorte. O carro poderia ter decidido não funcionar em qualquer lugar da cidade, e esperou para me sacanear bem em frente de casa. Um tanto quanto sarcástico, eu diria...

Monday, January 29, 2007

Media Power

Massmedia Dali

Saiu hoje no Estadao que o fim da propaganda de cigarros influenciou queda de consumo. Segundo a reportagem, os níveis atuais de consumo entre os jovens, percentualmente falando, são inferiores aos de 20 anos atrás. E, em um estudo da Unifesp, Elisaldo Carlini associa essa queda ao fim da veiculação de propagandas de cigarro que eram comumente associadas a sucesso pessoal e a status econômico, sendo, segundo disse, bastante insinuantes.

Em paralelo... Lembrei de conversas que tive com um amigo ainda esses dias sobre o show do Angra em que fomos, neste último sábado, e sobre um show realizado tempos atrás... O último show estava relativamente vazio. Já há pouco mais de um ano (creio), quando o show era anunciado na rádio e algumas músicas também eram amplamente tocadas nas rádios, todos queriam ir ao show. Todos sabiam do que se tratava. Hoje muita gente nem sabe sobre o que é a banda.

Isso pra não falar num sem-número de exemplos ligados a novelas. Basta ir pra noite global alguma discussão, uma polêmica, uma novidade... E dia seguinte é todo mundo Ph.D. no assunto. Impressionante.

Fim de semana

Cesna 140 anfíbio
Ainda distando 10 milhas do destino, já se vê o lago com clareza. Vou reduzindo a altitude e me preparando para uma aproximação tranquila. Na final para o pouso, tudo o que se vê adiante é água. Só muito adiante é que se encontram os primeiros obstáculos: umas poucas árvores. Uma lancha localiza-se também um pouco à esquerda, mas longe o suficiente para não representar nenhum perigo e apenas embelezar o cenário.

Velocidade reduzida. Uns poucos metros da água, e descendo. Finalmente, a cabine é invadida por uma trepidação, ouve-se o barulho inconfundível da água sendo rasgada e a velocidade diminui rapidamente. Pousamos, mas não em terra firme.

Em mais alguns segundos já estamos manobrando ao lado do gramado... É só descer e curtir o dia de sol, comer alguma coisa num restaurante com uma bela vista para o lago e, de quebra, para o avião ali amarrado, esperando pacientemente para retornar ao seu meio natural.

Túneis de vento


Na hora de projetar um avião, há tantos dados necessários sobre as superfícies aerodinâmicas, sobre como uma influencia a outra... que fica simplesmente impossível calcular tudo com exatidão na prancheta. Nem mesmo com o auxílio de computadores é possível sanar todas as dúvidas com 100% de certeza. Faz-se aproximações, busca-se seguir algum modelo generalista... Mas não tem dúvida: a melhor coisa mesmo é construir o avião e ver o que diabos ele faz. Tá, fazer isso pode ser meio insensato com aviões caríssimos ou mesmo com um ultraleve, considerando que alguém deve ir lá dentro pilotando. A saída então é fazer um modelo em escala reduzida e realizar os testes em um ambiente controlado, em um túnel de vento.

Sim, é verdade. Essa é uma área que me empolga. Existem inúmeros pequenos problemas práticos a serem resolvidos, para que você consiga medir o que realmente interessa. Mas, uma vez feito um bom trabalho, é possível utilizar as medições para avaliar como a aeronave se comportará, em detalhes, antes mesmo de construir o primeiro avião!

Sunday, January 28, 2007

A vingança de Gaia


Mais uma leitura em andamento. A Vingança de Gaia, por James Lovelock.

Não vou me perder reproduzindo informações aqui, quem quiser se atualizar sobre o básico, clique aqui para saber mais sobre Lovelock ou aqui para saber mais sobre Gaia, a Deusa ou Gaia, o planeta vivo.

Vou é falar rapidamente do meu interesse no assunto: sistemas dinâmicos, equilíbrio, feedback... É preciso entender um bom tanto de Controle, de Equações Diferenciais, para poder realmente entrar na discussão. Eu não entendo, nem de perto, o mínimo desses assuntos para participar. Mas vou progredindo aos trancos e barrancos, um dia chego lá. Enquanto isso, me encanto com os aspectos conceituais do debate. E me preocupo com os aspectos práticos.

W-E

Com que avião você faria um vôo costa a costa nos Estados Unidos?


- Piper Seneca: Dois pilotos mais cinco passageiros. Avião bi-motor. 160 nós de velocidade de cruzeiro. Completamente equipado para vôo IFR (cruzeiro), boa capacidade de carga.



- Cessna 180 Skywagon: Um trator com asas. Avião de asa alta, quatro lugares e amplo bagageiro. Trem de pouso convencional. Motor de 235 HP.



- Aviat Husky: Dois lugares, voa devagar... Mas decola e pousa de QUALQUER lugar.

Ou, se você estiver realmente inspirado, pode escolher algum outro avião em uma página cheia de fotos e informações.

Crew of Shadows


Eu estava numa lanchonete em São Caetano, tomando um suco de Umbú com Pêssego e lendo um livro de James Lovelock. Entram então oito caras cabeludos, todos com camisetas do Angra e alguns deles com credenciais penduradas.

Depois, no show, eu lá na frente do palco (realmente na frente, tinha que tomar cuidado para o Edu não pisar na minha mão quando ele chegava bem na frente...), vi todos aqueles tais caras trabalhando... Rolou um certo arrependimento de não ter ido falar com eles para ver se eu me infiltrava de alguma maneira nos bastidores... ]

O que importa é que o show foi sensasional, curti mesmo, relaxei, viajei nas músicas... Muito bom mesmo. Boa viagem agora para o pessoal do Angra pelo Japão e pela Europa!

Achados

Eu digitei, no SoulSeek e no Emule, simplesmente "jazz". Tive que dar STOP depois de um tempo para salvar a integridade da minha máquina. E comecei a fazer downloads aleatórios do que aparecia.

Alguns achados:

Kilimanjaro Dark Jazz - não é necessariamete macabro, é... dark mesmo. Mas é bom, eu gostei.

Rosemberg Trio - não é possível que os caras não sejam famosos, tem muita coisa e coisa boa deles. Mas eu não conhecia... Ainda nem ouvi tudo o que baixei deles, mas até aqui, nada me desapontou!

Friday, January 26, 2007

Paranóia

O egocentrismo pode vitimar. Não que ele seja em si cruel. Mas em momentos em que a sobriedade fraqueja e que os desejos mais profundos pedem que mudemos a própria natureza do mundo exterior de modo a construir uma ilusão agradável, lá está o egocentrismo, redefinindo o significado de cada palavra, de cada história ouvida... redirecionando cada olhar e, não contente, dando-lhes ainda novos significados. Fossem só olhares... Mas nada escapa a essa re-engenharia inescrupulosa. Sorrisos, vozes, murmuros, até mesmo os silêncios. Os silêncios! Sim sim, impressionante a metamorfose que sofrem sob os caprichos destes olhares deturpados.

?

De que adianta eu falar de qualquer sensação de bebedeira aqui, se vão achar que é álcool... não é... tem outras coisas que entorpecem também. E não é nada que injetei, bebi, cheirei ou inalei... Mas entorpece... De que adianta entrar em detalhes, se vão sempre achar que é outra história? Tantas, tantas histórias...

Gato feliz

Sou um sem critério sem censura com minhas histórias, todos sabem de tudo, todos os detalhes abertos... abertos e abertos a todos... Abertos? E isso? E isso que entorpece, história que eu nem começo aqui porque não tenho tempo de parar em tantas prévias explicações necessárias. História que ninguém sabe. História que às vezes eu acho que eu não sei. E nunca esqueço...

Thursday, January 25, 2007

Venus and Cupid

(or Aphrodite and Eros)

"Love is not something we can define. How can I resolve the meaning of the word if I claim to love my wife, my children, my dog, and my car? The only things they have in common are that they all cost me money and have to be washed, but that is not an acceptable analogy for love."

- in The 101 most influential people who never lived..., by Allan Lazar, Dan Karlan and Jefermy Salter

Enfático

"tô há meses esperando brotar no meio da grama uma grana que tenho pra receber. Ouvi juras sagradas de que isso aconteceria nessa próxima semana. Mas como nem mais a esfera religiosa é confiável nessa teia diluente de relações trabalhistas voláteis, sei lá eu né!"

Eterno otimista

mas aí penso em pegar minha vida de volta, olho pra ela e pondero: "tá, e o que eu faço com isso aí?"

Wednesday, January 24, 2007

Vrrrruuuuuummmmm!!!!!

Uma contabilidade rápida...

Estava pensando no meu querido carrinho....



Comecei a rodar com 18000 km
Hoje o carro está com 120000 km
Ele consome, em média 0,125 lts/km
Só comigo o carro já andou 102000 km
E consumiu 12750 litros de gasolina
Gerando um gasto de 27412,5 reais

Com essa grana... Não não... não vou pensar no que eu poderia fazer com essa grana pois a conta seria irreal! Vamos Comparar de outro modo... Uma moto consome, em média, apenas 0,04 litros por quilômetro rodado. Ou seja, pouco menos de um terço do consumo do carro. Então, vamos considerar que, usando a moto, eu teria ainda 60% da grana calculada disponível. Agora sim... 27412,4 * 0,6 = 16447,5.

Não é nenhuma mega fortuna, mas é considerável.

Monday, January 22, 2007

À janela num dia frio...

Eu penso em você todo dia. Todo dia, invariavelmente. Antes de dormir, acordado... A gente se conheceu tão jovem, ainda sem entender tanta coisa... E eu então, inocente, quantas vezes caí até que aprendesse a deixar que você me levasse... Até que eu tomasse gosto. Até que aprendesse tudo o que nunca mais se esquece, querendo ou não... E fico pensando: onde está você hoje? Está com alguém? Teria me esquecido? Creio que não, não pode ser, simplesmente não posso admitir algo assim...



Lembro de nós dois no banho, um lavando o outro no quintal dos fundos lá de casa, sob aquele sol forte de verão. Que cena, que cena... Correria atrás de você onde quer que fosse para viver aquilo mais uma vez se soubesse onde está... Aquele banho gostoso depois de horas e horas juntos, inseparáveis como um só, e minhas pernas exaustas. Completamente exaustas.

Tivemos nossas desavenças, é verdade... Chegamos a nos machucar, mas nunca realmente brigamos. Chorávamos um pelo sentimento causado no outro e vice-versa. Antes de nos fazermos qualquer mal significativo, já estávamos lá, nos cuidando. Guardiões de nós mesmos. Cúmplices de um amor sem palavras. Amor sem intermináveis eu te amo, sem contas telefônicas, sem datas perigosas de se esquecer, sem poesias. Existe amor mais sincero? Era só uma alternância interminável de desejo irresistível e exaustão, como se um orbitasse o outro.

E hoje fico aqui me perguntando...

Onde diabos foi parar minha primeira Caloi?

Sunday, January 21, 2007

Insônia

A madrugada, quase quatro já... Esse misto de exaustão com insônia, de planos com memórias, de gostos diversos com essa sede seca e esse cheiro de chuva caída. Os sonhos, impossíveis, imprevisíveis, megalomaníacos... Sim sim, sonhos megalomaníacos, é isso... É tudo, tudo, sempre tudo e em profundidade. Salvar o mundo, me divertir, ser bem sucedido e ainda por cima fazer o que é certo. Muita coisa. E é por isso que não tenho nada contra a insônia... Porque essa hora da madrugada com esse barulho de nada acontecendo invadindo a janela é a chance de entender que o tempo não existe... Que o tempo é só Agora e que é num mesmo agora que moram todas as lembranças e todos os sonhos. Um jogo com muitas coisas conflitantes para conciliar, isso sim... Estudos com cultura com momentos lúdicos com viagens com família e com a reclusão que se precisa para o lado intelectual do meu trabalho. Ah, o tempo! Sempre ele, sempre ele...

Há pouco tempo atrás o que eu queria era amar menos. Amar menos meus trabalhos, Amar menos a anestesia de tocar bateria. Amar menos a religiosidade da aviação. Amar menos o som da praia deserta num fim de tarde. Amar menos sorrisos e olhares, por fim. Na difícil arte de ser o que se é tem sido recorrente essa impressão de que só a ignorância de tudo aquilo que é alheio me salvaria de volta para alguma conexão com o mundo. Entendem o processo? Percebem? O rádio-relógio segue piscando um horário indefinido, nunca acertado. E, ainda assim, os números se revezam minuto a minuto. Veja só se não estou assim também por dentro...

Talvez seja a ambição deprofundidade em tudo... A insistência em sentimentos onde para todos os efeitos do mundo bastariam as histórias... Quantos sentimentos aparecem nos livros de história? Nas fotos mais bonitas? Sentimentos... eu deveria me preocupar apenas com os meus e parar de ser indiscreto ou mesmo injusto ao vasculhar e julgar as entranhas alheias. Lembro do sonho em que só havia um olhar... Aquele olhar profundo cheio das sensações de estar lá dentro, uma outra alma. Um eu alheio.

E os minutos se alternando no rádio-relógio lembram que só os sonhos possíveis têm vez. Parece uma macabra contagem regressiva. Uma ampulheta mórbida e sarcástica.

Os pensamentos ficam mais objetivos, mais delineados. Vou precisar de duas torneiras novas, uma pia, alguns fios e muita tinta. Uma reforma por fazer. Orçamentos. Alguns finais de semana tomados pela sujeira da obra e noites caçando um espaço de sono no meio da bagunça.

Em paralelo, uma outra reforma. Estou fazendo a lista de compras, e terei algum trabalho com o orçamento. Mas aqui, ao menos, uma vantagem: os finais de semana só terão a ganhar e as noites de sono irão se tranformar não em desafio, mas em recompensa.

Urgente

Novas ambições e, sim, um bem equilibrado egoísmo. Falta total de egoísmo faz mal. Já com relação às ambições, é sempre o difícil problema de saber o que é sonho, ideal, e o que é um impossível realizável.

Correção

O vídeo válido é esse aqui. Não tinha giradinha coisa nenhuma...

Vídeos da vez (Utube)

Um clip com a música mais comentada do momento.

E com os Simpsons encarnando o clipe, numa ótima retrospectiva de melhores momentos.

A prova de que o passo correto incluía a giradinha...

Saturday, January 20, 2007

O Axel e o monstro

Caminhou tarde da noite até o armário procurando pelo último dos compostos que preparara. As reações vieram todas na hora certa, duas mudanças de cor, como anteriormente. Um pequeno copo na mão esquerda, o frasco mal tampado na mão direita... Era hora do teste derradeiro. Iria tomar a poção?!

Academia

Estigma = "É uma coisa que eu sei o que é mas não sei explicar" .... "Ah gente, foi sério essa vai!"

Jecoral = "Jecoral, Jecoral, é melhor e não faz mal!"

Cornamusa = "Luana Piovani"

Bodeguim = "Botequim frequentado somente por bodes"

Janistroques = "Biscoito tipo biscrok para a macaca do Tarzan"

Turpilóquio = "Pinóquio turbinado"

Trabulância = "Muito trabalho, segundo os nordestinos. Exemplo: Dá uma trabulância!"

Castromancia = "Mania de eunuquizar o próximo"

Secundina = "Segunda filha da Erundina"

Considerações de beira de piscina

Não é só porque os corpos se desejam que as almas se querem.

Friday, January 12, 2007

Em tempo...

2006 não existiu. Ou existiu ao contrário, vai saber...

Wednesday, January 10, 2007

As notícias do dia (de hoje, no caso)

Zôo australiano enjaula humanos em campanha pró-primatas
Os visitantes poderão votar em seu ´macaco´ favorito, por meio do celular



Calor no inverno deixa ursos russos com insônia
Os animais, que esperam a neve para começar a hibernar e costumam dormir em novembro, no mais tardar, só conseguiram adormecer no final de dezembro


Polícia persegue ladrões de banco que seqüestraram juiz, delegados e PMs


MTV divulga nota sobre boicote a Cicarelli; leia íntegra

O exterminador do carbono:
Schwarzenegger Orders Cuts in Emissions

Tuesday, January 09, 2007

Da série "frases manjadas que ainda têm algo a dizer"

Somos o que fazemos mas, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.

Monday, January 08, 2007

Decaimento exponencial no aprendizado

As clássicas:

"Você aprende a esquiar no verão e a andar de bicicleta no inverno."

"Você esquece mais informações nas primeiras oito horas após ser exposto a algo novo do que nas trinta horas seguintes."

Thursday, January 04, 2007

É, é verdade.

"...religião, política ou sexo. Em geral, as pessoas relutam em falar muito abertamente sobre esses assuntos quando supõe que podem ser levadas a sério."

Trecho de "Sobre falar merda", de Harry G. Frankfurt

Tuesday, January 02, 2007

Patológico

- Ai, a minha vida é uma droga viu!, chorava ela inconsolavelmente.

- Calma, calma...., e era em vão qualquer tentativa de ajuda. O que é que foi? Pode contar pra mim!

- Ai, nada dá certo! Nada dá certo! Eu queria ao menos ser bem humorada sabe, sorrir um pouco!

- Humm... Você está triste porque você não é feliz?!

- É...

Process

A good process of growing up, socially speaking, can be ilustrated by the image of replacements of ambitions. The erosion of an old ambition without the coming of a new one, on the other hand, is a dangerous kind of internal death.

The Fundations

The story about free will released today on New York Times is a good one. The text is short and simple, and still full of references to many different branches of this lovely discussion.

Particularly, I was taken by surprise by the introduction of the Turing Machine by the end of the article bringing up the viewpoint of a world where we are but calculating machines but where the only way to know the outcomes of the computation is by letting the computation goes, which means that we will only know the outcome of our deterministic life when it really comes... And without prediction, the illusion of free will has indeed some place to rest into, and a lot of moral principles are spared from boring arguing....

Thursday, December 28, 2006

VOTOS DE FELIZ ANO NOVO!

Aê criançada! Muita alegria em 2007 e após... Comam pizza, hambúrger, risoles e mandioquinhas fritas, mas lembrem de balancear com alguma coisa sem graça também. Não percam os dias de jogatina, eles são o máximo!

Beijos e abraços!!!

Reflexões aleatórias de um fim de ano conturbado

Eu sei o que eu quero. Mais que isso, eu sei o que eu sinto. Ótimo, até aqui, maravilha... Sei distinguir entre dois eus quase antagônicos... Aquele mergulhado no imediato e um outro para quem o presente não existe. Falta um pouco de habilidade na hora de apartar a briga desses dois, que são sempre sérias. Mas, em contrapartida, me divirto consideravelmente vendo a zona que eles fazem.

Fui jogar fora umas coisas velhas e achei um caderno cheio de notas. Carregava o caderno comigo e escrevia as coisas mais estranhas que me ocorriam, que eu via, que eu ouvia.

Eu vejo as pessoas em volta de mim, as vejo mais do que parece. Talvez, tudo bem, eu ignore muitas coisas, meu olhar sobre as coisas é, afinal, fundamentalmente diferente. Mas se por um lado sou cego para coisas que todo mundo vê facilmente, vejo rápido, em detalhes, coisas que poucos vêm. O que faz de mim às vezes perspicaz, às vezes louco.

Pensamentos para 2007? Preciso de mais egoísmo. Do tipo bom. Acredito cada vez mais no poder de elevação espiritual do egoísmo. Egoísmo nos olhares, nas réplicas, nas atitudes... Não confundir egoísmo com filha-da-putagem é fundamental para entender esse comentário e sua importância. Eu sei o que eu quero é foi muitas vezes a falta desse tipo saudável de egoísmo que levou a hesitações estúpidas das quais agora quase me arrependo.

Pra cantar

Sempre bom conhecer mais detalhes né...

Então vai um Curso de fisiologia vocal.

Estou procurando mais coisa que preste a respeito, com aquecimentos, exercícios e afins... Mas é meio demorado achar algo que preste, nesse tema, na net...

Jornal sobre música

Achei umas coisas interessantes e vale deixar aqui o link para o Jornal Musical.

Para achar em sebos

O título é pra não deixar dúvidas de que é obra para integrar a sua coleção "Mamãe, quero ser nerd". Trata-se do livro "Geoquímica Recreativa", escrito pelo empolgado A. E. Fersman e publicado, em 1967, pela Editôra Fulgor Limitada. Apesar da nerdice do título, o livro é muito bom e bem escrito. Para quem quiser saber mais sobre pedras (ou aerolitos), ou materiais diversos, ou simplesmente não tiver absolutamente porra nenhuma pra fazer e estiver a fim de matar o tempo, é uma boa leitura.

Músicas

Uma trilha sonora imensa, própria para deixar ligada no trabalho, com muitas músicas fantásticas para os dias em que te tiram do sério (sim, várias das músicas são bem macabras). Procure pelo trabalho de Danny Elfman, o cara que faz trilha sonora pra tudo o que é filme (bom).

PROBLEMAS EXPERIMENTAIS PARA VALIDAÇÃO DE PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL

A proposta é um experimento simples. Entrevistador e entrevistado têm diante de si uma lista com um certo número de itens. Estes itens podem ser, digamos, uma lista de cores. O entrevistador então escolhe ao acaso uma das cores, concentra-se nela, ou mesmo imagina o entrevistado envolto por uma núvem da cor escolhida, e então este deverá dizer qual é a cor imaginada. Chamemos este de experimento do tipo I. Uma outra variante do experimento diz respeito a preencher inúmeros papéis, cada um com um nome distinto de uma cor, embaralhá-los e escolher então um ao acaso. O entrevistado deve dizer qual é a cor escrita no papel escolhido e então este é virado para comprovar a validade da adivinhação. Consideremos aqui que este é o experimento do tipo II.

A hipótese que está sendo testada aqui é a de que é possível a transmissão de informação diretamente de uma mente a outra, ou talvez de um espírito a outro (assumindo aqui também a hipótese de que esta informação não estaria contida apenas em um substrato material). Entretanto, segundo algumas das explicações propostas para o caso em que tal hipótese se mostrasse correta, a realização deste experimento torna-se extremamente complexa.

Uma destas explicações que mais procura estar de acordo com o estado atual da física diz respeito à problemática do colapso da função de onda. Em resumo, a física moderna não trata de cada partícula que compõe o mundo material como se esta fosse uma bolinha de bilhar. Ao invés disso, cada partícula é descrita por uma função que nos diz qual sua probabilidade de ser encontrada em determinada região do espaço. Assim, na mecânica quântica, não faz sentido nos perguntarmos se um elétron está na posição número cinco sobre um eixo orientado, por exemplo. Faz sentido apenas nos perguntarmos qual a probabilidade de que ele esteja entre as posições quatro e meio e cinco e meio, por exemplo. A cada observação, um fenômeno diferente será observado, obedecendo estas leis de probabilidade, mas a predição exata de um dado fenômeno específico torna-se uma impossibilidade.

A partir deste que é um fato consagrado da forma pela qual a mecânica quântica descreve o mundo atualmente, e passando por inúmeros exercícios de especulação, propõe-se que o pensamento, a mente humana ou a consciência humana, chamem como quiser, teria o poder de controlar o colapso de onda e afetar as escolhas aleatórias que a natureza faz ao construir o segundo seguinte.

Esta explicação é coerente com o experimento do tipo II, em que uma cor é escolhida ao acaso dentre os papéis porém não se observa qual é a cor realmente escolhida. Portanto, até que efetivamente o papel seja virado e a cor exposta aos observadores presentes, pode-se assumir que a função de onda que descreve todo o complexo conjunto físico dos papéis não esteja ainda colapsada e esteja, portanto, aberta a este suposto controle externo.

Já o experimento do tipo I não se relaciona diretamente a esta teoria pois, uma vez pensada uma cor pelo entrevistador, esta realidade física (uma informação criada e contida no cérebro do entrevistador) é imediatamente observada por ele próprio, em sua consciência. Assim, não há função de onda não colapsada nesta história. Ainda assim, é um experimento interessante pois, desde que a aleatoriedade nas escolhas das cores seja minimamente garantida, possibilitaria verificar a transmissão de informações sem um intermédio físico concreto.

Algumas dificuldades se impõe, entretanto, para a realização de um experimento que parece simples. Segundo a própria proposta (em especial no que diz respeito ao experimento II), as atividades mentais dos participantes tem o poder de influenciar o resultado final, como por meio do controle do colapso da função de onda. ora, isso significa que o observador não é mais um simples observador, ele é também parte das causas do fenômeno observado. Nestas condições, é plenamente possível argumentar em que um experimento tenha sido fadado ao insucesso precidamente porque ao menos um dos participantes não acreditava devidamente na possibilidade de êxito.

No caso do experimento I, a dificuldade viria de algum bloqueio que o entrevistador imporia às suas transmissões mentais ao entrevistado, a um possível desejo interior de que este errasse a maioria das respostas fazendo portanto com que informação errada, ou nenhuma informação, fosse transmitida no final das contas.

Exploremos as conseqüências dessas divagações. Em primeiro lugar, tem-se então que, ao olhar clássico da ciência, não temos nenhum experimento verdadeiramente merecedor deste título em curso aqui. Isso porque, para que algo possa ser considerado um experimento, ele deve se referir diretamente a alguma hipótese testável e diretamente relacionada aos seus resultados. Caso, porém, estes resultados dependam de condições incontroláveis no experimento, ou caso um mesmo resultado admita diferentes explicações (por exemplo, uma distribuição puramente estatística no resultado das adivinhações pode ser interpretada tanto como inexistência da transmissão telepática de informações como simples bloqueio mental oriundo do entrevistador ou mesmo incapacidade do entrevistado, não resolvendo o problema de decidir sobre a própria existência das transmissões telepáticas). Neste sentido, deve-se buscar imaginar que tipo de experimento seria capaz de dar conta destas limitações.

Em segundo lugar, abre-se o problema filosófico, que pode ter desdobramentos práticos na forma em que a mecânica quântica é conduzida em laboratório, de como a ciência deve armar seu arsenal experimental para os casos em que o observador, invariavelmente, tem participação no fenômeno.

A busca da relação direta com o mundo material parece ser sempre a saída mais segura. Supondo casos de 90% ou mesmo 100% de sucesso no caso do experimento I, teríamos como concorrentes as hipóteses de que a telepatia realmente funcionou e também a hipótese de que, simplesmente, o entrevistador está mentindo ou foi condicionado a pensar que o experimento funcionou por alguma peça que sua mente pregou em si própria.

Já no caso do experimetno II, com o papel escolhido disposto separadamente sobre a mesa para a observação de quantos quiserem observar os resultados, poderia ser sempre inconclusivo para provar a inexistência da telepatia nos casos de insucesso, devido a concorrência com explicações que apelam ao bloqueio mental por parte do entrevistador, porém forneceriam entusiasmantes argumentos em favor da existência da telepatia caso realmente os resultados desviassem sensivelmente das previsões estatísticas. A conclusão aqui é a de que este tipo de experimento, embora fosse capaz de provar a existência da telepatia, não seria capaz de provar sua inexistência caso seja este o fato. Assim, imaginando um mundo em que por séculos e séculos diversos cientistas se reúnem para desenvolver variantes deste processo, sem obtenção de sucesso, o que deveria ser admitido como resultado?

Fica em aberta a hipótese de fenômenos que se manifestam para os que acreditam. Supondo que não se trate de um caso de loucura, mas que realmente exista algo assim na natureza, algo que não se manifesta de forma uniforme a todos os seres mas que está, antes, condicionada pelo estado do sujeito, o que acontece com a ciência? Afinal, um dos pilares fundamentais da ciência, se não o principal absoluto, é a hipótese de que existem um conjunto homogêneo de leis por todo o universo, que regem de forma homogênea o comportamento de toda e qualquer partícula. Mas se algum ser consegue influenciar o colapso da função de onda, então para este indivíduo a distribuição de probabilidades do fenômeno final foi alterada. O que significa não só que a função de onda colapsou, mas que colapsou de forma controlada e que, portanto, implicaria em uma alteração mesmo de suas probabilidades, ao menos em termos empíricos (uma moeda tem 50% de chance de apresentar cada resultado, cara ou coroa. Porém se a experiência mostrasse uma moeda que, em mil lançamentos, apresentou novecentos resultados cara contra apenas cem resultados coroa, embora os cálculos teóricos implicassem em 50% de chance para a moeda, seríamos forçados a admitir que alguma coisa, mesmo que desconhecida, alterou a distribuição de probabilidades original). Esta observação final pode ser considerada como externa ao texto, pois é um arumento em contrário à explicação da telepatia pelo colapso de onda como algo coerente com a mecânica quântica atual.

Menos noites frias

Sim sim, é mais uma reportagem sobre aquecimento global. Clique aqui para ver a reportagem. Em breve vai se tornar viável abrir um caderno só sobre o assunto nos jornais. Você compra o jornal e escolhe o que quer ler... O caderno principal, o caderno economia, mundo, carros ou aquecimento global. Assim fica mais prático.

Nessa última notícia, o que me chamou a atenção foi a seguinte informação:

"O número de noites muito frias diminuiu 76% e o de noites quentes aumentou cerca de 72%."

Isso afeta profundamente nosso modo de viver. Noites frias são definitivamente melhores que noites quentes. O mundo vai ficar, antes de inabitável, extremamente apático.

Já há algumas semanas tem sido comum eu dormir de janela aberta e sem camiseta, coisa que nunca havia sido meu costume. Gosto de dormir, em geral, com mais cobertores que o necessário.

Saturday, December 23, 2006

Vida moderna...

Achei no New York Times uma reportagem que eu achei que nem fosse ler... Mas, no meio da inutilidade da manhã, por que não né?! "Perguntas que casais deveriam fazer antes de casar". Uma listinha com quinze perguntas, todas supostamente muito importantes para o sucesso da futura família.

Havia lá no meio questões sempre delicadas e importantes, que traduzem uma profunda necessidade de intimidade e conhecimento mútuo no casal. Já discutimos nossas expectativas sobre ter filhos e, em caso de os querer, como dividiríamos as responsabilidades? Podemos discutir abertamente nossos anseios sexuais, nossas preferências e nossos medos?

E, no meio dessas questões todas, hierarquizada como tão fundamental como todas as outras, a sintomática pergunta:

Vai haver uma TV no quarto?

E fico aqui me perguntando quantos casais teriam falhado, primordialmente, por um descompasso especificamente em torno desta última questão, de uns tempos pra cá...

Wednesday, December 20, 2006

Educação e os professores

http://www.estadao.com.br/educacao/noticias/2006/dez/19/376.htm

Eu ia comentar. Mas tô sem dormir e são 4 da manhã. Não sei se consigo comentários úteis nessas condições, então prefiro ficar quieto.

Sunday, December 17, 2006

Buzinas Desintegradoras

Alguma vez você já esteve num trânsito completamente caótico e parado, onde mal e mal sobra espaço para as motos ensandecidas aventurarem-se por entre retrovisores a não mais que trinta quilômetros por hora (embora um ou outro Chuck Norris dos guidões consiga fazê-lo a sessenta enquanto concentra-se pacientemente em sua palavra cruzada sobre o tanque de gasolina...), e ouviu então aquele som inconfundível de um buzinasso ensandecido?

Pois bem, se achava que essa buzina significava "sai da frente" e não via o menor sentido nisso pois não havia absolutamente a menor possibilidade de alguém se mexer, saiba que não é nada disso.

O Blog do Axel, que irá concorrer ao prêmio de Melhor Blog de Informações Públicas Aeatórias assim que o prêmio for criado, esclarece o fenômeno aqui em primeira mão.

Tratam-se das buzinas desintegradoras. Sim, isso mesmo. Você aperta a buzina, e um som infernal e perfeitamente sintonizado para ressoar com a estrutura molecular do veículo adiante o desintegra, e então você pode avançar mais um espaço e repetir o processo. Mas, é claro, você nunca viu nenhum carro desintegrando porque moramos em um território de terceiro mundo, onde as únicas coisas globais que realmente funcionam são o aquecimento global, o analfabetismo, as novelas e a sempre saudável máfia asiática do que quer que seja.

Aliás, a DHT Inc® (Desintegrating-Horn Technologies) tem registrado um recorde de reclamações sobre o produto. Porém, como segundo os acordos internacionais as empresas estrangeiras não são obrigadas a oferecer um serviço de qualidade superior a aquele previamente existente no país, o departamento de Telemarketing da DHT não passa nenhuma das reclamações adiantes e ainda presenteia-nos com versões eletrônicas estragadas e monocromáticas de grandes clássicos da música. Aliás,
  • telemarketing
  • é feito para mesmo para enlouquecer.

    Bom, fica a dica desse mercado inexplorado: caso você descubra como concertar as buzinas desintegradoras importadas presentes em nosso trânsito, pode até pensar em algum lobby junto aos órgãos públicos para obrigar o concerto do equipamento durante o licenciamento dos veículos, não só monopolizando o mercado mas obrigando democraticamente que todos pagem pelo serviço.

    Correr

    É difícil de explicar. Mas correr, andar por aí, ir longe a pé ou de bicicleta... São coisas de que preciso. Sinto muita falta disso quando nos períodos mais chatos a faculdade engole meu tempo e impede que isso aconteça, e me sinto muito bem quando finalmente consigo colocar a prática em dia. Revigorado.

    Há muitos comentários possíveis sobre os benefícios físicos do exercício, embora haja um bom número de razões contrária a essa prática em uma cidade poluída como São Paulo, próximo a rodovidas, etc... Mas isso compõe apenas parte da brincadeira.

    São as cenas. É incrível como o cenário muda quando você vai a pé. Parece que ele explode em detalhes. As casas ganham profundidade, detalhes nos jardins... Há tempo para comprimentar as pessoas com um breve sorriso quando olhares eventualmente se cruzam... Não é só uma questão de velocidade, pois mesmo andando devagar de carro, duvido que a experiência se reproduza nesta condição.

    E quanto aos lugares onde normalmente passamos apenas de carro, quando finalmente os atingimos a pé, muda algo no sentimento que temos com relação ao espaço ao nosso redor.

    Passo por bairros não muito apresentáveis, próximo a uma esquina dois vizinhos conversam sobre a insegurança da região. Vou seguindo pelas vielas, travessinhas... Ninguém nas ruas perigosas. Como diria um amigo meu, "aqui não tem nenhum assaltante não, eles não saem na rua com medo de serem roubados!". Crime mesmo é que as pessoas fiquem em suas casas sempre ou só saiam se puderem de algum modo continuar fechadas num certo espaço. É isso. Carro é isolamento sobre rodas, e a maior humilhação daqueles que dependem dos ônibus não é em si o desconforto da lotação, mas a privação deste espaço particular em que o contato com os outros é licitamente revogado. Crentes de que a modernidade de algum modo lhes diz respeito também, essas pessoas não se intimidam com as limitações da condição e criam o isolamento dos corpos colados.

    Será que correr de tudo isso é só meu isolamento? Que meu sentimento de que ver tantos desses lugares diferentes e sentir a conexão entre esses ambientes ao mesmo tempo contíguos e distantes é apenas minha mentira pessoal para legitimar meu tipo de isolamento preferido?

    Não é uma pergunta fácil, mas creio que gastar muito tempo investigando aqui uma resposta seria um sintoma de que a verdade pende para o lado que me desagrada. Vou ficando por aqui então, e talvez vá correr mais um pouco hoje.

    Thursday, December 14, 2006

    No semáforo

    [Entre o motorista, que vai baixando o vidro da janela, e o pedinte que se aproxima mostrando um papel protegido por um plástico velho]

    - Opa! Será que o senhor não poderia me arrumar um trocado? É que eu sou ex-presidiário e estou precisando inteirar minha passagem pra Cuiabá.

    - Cuiabá?! Nossa!

    - É, bem longe!

    - Mas, por que você foi perso?

    - Tráfico, mas tô nessa mais não...

    [O motorista abaixa-se e vai procurando algum dinheiro em sua carteira, até encontrar uma moeda de um real]

    - Tó, toma aqui!

    - Deus lhe abençoe, muito obrigado mesmo viu!

    - Opa, tamo aí!

    [O semáforo se abre e então segue-se a conversa entre o motorista e o passageiro]

    - O que ele falou que fez?

    - Era traficante, foi preso.

    - Nossa! E você deu um real pra ele?

    - Dei! Não viu ele falando que ia pra Cuiabá?

    - E aí?

    - Que saia da cidade né, se eu tivesse mais dinheiro na hora, dava mais!

    Mais um grande mamífero extinto

    A notícia é do Estadão, em http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/dez/13/226.htm.

    Wednesday, December 13, 2006

    Ciência avançada

    http://www.estadao.com.br/educacao/noticias/2006/dez/13/289.htm
    A manchete é: "Olimpíada de Ciências termina em fiasco no Brasil".

    Fiasco? A catástrofe organizacional desta Olimpíada de Ciência é a aula que todos os futuros cientistas e pensadores precisam. O conhecimento introjetado de que, a parte tudo o que se conheça e domine, o realizar das coisas passa e continuará passando pela disposição irracional da sociedade circundante. É essa irracionalidade que deve ser dominada. Dominar pedras, pêndulos, elétrons ou ondas é até que fácil. Quero ver controlar pessoas.

    Tuesday, December 12, 2006

    Modus Operandi

    Qualquer um que se disponha a ler um livro chamado "Geoquímica Recreativa" deve estar preparado para coisas inusitadas. Por hora me detenho na seguinte frase, que aparece logo nas primeiras páginas:

    "Não se pode esquecer que, na história da ciência, os métodos novos têm mais importância do que as novas teorias."

    A frase é, no mínimo, chocante à primeira vista. Mas há por trás dela uma inquietante verdade.

    Sunday, December 10, 2006

    Talk Show

    - Nossa, que coisa . . . Por que é que eu não me apaixonei por você, hein?

    - Porque você é meio burra, convenhamos . . .

    Esclarecimento importante

    - Cara, lá é um lugar tão chique que o prato custa uns cem reais, só pra você ter uma idéia.

    - Nossa!

    - É! E com comida em cima é ainda mais caro!

    Hot news!

    O aquecimento global está aí. É tão concreto como a corrupção no governo brasileiro, a ineficiência das dietas do tipo "faça você mesmo" e a tosquice das propagandas que terminam com um sempre fantástico "ligue agora e receba inteiramente grátis esse brinde super inútil!". O aquecimento global é até mais concreto e mais perturbador que a depressão psicológica provocada por exposições continuadas a programas como A Praça É Nossa ou Zorra Total. Mas, diferentemente de todos esses exemplos, é algo que não afeta apenas os seres aprisionados a um determinado estilo de vida humana. Conseguimos, finalmente, desenvolver algo que envolve, sem distinção, todos os humanos, não importando de que lado da ciranda capitalista estejam brincando. Não importando idade, sexo ou falta dele, time preferido ou mania peculiar para uma manhã de domingo. Aliás, verdade seja dita, não importa nem se você é humano ou não. Tanto faz se você é um animal, uma ave, um fungo, uma rocha ou um mega blogo de gelo boiando por aí. Sua cota no aquecimento global está garantida. É um grande triunfo da humanidade, creio. Temos que nos orgulhar do aquecimento global, e deveria existir um dia dedicado a ele; ONG's deveriam desde já ser criadas para preservar, em detalhes, a memória deste mais magnífico feito de todos. O aquecimento global é, afinal, a primeira criação realmente democrática já alcançada pela humanidade. É o primeiro item produzido pelo mundo ocidental a se tornar, no mais belo dos sentidos, um produto genuinamente global. Os críticos menos otimistas poderiam contrapor algum caráter ditatorial nessa democratização, afinal para os sapinhos úmidos das montanhas do Panamá, assim como para vários outros seres que não estavam muito nem aí, nenhuma opinião foi pedida e nenhum direito de rejeição oferecido. Mas é assim o curso da humanidade: inventamos as coisas, e numa primeira rodada sua aplicação é meio desastrosa, desengonçada, atribulada. Depois é que vamos aprendendo a fazer direito. É claro que o aquecimento global ainda tem muito por evoluir, mas se em décadas recentes carecíamos do surgimento de um novo mito humano (com avião, espaçonave, computador e laser, televisão, videogame e comida delivery todos já inventados e dominados, o que forneceria um novo horizonte?), é hora de comemorarmos a conquista do mundo. Essa casa é nossa e a estamos deixando um lugar mais quentinho. Aconchegante, não?

    Notícias recentes sobre o maior Holo....... (holocausto envolve só humanos)..... notícias recentes sobre esse grande Biocausto:

    Calor no outono ameaça deixar a Europa sem neve no inverno
    http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/dez/08/284.htm

    Vast African Lake Levels Dropping Fast
    http://www.nytimes.com/aponline/world/AP-Warmer-World-African-Lakes.html?_r=1&oref=slogin

    Geleiras na China diminuem 7% ao ano
    http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/mai/02/165.htm

    Aquecimento global enfraquece ventos no Pacífico
    http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/mai/03/145.htm

    Corais do Caribe sofrem devastação recorde
    http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/mar/31/194.htm

    Aquecimento global ameaça a Ilha de Marajó
    http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/abr/11/147.htm

    Study on Phytoplankton
    http://www.nytimes.com/2006/12/07/science/07brfs-WARM.html

    Global Warming Unstoppable for 100 Years, Study Says
    http://news.nationalgeographic.com/news/2005/03/0317_050317_warming.html

    Um livro recomendado para reflexões sobre o futuro dessa merda toda:
    "O Fim da Evolução"
    de Peter Ward

    Holocausto

    Há um texto, se não me engano de Theodor Adorno, chamado "Educação após Auschwitz". É, salvo pela devida ordenação cronológica das autorias, uma ótima resposta à polêmica levantada pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. A reportagem de interesse está no link abaixo (espero!):

    http://www.estadao.com.br/ultimas/mundo/noticias/2006/dez/09/48.htm

    Monday, December 04, 2006

    PT-NYJ

    Check pré-vôo. Seis litros e meio de óleo, o mínimo indicado para um Tupi. Completamos com mais um litro. Cabine preparada, cintos passados. Fonia. Tudo em ordem com a fonia. Chamar o solo Marte. Aguardar autorização para táxi. Cabeceira 30. "Operamos sem flape aqui". Tudo bem, sem flape então. Segura no freio, potência máxima, observa indicações.... Libera freio... Na corrida vou me re-familiarizando com o controle direcional. Cinquenta e cinco nós, leve alívio no manche. Sessenta e cinco, tira do chão com suavidade, e um pedalzinho para corrigir o vento e manter o eixo. As casas à frente vão se aproximando mais do que eu gostaria. "Tá, pode dar um dentinho de flape...", não era só eu incomodado com aquela subida. Aproamos a posição "pedágio", e ao cruzar seu través comunicamos ao controle nossa intenção de prosseguir para toque e arremetida. O pouso foi bom, apesar de eu ter deixado o "yankee jouliet" pular um pouco e subir pelo menos um metro e meio novamente. O importante é que briguei contra meu próprio erro e corrigi o pouso sem maiores problemas e sem a intervenção do instrutor. Potência a pleno, flapes recolhidos, observando a velocidade indicada até retomar os sessenta e cinco nós... No ar novamente. O pouso de volta em Marte foi um tanto quanto melhor. Devido a um Seneca um tanto quanto perdido e a um Citation II que vinha chegando sei lá eu de onde, mas bem rápido, fomos solicitados pela torre a fazer uma aproximação mais rápida. Pouco depois de cruzar o través da trinta, motor cortado, e aproximação no planeio mesmo, observando a velocidade. Vou buscando o alinhamento na final, um pequeno motorzinho na curta final (sabia que poderíamos ter atrasado um pouco os flapes...), e dessa vez um arredondamento mais tranquilo, deixando flutuar até que o avião mesmo resolvesse pousar, sem a mesma briga de Jundiaí. Depois de três anos longe do Paulistinha, uma coisa é certa... Escolher fazer a fase inicial do curso no P-56 foi a melhor das escolhas, afinal o que me sobrou de pé e mão atrofiados depois de todo esse tempo ainda foi mais que o suficiente para cuidar bem do Tupi nessa retomada relâmpago.

    Sunday, December 03, 2006

    Ponderações alheias

    "O neurótico constrói um castelo no ar. O psicótico mora nele. O psiquiatra cobra o aluguel." (Jerome Lawrence)

    "É bom saber que se eu for suficientemente estranho a sociedade vai me aceitar e tomar conta de mim." (Ashleigh Brilliant)

    "O homem de bom senso jamais comete uma loucura de pouca importância." (Goethe)

    "O louco quando dá conta de seu desequilíbrio, fica absolutamente bom." (Autor desconhecido)

    "O que me faz rir não é a nossa loucura, é a nossa sabedoria." (Michel de Montaigne)

    "Por que será que, quando falamos com Deus, dizem que estamos rezando, e quando Deus fala conosco dizem que somos esquizofrênicos?" (Autor desconhecido)

    "Ira brevis insania"

    "Libri quosdam ad scientiam, quosdam ad insaniam deduxere."

    Cartesianalisando

    Daí dividimos as origens dos problemas em duas linhagens principais, com a conveniência de que elas podem ser interpretadas tanto de uma perspectiva física (e, portanto, econômica) como de um ponto de vista mais sociológico ou até psicológico:

    - a síndrome da transferência de responsabilidade

    - a crise da alocação de recursos

    Saturday, December 02, 2006

    Metaphisics

    And then we have all become so blind that we no longer believe in walls.

    Tuesday, November 28, 2006

    Rascunho às pressas, meio jogado

    Em uma das memoráveis passagens do livro "O Homem - uma introdução à antropologia", Ralph Linton mostra magestralmente como a sociedade moderna é caracterizada antes por um complexo agregado de vários desenvolvimentos culturais independentes que pela capacidade de produzir rapidamente um grande desenvolvimento inédito para a solução de um problema. Explico: em seu livro, Linton mostra como o cenário material da vida moderna, desde nossos travesseiros, camas, até nossas roupas, as idéias de desenho de nossas cidades, nossas casas, nossa alimentação e etc, surgiram inicialmente longe do que se pode entender como "civilização ocidental" sendo, porém incorporadas a esta ao longo do tempo de tal forma a hoje constituir nossa realidade como se esta fosse um quadro único e maciço ao invés de um mosaico onde os encaixes foram lapidados ao longo do tempo. Seguindo mais ou menos o mesmo raciocínio, porém de forma mais lúdica, o programa Conexões 3, exibido tempos atrás no Discovery Channel, mostrava como uma série aparentemente incoerente de eventos, pessoas e acasos se conectava culminando em alguma invenção importante ou em algum evento histórico relevante. Pretendo aqui fazer uma breve revisão do conteúdo visto nas aulas de geologia e prospecção do petróleo, buscando dar à dissertação este mesmo enfoque: tentarei, neste curto espaço de tempo disponível para a prova, agregar informações históricas e casuais que tanto culminam com a viabilização da exploração comercial do petróleo e gás em larga escala como também, na outra ponta deste processo histórico, modifica a sociedade de acordo com os caprichos da natureza.

    Enquanto escrevo este texto e tento expandir alguma pesquisa, utilizo um teclado plástico e olho para um monitor de cristal líquido composto também por materiais sintéticos. Em meu pulso, um relógio com pulseira de borracha. A mesa é revestida com fórmica e a tinta que dá cor às paredes deste ambiente utiliza-se de inúmeros hidrocarbonetos. O petróleo e sua indústria estão em toda a parte, e embora o emprego como fonte de energia seja uma de suas mais essenciais e intensivas aplicações, o alcance de seus derivados em nossa vida vai muito além. Faça esse exercício: olhe ao seu redor e elimine deste cenário tudo aquilo que depende do petróleo para existir. Poucos são os ambientes que resistiriam bem a este exercício mental. Isso sem falar no número de eventos de ordem política e mesmo militar que habitam quer seja nossa história ou nosso presente que estão também intimamente ligados ao petróleo. Mas como a humanidade pôde desenvolver esta "petroleocracia"?

    A resposta a esta pergunta é uma descrição quase caótica de um íntimo casamento entre aleatoriedades das mais diversas espécies com esforços de mentes brilhantes em busca de respostas específicas. É a convergência deste borbulhar de interação entre abstração e exploração, entre o acaso e a necessidade. Será uma viagem rápida. Rápida porém vertiginosa.

    O surgimento do petróleo. Em contraposição à chamada teoria inorgânica, a teoria orgânica conta com o surgimento da vida para a formação de sedimentos que seriam pouco a pouco engolidos pela dinâmica geológica dos oceanos e processados por diversos agentes ambientais até sua transformação em petróleo. Não é de se estranhar, portanto, que o petróleo não esteja disponível em grandes “cavernas-tanque” escondidas, mas sim embrenhado em rochas porosas em regiões dos mais diversos formatos. Além disso, sua formação inicial foi dispersa, porém as intensas movimentações das entranhas terrestres cuidou para que logo este petróleo recém-formado fosse expulso para regiões mais altas. No caminho de fuga muitas vezes o óleo negro encontrou a superfície terrestre. Graças a esse sucesso rumo ao topo da crosta terrestre, os antigos puderam conhecer o petróleo e empregá-lo em construções nas antigas cidades de Ardericca e Zacynthus, como conta Heródoto e Diodórus Siculos. Mais precisamente, empregava-se uma espécie de piche para a impermeabilização de estradas, e o uso como fonte de iluminação também já era conhecido.

    Muitas vezes, porém, no caminho à superfície o óleo acabava encontrando alguma espécie de armadilha. Estas formaram-se devido à constante mutação da crosta terrestre ser devido a violentas forças que empurram as placas tectônicas umas contra as outras. Assim, camadas que originalmente seriam horizontais e dispostas umas sobre as outras tornam-se enrugadas e, eventualmente, chegam a quebrar em diversos pontos deslocando-se relativamente umas às outras.

    Este processo seria incompreensível até que a geologia quebrasse a idéia de que a Terra é um planeta estático e imutável. Devemos muito deste entendimento à coragem e dedicação de geólogos como William Smith, que reconheceu a repetição de padrões nas camadas sedimentares em diversas das minas de carvão nas quais trabalhou. E também à genialidade de estudiosos como o alemão Alfred Wegener, que teorizou a idéia da deriva continental permitindo que a geologia se aventurasse em uma busca de conhecimento que mais tarde permitiria um mapeamento detalhado de grandes regiões da crosta e da reconstrução de sua conturbada história.

    Acontece que, uma vez preso nestas armadilhas, o petróleo estará escondido de qualquer observador pouco preparado. Ainda assim, por improvável que seja, já no século quatro poços de petróleo com até 243 metros de profundidade eram perfurados em solo chinês. Esses poços eram perfurados próximos a regiões de afloramento do petróleo. Tratava-se, portanto, de regiões em que as armadilhas haviam “falhado”, de certa forma, em sua missão de esconder e preservar este tesouro de nossa história geológica.

    Futuramente, com a criação dos motores de combustão interna e com os novos usos que gradualmente se descobriam para infinitos processamentos possíveis sobre os hidrocarbonetos, forças sociais e econômicas convergiram no sentido de fornecer à indústria do petróleo o estado da arte das tecnologias disponíveis para exploração e extração dos reservatórios.

    A geologia une-se então cada vez mais à física em sua empreitada de reconstruir a história da crosta terrestre. Com o passar do tempo, vai ganhando poderosos aliados, como a eletrônica e a tecnologia espacial, que permitem diversas formas de enxergar o subsolo terrestre, quer seja por meio dos ecos de ondas de choques artificialmente produzidas por explosões ou fortes impactos... Ou então a minuciosa capacidade de enxergar, com precisão, pequenas mudanças no campo gravitacional e magnético da superfície terrestre, inferindo detalhes sobre sua constituição interior. Estas tecnologias podem ser empregadas a partir de veículos terrestres, marítimos, aéreos, ou mesmo espaciais, ampliando enormemente o poder de visão dos estrategistas do petróleo.

    E se por um lado a humanidade esforça-se por dominar o petróleo, o sucesso nesta conquista traduz-se em dependência e a dependência aparece como força dialética a permitir que, em contrapartida, o petróleo domine também a história da humanidade. Não é de se estranhar, portanto, que a região do Oriente Médio, onde estão as maiores reservas conhecidas de petróleo em todo o mundo, abrigue também as maiores tensões militares dos últimos tempos. Observa-se também a importância que o petróleo teve em todas as guerras do último século, como único combustível capaz de mover tropas e equipamentos com impacto suficiente para determinar o curso dos acontecimentos. O domínio das fontes petrolíferas utilizadas pelo inimigo é sempre um dos objetivos centrais de qualquer estrategista.

    Ao mesmo tempo que esta acentuada importância pressiona um rápido avanço nas tecnologias de extração e pesquisas geológicas, mostra que o domínio destas informações e recursos passa a ser também um assunto cada vez mais importante. O conhecimento da história da crosta terrestre permite prever com maior chance de acerto a localização de reservas petrolíferas significativas. O domínio de diversas tecnologias permite a exploração cada vez mais exaustiva destes recursos, com o emprego de idéias ousadas como a de poços horizontais, plataformas flutuantes suportando quilômetros de risers sobre lâminas d’água de mais de dois quilômetros...

    O petróleo vai assim produzindo um mundo cada vez mais capaz de sustentar o desenvolvimento científico e tecnológico que viabiliza a exploração de mais e mais petróleo, em um delicado equilíbrio dinâmico de mutualismo que só poderá ser eventualmente quebrado por fatores externos (mas nem por isso independentes), de ordem econômica, ambiental ou política.

    Saturday, November 25, 2006

    Falando mal de quem só fala mal

    Estive lendo ainda há pouco um artigo de Maria de Fátima de Paula, na revista Tempo Social, e ontem andei folheando o artigo de José Marcelino de Rezende Pinto, na revista Educação & Sociedade. O primeiro entitula-se "O Processo de modernização da universidade", enquanto o segundo "O acesso à educação superior no Brasil". Os artigos são interessantes e informativos, em especial o artigo de Rezende Pinto, cheio de estatísticas sobre as universidades brasileiras de algumas décadas até aqui. Ao ler os trabalhos, porém, deparei-me com um certo pessimismo que incomoda.

    O capitalismo está a solta, é um vilão a ser combatido. Está corroendo o livre pensamento e submetendo o pacifico caminhar da ciência às torturas invensíveis das invisíveis e monstruosas forças do mercado.

    O incômodo acontece não por eu discordar de que a universidade deva ser um reduto de formação e desenvolvimento de mentes críticas, mas sim por eu acreditar, e sinto mesmo que esta é a realidade desejável, que uma postura crítica não deve implicar em uma postura de criticar. Antes que eu permita nos perdermos na confusão das ambiguidades, explico: espero que criticar seja sempre a atitude de tecer novas interpretações, imaginar novas teses e testar todas essas idéias num constante confronto com a realidade, sem medo de chegar a qualquer conclusão que for.

    Mas quando criticar assume o sentido de levantar vozes em contrário, difundir o sentimento de que a atual realidade é quase o pior dos mundos e que, sem a fuga completa para um outro mundo, não há a menor esperança de melhora, então acredito que a crítica perdeu sua liberdade de pensamento para o grande vilão do desencantamento do mundo.

    Talvez, quem sabe, um socialismo devidamente realizado constitua um sistema infinitamente melhor que o capitalismo para todos os possíveis envolvidos. Ou ainda, por que não, exista um terceiro sistema que se constitua em algo muito melhor do que o melhor dos socialismos já sonhados ou dos capitalimos já fingidos. Mas estas questões, embora válidas e merecedoras de reflexão, não impedem por nenhum caminho lógico que se coloque também em pauta indagações sobre como tornar melhor o mundo atual assumindo como dadas suas principais características de funcionamento. Isto é, assumindo que, sim, este é um mundo capitalista e que a sociedade está organizada em consumidores de serviços e bens e em provedores dos mesmos. E que o equilíbrio entre estes diferentes grupos, quer seja um equilíbrio tendencioso ou não, é um equilíbrio dinâmico cuja manutenção envolve um místico fluxo da tal entitade monetária.

    Mais ainda! Contra o pessimismo dos autores que mencionei e de muitos outros, pergunto ainda se o mal funcionamento de um determinado sistema pode ser aceito como prova irrefutável de que a própria idéia do sistema é inviável. Todos aqueles que já tentaram controlar a natureza em suas formas brutas mais básicas em pouco tempo descobriram o quão falsa é essa conclusão. Sim, há inúmeras possibilidades no manejo da realidade. Coisas soltas no ar caem, e você pode tentar deixar uma pedra flutuando bem à sua frente por quantas vezes e de quantas maneiras quiser que não logrará sucesso. A não ser que passe a manejar também outras características da realidade (como criar um campo magnético na região e garantir que a tal pedra tenha metal suficiente preso a ela), o objetivo jamais será alcançado e a idéia inicial é inválida. Há porém inúmeros exemplos em contrário. A história da aviação, a invenção da lâmpada, a conquista espacial... Caso algum dos fracassos iniciais das tentativas de vôo, ou de domínio da eletricidade, ou da criação da luz, ou da realização de viagens espaciais (para ficarmos apenas nos exemplos mais básicos) tivessem sido interpretados por todos como um definitivo atestado de impossibilidade, então certamente viveríamos num mundo onde seríamos muito mais submissos às forças da natureza do que somos hoje.

    E quando pensamos em como criar um mundo melhor, quandopensamos em como desejaríamos que certas instituições sociais funcionassem, não estamos também querendo produzir algum tipo de mudança na natureza externa que se nos apresenta? Porém, diferentemente de uma pedra, ou de um avião, a natureza dos mecanismos sociais é muito mais complexa no sentido de que é extremamente difícil antevermos com precisão como ela responderá a um dado conjunto de inputs. Esses inputs, quer sejam na forma de leis, de músicas, de livros, de manifestações visuais ou de coerção física benéfica ou não, interagem sempre com um conjunto tão volumoso e complexamente intrincado de dispositivos que antever com precisão a saída do sistema talvez seja um problema que sempre irá demandar mais tempo para ser calculado do que o próprio tempo que o fenômeno em si demanda para se manifestar, inviabilizando dessa forma qualquer tentativa de previsão ainda que um dia pudéssemos ter um modelo perfeito.

    No mesmo sentido em que aqueles que desacreditavam a possbilidade do vôo pelo fracasso das primeiras tentativas colocavam-se como submisso às limitações da natureza, talvez não exista nenhuma espécie social mais submissa às forças coercitivas do capitalimos que os sociólogos e alguns outros de seus colegas humanistas. Isso porque eles se apressam sempre em sublinhar o quão falhas e problemáticas são as estruturas sociais instaladas no capitalismo, e concluem sempre instantaneamente que esta falha explica-se pelo substrato do tal sistema ser justamente o capitalismo ao invés de outro sistema qualquer, que raramente sobra tempo para questionamentos concretizáveis sobre como solucionar as falhas percebidas e colocar o sistema para funcionar sem que todo o resto do maquinário social precise ser desmontado e remontado. Não se trata de aceitar o mundo como ele é e deixar de lado toda a vocação crítica que ferve nas veias de um livre pensador. Trata-se antes da sensatez de aceitar que existem diferentes formas de se abordar um mesmo problema e que encontrar um meio de dar um pequeno passo em direção a um cenário ideal é muito melhor do que ficar para sempre à deriva por não saber como saltar diretamente ao destino.

    Wednesday, November 22, 2006

    Recomendo

    A todos os acadêmicos, engenheiros em especial e, para além dos muros da universidade, aos gestores da atividade científica, o artigo "Não há pior inimigo do conhecimento que a terra firme", escrito por Renato Janine Ribeiro. Onde encontrar? No número 1 do volume 11 da revista Tempo Social, revista de sociologia da USP. é de maio de 1999 e o ISSN é 0103-2070. Vai, procure, leia.

    Tuesday, November 21, 2006

    Nas páginas a tinta Parker

    "... não fomos feitos para executar a perfeição dos princípios, apenas para apreciá-las."

    Do vô do Jabor

    "Olha lá. Um sujeito fingindo de mendigo para esconder que realmente é...!"

    "Cuidado Arnaldinho, pois nada é só bom..."

    Monday, November 20, 2006

    V de Veja o filme!

    Assista V de Vingança, um filme muito bom tanto para distrair um pouco como para jogar um pouco de lenha na fogueira em reflexões tanto sobre o presente quanto sobre o passado recente desta sociedade em que as massas, sendo cada vez mais massas (em termos de volume mesmo), criam o substrato ideal para a consolidação da idéia e da imagem como não só produtos da realidade, não só como criadoras da realidade, mas também como constante transporte da realidade de uma configuração a outra, como seu altar de conflito, como seu ringue de santificação.


    Alguns ótimos comentários sobre o filme, caçados por aí:

    "Mas para um filme interessado em passar uma mensagem claramente revolucionária, não teria sido sensato manter bem definidas as fronteiras entre caos e anarquia? Quem vê o filme não julgará que basta o caos para derrubar um regime fascista, o bombardeamento de uns edifícios simbólicos para se iniciar uma nova era de paz e fraternidade? É nessa direcção que se revelam as maiores falhas de V for Vendetta e o tornam um produto inferior à grande linha de cinema distópico. Existe uma revolução, mas não existe uma reflexão sobre as consequências dessa revolução, apenas uma visão naïve de que os fachos devem ser eliminados, de modo a permitir que a liberdade prevaleça.", em http://www.epicapt.com/2006/04/06/resenha-v-de-vinganca/, uma resenha bem crítica que termina com a fria observação de que o filme "não acrescenta nada de novo ao que já tinha vindo a ser escrito e feito anteriormente, com muito maior brilhantismo. Mas será talvez a obra que tenha capturado, com maior impacto, uma mistura de bom entretenimento com assuntos que exigem uma maior consciência e reflexão da parte do público.".

    O jornalista Chico Fireman comenta em seu blog que "Eu finalmente tinha entendido o terrorismo embora ainda não conseguisse concordar com ele ou aprová-lo, embora minha opinião sobre ele continuasse a mesma. O texto de Moore é muito competente ao dar consistência à lógica do pensamento de V. " Veja em http://filmesdochico.blogspot.com/2006/04/v-de-vingana.html

    Lendo esses comentários todos e refletindo um pouco preguiçosamente sobre o filme (afinal gente, é domingo e eu sou um humano preguiçoso), vai ficando difícil deixar de lembrar das aulas de Antropologia ainda nos tempos de FFLCH. "Alteridade, a compreensão da realidade do outro como único meio de entender a própria realidade". Basicamente, em dois semestres, isso era tudo de útil que o professor Kabenguele repetia de bom. Mas, agora que o tempo já passou e que esses dois semestres são comprimidos na lembrança tanto quanto se queira, some o tédio e fica a admiração pela pertinência. É muito fácil aceitar a morte do inimigo. A destruição do território alheio em função de uma causa própria. Também é fácil de aceitar... Agora... e se o inimigo fosse um dos nossos? E se descobríssimos ser a própria violência que "nos protege" aquela que devemos combater? Ou se o inimigo estivesse em nossa própria casa, de forma que as mortes todas que acontecessem jorrassem sangue em nossos jardins? O 11 de setembro fez com que automaticamente entendêsse-mos pro vítimas os milhares de civis mortos... Mas se, num raciocínio bem simplista porém buscando salientar extremos... Estivesse ocorrendo naquela manhã, no World Trade Center, uma reunião com toda a AlQaeda, Bin Laden, e incluíssimos ainda Saddam Hussein e quem sabe alguns figurões chineses, e se ao invés de aviões sequestrados tivéssemos civis kamikazes lançando-se contra os prédios, seriam eles então automaticamente convertidos em heróis ao invés de vítimas, e todos os milhares de mortos pelo simples azar de estar no prédio ou nas redondezas no horário, vivariam eles heróis de guerra? Mortos por uma causa? Pode parecer absurdo, uma coisa sem sentido, mas o próximo passo nesse raciocínio de vasculhar extremos é colocar o inimigo num lugar ainda mais próximo: na pele de um aliado. Na do próprio governo, quem sabe. E se isso acontecer? E se, no cenário mundial, forem os nossos líderes os grandes vilões, os grandes criminosos? Quando vamos perceber? E o que vale a pena fazer para mudar a realidade?

    Outros links interessantes:
    http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/colunas/renato-martins/v-de-vinganca.asp http://www.rabisco.com.br/77/s.htm

    [Em inglês]: http://www.comicon.com/thebeat/2006/03/a_for_alan_pt_1_the_alan_moore.html#more

    Sunday, November 19, 2006

    Argumentos veementes!

    "Condoleezza Rice e Kofi Annan não chegaram onde chegaram graças a alguma cota! Eles estudaram mesmo!" - Titia às vezes sabe se expressar muito bem.

    Bomba de entropia!

    Olha só que visão legal das coisas... gostei tanto que é impossível não reproduzir aqui:

    "Entropy is a property of matter and energy, and an open system can exchange entropy in the form of matter and energy between itself and its surroundings. Hence it is a mistake to hold a direct analogy between chaos and high entropy. Thermal energy input to the earth is made through the greenhouse effect of the atmosphere and sunlight in a ratio of 2:1, which would heat the earth to 31°C instead of the actual average of 15°C, were it not for air convection and water evaporation on the Earth's surface. The warm, light air and water vapor generated on the Earth's surface rise and undergo an adiabatic expansion because of the decrease in atmospheric pressure at the upper atmosphere with the result that the temperature falls to -23°C; the water vapor condenses into cloud, rain and snow. The entropy change of this process is equal to the difference between its increase at the earth surface (DSb = DQ/Tb, Tb = 288°K; DQ is the latent heat of water evaporation) and its decrease at the upper atmosphere (-DSa = -DQ/Ta. Ta=250°K); Tb greater than Ta, hence DSb - DSa is less than zero. The heat released through water condensation (-DQ) is dispersed outside of the Earth. Thus, the net entropy change of the earth is negative, the excess entropy being discarded into outer space, contributing to the total entropy increase of the universe. The low entropy in the form of condensed water is returned to the Earth's surface by precipitation. So the entropy of the Earth may continue to decrease by virtue of water circulation. This low entropy of water drives photosynthesis, using CO2 and sunlight as auxiliary raw material, and is transformed into the low entropy of the organic world. Hence, the Earth has been able to support organic evolution throughout its history!"

    [...]


    "...Earth is a 'magnificent ice-producing' machine constantly being fed low entropy in the form of water precipitation. As long as the water cycle remains intact, Earth can be sustained in a low entropy state... We should define the desired future as the Water Age, as it has always been on Earth, at least until the very recent past.... The Sun is primarily a sourse of thermal pollution, because most of its energy is not used by photosynthesis, while the low entropy of water is fully utilized by the Earth, which is nothing like a space ship because it can discard entropy to the outside."

    A ênfase nos fluxos de entropia, a relação com a dinâmica e a existência da vida na Terra, e as perspectivas ambientalistas contidas neste trecho tornam-no uma peça rara. Uma literatura de baixa entropia no meio de tantas manifestações pobres de insight.
    Onde eu encontrei o texto? Como uma citação logo na introdução do fantástico compêndio de artigos organizado por F. Eugene Yates e entitulado Self-Organizing systems - the emergence of order.

    Considerações de uma manhã chuvosa

    Falta um pouco... Um pouco daquela loucura especial... Loucura misto de cegueira com inconseqüência. Loucura incapaz de ver qualquer ridículo na felicidade. A sandice, até aqui, está sendo um mal negócio.

    Tuesday, November 14, 2006

    Percepção

    - Não cara, é fantástico! Fantástico! Os caras do Mith Busters fizeram um experimento para ver se uma palha consegue atravessar uma bananeira! Algo assim, é incrível! Construiram um canhão de ar comprimido que lança a palha a mais de quinhentos quilômetros por hora!

    - Caramba!

    - É! E eles também fizeram uma vez um teste com uma betoneira, cheia de concreto, e colocaram, sei lá.. uns quatrocentos quilos de dinamite lá dentro. Afastaram-se a mais de um quilômetro depois... Cara, não sobrou nada! Só uma mancha preta no chão. Imagina?! Você transformar uma betoneira numa mancha preta no chão?

    - Por isso não me espanta se o mundo acabar um dia, a gente faz por merecer... Imagina quantos recursos não são alocados pra se explodir uma betoneira e divulgar isso mundo afora... Ou para arremessar uma palha a quinhentos quilômetros por hora... Dane-se a fome na Etiópia ou das criancinhas no farol, ou o aquecimento global, ou o analfabetismo... Primeiro é melhor ver como a betoneira explode...]

    - É, ... Você falando assim, me dá uma vontade de... de... de me matar...

    Monday, November 06, 2006

    A Ciência da Frustração...

    Surge um problema. Será que existe alguma solução? Você começa a pensar e... em pouco tempo, junta umas cinco ou seis idéias diferentes. Descarta as mais complicadas, melhora as que pareciam mais simples. Muito bem. Agora torne isso algo apresentável para poder convencer os outros. Alguns desenhos, um roteiro. Uma estimativa de custo, quem sabe. As pessoas lêm seus planos, fazem sugestão de melhorias... Você atualiza as sugestões em seu documento, e termina com uma idéia que não poderia ter surgido naquele primeiro momento, de tão detalhada que está. Tudo foi pensado, tudo foi considerado. Agora é concretizar os planos... E então... Um pequeno parafuso... Uma peça que desliza mais do que devia... A natureza é teimosa, como é teimosa... Lembro das aulas de introdução à engenharia. Quer dizer... não de todas! As aulas eram meio chatas e inúteis. Mas uma frase do meu professor eu gravei: "o engenheiro deve, antes de mais nada, aprender a conviver com a frustração!". Caramba...